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Futebol
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Contra 'olhares tortos', missão de Andrés Sanchez é ouro em 2012

iG mostra como será a função do diretor de seleções, que recebeu de Ricardo Teixeira tarefa de conquistar a 'Libertadores da CBF'

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

AE
Andrés Sanchez ao lado do ex-presidente Lula na visita ao estádio do Corinthians que vai abrir a Copa de 2014

Andrés Sanchez já escalou amigos cariocas a procurarem um apartamento para ele no Rio de Janeiro. Provavelmente alugará o imóvel na Barra da Tijuca, zona oeste e próximo à sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), onde dará expediente como diretor de seleções a partir de janeiro de 2012. “Vou morar entre São Paulo e Rio, porque tem a família em São Paulo. Mas não posso ficar muito longe do Rio senão tomo bola nas costas”, disse Sanchez.

Leia também: Andrés Sanches é anunciado diretor de seleções

Cartola com ascensão meteórica, ele conhece bem o cardápio que vai receber quando assumir o cargo que não existe desde os anos 90. “Se já me olham torto, agora olharão dobrado”, disse, desconfiado, a um amigo sobre dirigentes adversários. Sanchez pede licença da presidência do Corinthians em 15 de dezembro, dois meses antes da eleição. O cargo será remunerado. “Coloca uns 50 multiplicado por aí”, brincou Sanchez. O valor não é divulgado, mas gira realmente em torno de R$ 50 mil mensais – bem menos do que ganha Mano, por exemplo, com salário de R$ 300 mil. Como presidente do Corinthians, o dirigente não recebe nada.

A prioridade é formar o time sub-23, ou olímpico. Sanchez ouviu de Ricardo Teixeira que a medalha de ouro olímpica é a obsessão, a Libertadores da CBF (fazendo uma alusão ao que significa a competição sul-americana para o Corinthians). A Copa de 2014? Problema para depois. Desta forma, a missão de Sanchez assim que assumir será convencer jogadores e clubes a toparem o projeto Londres 2012.

Veja mais: CBF conversa com europeus para liberação de jogadores

Tarefa que não é tão simples por dois motivos: primeiro porque os clubes não são obrigados a liberar, já que o torneio não é organizado pela Fifa, e os europeus costumam engrossar temendo lesões. Segundo porque os próprios atletas que atuam fora do país perdem a maior parte das férias aceitando o chamado. Mano já iniciou essa tarefa, que será complementada agora.

Outra função de Sanchez será acompanhar o andamento das obras do novo CT da seleção, na Barra da Tijuca. Problemas com a liberação do terreno estão sendo resolvidos e, quando a obra começar de fato, ele deve solicitar ajuda de pessoas que participaram da construção do CT corintiano no Parque Ecológico – feito com dinheiro do clube, mas também ajuda de parceiros, formato que agrada Teixeira.

Entenda: Novo CT da CBF vai copiar o do Atlético-PR

A diretoria que exercerá foi ressuscitada pelo presidente Ricardo Teixeira - desde 1992 que o homem forte do futebol brasileiro não delega poderes iguais ao que Sanches imagina que terá. “E podem ter certeza que vou mudar muita coisa”, disse. O acordo é que ele terá carta branca e pode mexer até no cargo do amigo Mano Menezes, técnico da seleção.

Divulgação
Ricardo Teixeira recebe Andrés Sanchez na sede da CBF, no Rio
“Não sou muito adepto de demitir ou mudar treinador. Mas se precisar. Tem o Tite aí”, disse, em tom de brincadeira, falando do técnico que deve dar mais um título a seu clube e ironizando aqueles que acham que a CBF se “corintianizou”. Desde que se tornou presidente, em 2007, Sanchez só demitiu um treinador, Adilson Batista, em outubro de 2010, quando chegou Tite. Nelsinho Baptista ele herdou da gestão anterior e não renovou o contrato quando acabou, em dezembro de 2007. Mano deixou o clube para assumir a seleção em julho de 2010.

Sanchez terá autonomia para contratar os treinadores de nove categorias, contando as seleções femininas. Num primeiro momento, sua intenção é tornar o quadro de profissionais mais nacional – normalmente, pela proximidade, a CBF opta por funcionários nascidos ou radicados no Rio. Isso já começou a mudar em 2011 com a contratação de Ney Franco como coordenador das seleções de base.

Críticas
“Eu comandei todo o departamento de futebol da CBF em 1989 e não recebi nada. Sempre fui um dirigente amador”, disse ao iG Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco e um dos poucos a ter cargo com poderes na CBF, em função parecida com a que terá Sanchez.

Polêmico: Eurico Miranda chama clássico de guerra e critica tabela

Miranda hoje está afastado do futebol, mas em 1989 era o grande nome em ascensão, bem parecido com o que significa o presidente corintiano atualmente. Com a eleição de Ricardo Teixeira para a CBF, o então presidente da Fifa, João Havelange, precisava de alguém que conhecia os meandros do futebol e pediu para Miranda ajudar o genro Teixeira em seu início na CBF.

“O Ricardo não sabia nada. A CBF estava bagunçada, o antigo presidente, o Nabi (Abi Chedid) pegava uma pastinha na sexta-feira, com os principais documentos da CBF, e levava para São Paulo. Eu assumi por um pedido e comandava tudo, era o chefe da comissão técnica”, lembrou Miranda.

AE
Eurico Miranda era um dos chefões do futebol brasileiro nos anos 80 e 90
Ele contratou Sebastião Lazaroni para a seleção principal, que havia treinado o Vasco e estava no Paraná Clube. Eurico foi campeão da Copa América, depois de 40 anos o Brasil voltou a vencer, e classificou a seleção para a Copa de 90, na Itália. Ele não cuidava apenas da seleção, mas também das competições - foi das mão dele que nasceu a Copa do Brasil. Saiu seis meses depois de assumir, como combinado.

“Não tenho nada contra o Andrés, mas não acho que seja o nome ideal. Ele começou ontem e o que entende de futebol internacional?”, disse Miranda, que estava irritado com o que chamou de “corintianismo” na seleção.

Essa expressão é uma das que tira Sanchez do sério. O anúncio do cargo foi feito em meio à disputa do título brasileiro, entre Corinthians, Vasco e Fluminense (que agora não tem mais chance). “Se somos transparentes, reclamam. Anunciamos quando decidimos, para não falar que escondemos. Se eu tivesse alguma influência (na CBF), meu time já seria o campeão”, disse Sanchez.

A outra afirmação que o aborrece é que é candidato a presidir a CBF em 2015, quando Teixeira sairá para concorrer à chefia da Fifa. “Não falamos sobre isso”, garantiu. Meses atrás, entretanto, a frase foi outra, bem mais convidativa e que talvez já previsse o importante cargo que teria na CBF. “Não posso dizer que dessa água não beberei”.

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