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Comecei a perder comando no Chelsea com o Drogba, conta Felipão

Marfinense queria tratar lesão na França. O técnico, que tentou trazer Adriano, negou e acabou demitido

Gazeta |

A saída do Chelsea no início de 2009, em sua única demissão da carreira de Luiz Felipe Scolari em um clube grande ocorreu, na análise do próprio treinador, por ele não conseguir dominar seus atletas no vestiário. E tudo começou com uma revolta de Drogba, bravo por que queria tratar lesão em Cannes, na França, e o técnico, hoje no Palmeiras, vetou.

"Começou com uma identificação com o departamento médico, que mandava realizar cirurgias fora. Eu nem conhecia, mas confiei e avisei que seria tudo no clube. O Drogba tinha jogado na temporada anterior 12, 15 jogos com injeções e eu disse que não aceitava isso, ele deveria fazer a recuperação. Ele entendia que deveria fazê-la em uma grande clínica, em Cannes, e no verão. O bobo aqui disse não", relatou no Sportv.

Além do atacante marfinense - que garantiu a vitória do seu país fazendo os dois gols contra Benin no último domingo, pelas eliminatórias da Copa Africana das Nações -, o treinador já lidava com a insatisfação de Ballack, revoltado com a contratação de Deco. "Ele estava arredio porque eu trouxe o Deco, que jogava na mesma posição. Só que ele não entendeu que eu não era contra esse ou aquele jogador. Não indiquei o Deco para tirar o Ballack. Eu estava pensando em fortalecer o grupo. Talvez eu não tenha me expressado como deveria", comentou Felipão.

É a primeira vez que Scolari fala abertamente de seus problemas na equipe do Stamford Bridge. Por conta de uma cláusula contratual, com multa milionária, o brasileiro e seus colegas na comissão técnica que foram demitidos com pouco mais de seis meses de trabalho não deveriam dar detalhes internos. Por isso, Felipão ainda é contido.

Na Inglaterra, comenta-se também que ele teve problema com Cech, que não teria aceitado ouvir Carlos Pracidelli, preparador de goleiros levado pelo treinador. O comandante do Palmeiras, contudo, tinha o apoio de nomes influentes no elenco, como o zagueiro Terry, ainda capitão do time, e o meia Lampard.

Scolari, contudo, acha que perdeu comando porque Anelka, sua aposta para o lugar de Drogba, não o defendeu. "O Anelka não fazia gol em ninguém, mas virou artilheiro. Eu não iria tirá-lo para colocar outro sem condições. E já votei no Drogba na eleição de melhor mundo. Mas o Anelka não foi meu parceiro de dizer 'ele apostou em mim, vou para a briga'. Dividiu, ficou naquele 'se der, deu, se não der, não deu'. Comecei a não ter o domínio do grupo", admitiu.

O treinador até tentou se livrar de Drogba e acertou com José Mourinho, técnico da Inter de Milão em 2008, a troca do africano por Adriano. O problema foi que o "Imperador" começou a viver boa fase. "Eu queria o Adriano, quem estava com algum problema na Inter. O Mourinho já tinha aceitado e avisei a diretoria para deixar a bronca dele fora de campo comigo. Mas aí o Adriano entra na Inter e é gol, gol, gol", lembra Felipão.

Porém, apesar dos problemas internos, Scolari prefere assumir sua culpa na condução do ambiente. "Não houve sabotagem, houve uma má condução minha em relação a problemas com dois ou três atletas e o ambiente dentro do vestiário não foi o melhor. Não soube conduzir ou conduzi da forma que conduzo no Brasil e seleção portuguesa e lá, por cultura e outras razões, não entenderam. O trabalho não era tão ruim, mas não tive o controle e o domínio de vestiário que costumo ter."

O chefe só lamenta a oportunidade perdida. "Fui para um campeonato maravilhoso, um clube muito bom, tinha mais um ano e pouco de trabalho, meu filho estudava em uma escola inglesa legal, eu vivia em um lugar afastado de Londres que era de sonho, tudo verde, bom de viver, Portugal era do lado. Eu queria ficar lá. Aquilo me deixou muito triste, muito para baixo. Nos primeiros dois meses (depois da demissão), eu não queria saber de nada", admitiu. "Minha mulher ainda ontem (domingo) falou: ?calma que vem outro time da Inglaterra'. De novo? Não", encerrou.

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