Pacaembu não tem padrões Fifa e por isso o COL, apesar de ajustes, não considera amistoso como evento-teste

O COL (Comitê Organizador Local) da Copa 2014 faz na partida amistosa entre Brasil e Romênia , nesta terça-feira, em São Paulo, um ensaio com alguns requisitos que serão exigidos durante o Mundial que será disputado no Brasil – foi feito algo semelhante no jogo contra a Holanda, sábado, em Goiânia.

Segurança, acesso, facilidades para a imprensa e cerimonial de jogo foram escolhidos para serem testados, mas o COL faz sua ressalva: parte dos serviços foi feito de maneira parcial porque o Pacaembu e o Serra Dourada, onde foi realizado o jogo contra a Holanda, não estão adaptados ao padrão Fifa para receber jogos de Copa do Mundo.

“É uma maneira de o público e a imprensa começarem a entender como é um evento Fifa. Mas estamos deixando claro que não é evento-teste, e sim alguns pontos estamos testando já que os estádios não têm estrutura para o que a Fifa exige”, disse Saint-Clair Milesi, representante do COL.

Para o torcedor, as mudanças começam na chegada, quando o acesso à praça Charles Miller está fechado, passando apenas quem tem ingresso. Lugares numerados, exigência da Fifa, só foi possível colocar no setor oeste ( as arquibancadas não têm marcação). Detectores de metal foram colocados em cada entrada, todas bem sinalizadas. A segurança também não é feita apenas pela Polícia Militar: há uma sinergia entre o público (PM) e privado (seguranças contratados), como exige a Fifa.

Veja abaixo as diferenças entre um jogo “comum” e o teste para a Copa do Mundo de 2014.

SEGURANÇA
A Fifa chama de “stewardess” os seguranças privados que trabalham em jogos em eventos realizados pela entidade. No Pacaembu, a organização levou mil profissionais ao estádio, entre seguranças e orientadores. Em ruas próximas ao estádio, pessoas com camisas “Posso Ajudar?” esperavam torcedores perdidos para orientar.

A Polícia Militar, que normalmente faz a segurança nos jogos, teve acesso ao estádio, mas não atua diretamente na segurança. São 360 PMs dentro do estádio e 480 no entorno. Em jogos de Copa, o poder público é responsável pela segurança apenas ao redor do campo – dentro a responsabilidade é 100% dos “stewards”, ou apenas quando é necessária a presença da Polícia.

Os monitores, ou
Marcel Rizzo
Os monitores, ou "stewardess", são responsáveis por auxiliar os torcedores


ACESSO
O Pacaembu recebeu diversas placas de orientação, em inglês e português, que não existem em partidas normais. Os torcedores chegavam à praça Charles Miller, onde o Pacaembu está encravado, e já eram revistados. Só passava dali quem tivesse ingresso, diferente de jogos normais, quando as pessoas têm acesso quase ao portão do estádio.

A sinalização em ao menos duas línguas é exigência da Fifa. Os monitores contratados levavam os torcedores às cadeiras numeradas (no caso do Pacaembu, apenas no setor oeste), aos sanitários e outras dependências. Camarotes também foram feitos nos setores lilás e 21, que normalmente recebem torcidas visitantes (o Itaú,, um dos patrocinadores da seleção, teve o seu exclusivo). Onde é o Setor VIP em jogos do Corinthians está montado o Camarote Experience, pelo qual os torcedores desembolsaram R$ 840 para ver o jogo, comer e participar de uma festa com DJ. No estádio só entravam pessoas credenciadas ou aquelas com ingresso.

Instalações do Pacaembu ganharam reforços para o jogo desta noite
Marcel Rizzo
Instalações do Pacaembu ganharam reforços para o jogo desta noite

IMPRENSA
Foram montados uma tribuna do lado oposto ao qual normalmente ficam os jornalistas (à direita do Tobogã). Repórteres de 20 países se credenciaram para o evento, principalmente por ser a despedida de Ronaldo. Há internet gratuita (wifi), o que não existe normalmente. Foi montada uma sala de imprensa no ginásio, na qual foram distribuídas pulseiras limitadas para a zona mista (onde todos os jogadores falam e podem dar entrevista) e a coletiva.

CERIMONIAL

As bandeiras dos dois países, a entrada das seleções enfileiradas, o sistema de som com músicas e os hinos nacionais. Tudo isso foi montado no Pacaembu, apesar de algumas gambiarras. Como os vestiários são separados, e não têm como as seleções entrarem juntas, Brasil e Romênia chegariam ao campo por seus túneis e, atrás do gol, iriam ao meio do campo. A Fifa exige que a entrada seja pelo setor central.

As seleções tiveram o tempo todo a seu lado, no hotel, a presença de organizadores do evento, exclusivos, para auxílio em caso de problemas. Em Copas do Mundo cada seleção tem um membro do COL que acompanha por todas as sedes. Os hinos nacionais precisam ser tocados, de forma oficial, e não cantado por alguém, como ocorrem normalmente em eventos importantes no Brasil.

Telões foram instalados, já que o Pacaembu não possui. Neles, além de o jogo (sem replay), aparecerá uma exceção nesta terça: Ronaldo se preparando no vestiário para entrar em sua despedida. O jogo é um ensaio, mas também é festivo.

*Colaborou Fernanda Simas, iG São Paulo

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