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Construção da Arena transforma o Palmeiras em "Torre de Babel"

iG ouviu as três partes envolvidas sobre os cinco temas polêmicos que podem interromper a obra

Danilo Lavieri e Marcel Rizzo, iG São Paulo |

[]A polêmica construção da Arena Palestra, novo estádio do Palmeiras, envolve três partes: a construtora WTorre, a atual situação, que na época da assinatura do contrato era oposição, e os derrotados na eleição de janeiro, que fizeram o acordo e hoje estão fora do poder. Os argumentos distintos de cada um sobre a construção transformaram o clube em uma "Torre de Babel".

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São ao menos cinco pontos polêmicos na obra, que teve início em novembro de 2010, e já tem boa parte do estádio e de departamentos do clube demolidos: o tempo de concessão para a WTorre (30 anos), o valor do seguro, a divisão dos lucros, o cronograma e mudanças no projeto e acabamento dos equipamentos que serão entregues.

O iG ouviu representantes das três alas e explica o que cada um alega sobre os temas. Pela WTorre falaram o presidente da empresa, Walter Torre Jr., e seu diretor, Rogério Dezembro. Pela atual situação, que faz oposição ao contrato, a reportagem conversou com o ex-presidente Mustafá Contursi e com o atual mandatário, Arnaldo Tirone. Pela diretoria que fez o acordo o ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo falou sobre o assunto. Por enquanto, a WTorre mantém as máquinas funcionando. A reportagem também teve acesso ao contrato e à escritura assinados pelas partes.

Veja abaixo os motivos para tanta polêmica e por que o contrato pode ser revisto:
 

  Palmeiras Atual oposição WTorre O que diz o contrato
Seguro Mustafá Contursi e outros conselheiros defendem que o seguro da obra deveria cobrir os R$ 330 milhões. Só assim, segundo eles, o clube teria segurança. Arnaldo Tirone contratou advogados que analisaram a situação e não encontraram problema. Belluzzo rejeitou por duas vezes a apólice oferecida, mas depois aprovou com a apresentação de um segundo documento em nome do Palmeiras. Walter Torre e Rogério Dezembro defendem que R$ 32 milhões está bem acima do valor praticado no mercado e afirmam que já gastaram R$ 5 milhões a mais do que deveriam. Empresa precisava entregar um seguro chamado performance bond, que garante a conclusão da obra por outra empresa em caso de problema. Não há valor estipulado.
Contrato de 30 anos Mustafá considera o prazo exagerado e mostra contas de que a WTorre ganhará mais de R$ 360 milhões nos cinco primeiros anos. Tirone faz coro e diz que os outros 25 anos servirão de lucro à companhia. Belluzzo afirma que foi o melhor estilo de contrato que se encontrou, especialmente pelo fato do clube não colocar dinheiro no negócio. Dezembro reconhece que o prazo de 30 anos é longo, mas afirma que já tem conselheiro que pede aumento na gestão, já que a WTorre saberá como gerir o negócio. WTorre fica com direito da superfície da Arena Palestra por 30 anos. Clube fica responsável por áreas sociais, chamadas de "zona de interface".
Divisão de lucros Mustafá diz que se fosse o presidente negociaria um contrato de no máximo 15 anos. Arnaldo Tirone reconhece que o prazo é longo e não esconde que procurará brechas para diminuir ao máximo que der. Belluzzo destaca que o contrato esteve no clube para todos analisarem e darem suas opiniões e insiste que há ganhos que aumentam com o tempo. O Palmeiras receberá porcentagem da receita do estádio. Walter Torre fala que só vai recuperar o investimento após 11 anos de negócio e afirma que não está fazendo caridade, por isso precisa de lucros. Explica que o clube ganha cada vez mais com o passar do tempo e não assume risco financeiro. A receita da Arena é da WTorre, que divide com o Palmeiras da seguinte maneira: 5% ano do "naming rights" e locação de cadeiras e camarotes e 20% ano de outras receitas (estacionamento, etc). Valores crescem a cada cinco anos.
Cronograma de obras Mustafá critica o fato de o estádio começar a ser derrubado antes da entrega do prédio administrativo e do ginásio. Diz que o palmeirense precisa pensar em proteger o patrimônio e não em ser sede da Copa do Mundo. Arnaldo Tirone pressiona para que prédios sejam entregues o mais rápido possível. Deu aval pra que a demolição da parte do estádio começasse antes mesmo do término da obra da parte social. Usa a possibilidade de usar o estádio na Copa e a demora para conseguir o alvará como justificativas para acelerar a obra. Afirma que o cronograma está sendo cumprido de forma integral. Walter, inclusive, coloca fotos no Twitter para mostrar que tudo está ok. Afirma que vai cumprir o combinado de entregar prédio administrativo até dezembro. Um ano para entregar o prédio administrativo e ginásio vertical (vence em janeiro de 2012) e 24 meses para a Arena estar levantada. A previsão é que o estádio esteja inaugurado até abril de 2013.
Projeto e acabamento da obra Mustafá afirma que o clube gastará muito dinheiro com o acabamento, com equipamentos de vestiário e outros itens que não estão no contrato. Ele reclama da falta de uma alameda que ligará os dois lados do clube social que ficarão separados pelo estádio. Vai contra a reclamação de Mustafá de que as obras não terão piso, nem móveis, nem equipamentos. Diz que é normal em uma obra o dono ser responsável por móveis e afirma que o acabamento, como o piso, será pago pela WTorre. Usa a o exemplo de rebaixar o gramado para deixar o campo nas normas da Fifa. Walter Torre afirma que, por contrato, não é obrigado a fazer isso, mas fará para deixar o estádio pronto para uma partida de Copa. A mudança custará mais de R$ 1 milhão. Há um aditivo no contrato que a WTorre exemplifica o que será excluído da obra, como equipamentos esportivos, bebedouros e outros itens. Não está escrito, porém, se é Palmeiras ou a construtora que pagarão depois de escolhido o material.

 

Guilherme Tosetto, iG São Paulo
Maquete da Arena Palestra e das dependências do clube, com o prédio administrativo (direita)

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