Mano Menezes inicia neste domingo sua primeira competição oficial à frente da seleção brasileira

Um técnico jovem, tocando um projeto de renovação de jogadores à frente da seleção, com a Copa América como primeiro teste e a promessa de emprego garantido até a Copa do Mundo. O perfil descrito é o de Mano Menezes, mas bem que poderia ser de Paulo Roberto Falcão, técnico do Brasil em 1991.

Um fracasso na Copa América mudou o destino do atual treinador do Internacional, que acabou sendo demitido. Um exemplo que a principal competição da América se transformou em um teste de sobrevivência para os técnicos da seleção brasileira nos últimos anos.

“Fizemos o que foi pedido, que era a renovação. Chamamos jogadores novos como Cafu, Mauro Silva e outros que deram certo e estava em 94. Agora no futebol só existe uma resposta que é a vitória. Quando ela, não vem não adianta”, afirmou ao iG Otacílio Gonçalves, então auxiliar-técnico de Falcão.

Na última edição do torneio, em 2007, Dunga passou pela prova. Questionado pelo futebol apresentado pela seleção e rejeitado pelos principais astros - Kaká e Ronaldinho pediram para não serem convocados – o técnico conseguiu vencer a Copa América e se manter no cargo.

“A Copa América é fundamental para o bem ou para o mal. Depende do que será feito. É um bom período para avaliar tudo, afinal, o treinador e os jogadores estarão longe da vivência do clube. E a única maneira de se fazer isso é competindo. É o primeiro passo para o objetivo maior: a Copa do Mundo”, afirmou ao iG o capitão daquele time, Gilberto Silva. “Apesar das dificuldades, o Dunga montou um grupo, após uma pequena reformulação, e deu tranquilidade aos jogadores. A partir dali, ficamos prontos para a Copa”, completou.

Mano Menezes, porém, descarta que a edição atual do torneio seja um teste do seu trabalho. “Não penso assim. Vamos considerar que seja uma etapa, uma referência, para sairmos com valores mais significativos de avaliação. Em uma competição como essa você se afirma dentro dela”, disse o treinador, durante o período de preparação do time, em Los Cardales, na Argentina.

Vitórias e micos
A derrota mais vexatória nos últimos anos não resultou em demissão de técnico. Com Felipão no comando, em 2001, o Brasil foi eliminado para Honduras, nas quartas de final, após perder por 2 a 0. A um ano do Mundial da Coréia e do Japão, envolto em denúncias de corrupção e tendo demitido dois treinadores meses antes, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, preferiu manter Scolari, que acabou vencendo a Copa.

Mano Menezes evitou classificar a Copa América como primeiro teste do seu trabalho
Mowa Press
Mano Menezes evitou classificar a Copa América como primeiro teste do seu trabalho

Nos últimos 20 anos, em oito edições da Copa América, a seleção brasileira venceu quatro. Além das vitórias em 2007, 2004, 1999 e 1997, foi vice-campeão em 1991 e 1995. As conquistas recentes não foram suficientes para colocar o Brasil, com oito títulos, no topo do ranking dos mais vitoriosos. Uruguai e Argentina dividem a primeira colocação com 14 troféus cada.
* colaborou Hector Werlang, iG Porto Alegre

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