Diretor da empresa não crê na solução do impasse com o clube, que já estuda recorrer a patrocinadores ou recursos de transmissão

Enquanto o Flamengo tenta se mostrar otimista em relação a uma solução do impasse com a Traffic a respeito do pagamento a Ronaldinho , a empresa responsável por 75% dos vencimentos do camisa 10 não parece tão animada. Em conversa informal com a reportagem do iG , um dirigente da Traffic que participa diretamente das negociações desde a chegada do jogador à Gávea não chegou a externar descontentamento, mas deixou claro que é difícil encontrar uma solução a curto prazo.

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“Teremos de conseguir em duas semanas o que não conseguimos em quatro meses. Já estive bem mais otimista”, disse o cartola, referindo-se ao acerto do Flamengo com a Procter & Gamble através da 9ine, agência de Ronaldo. Quando concordou em pagar R$ 750 mil mensais ao jogador, com o clube arcando com os R$ 250 mil restantes do salário de Ronaldinho Gaúcho , a Traffic exigiu exclusividade na negociação dos contratos de patrocínio, que, ao atingir determinado valor, renderiam um percentual para a empresa, além da taxa de agência, que ficou com a 9ine.

A questão não passa apenas por repor os R$ 3 milhões devidos a Ronaldinho nesses quatro meses de pagamento suspenso. Ao ver o Flamengo fechar o patrocínio principal da sua camisa para a reta final do Campeonato Brasileiro através de outra empresa, a Traffic, que chegou a receber uma quantia reduzida, se sentiu lesada. Além dos entraves burocráticos, das questões de licenciamento de produtos e pagamento de salários, esse prejuízo vem dificultando o acordo.

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Apesar das declarações otimistas na mídia de Ronaldinho e da presidência do Flamengo, o clube já começa a se preparar para outro desfecho. O plano B é simples: se a Traffic não pagar Ronaldinho, o Flamengo deve tentar fazer com que seus patrocinadores (Olympikus, BMG, Tim e Procter & Gamble) assumam a conta, como revelou um vice-presidente do clube em conversa informal. Os contatos com essas empresas, no entanto, estão em estágio inicial.

Outra opção seria, em vez do contrato com a Traffic, fazer outro tipo de acordo para que os R$ 750 mil passassem a ser descontados diretamente dos direitos de transmissão de jogos pela televisão, contrato que teve aumento considerável para 2012. O Flamengo aguarda uma definição da Traffic para decidir qual estratégia usará. Indagado sobre a questão, o diretor-executivo da Traffic, Fernando Gonçalves, afirmou não poder se pronunciar sobre o caso que, segundo ele, está sendo conduzido diretamente pelo presidente da empresa, J. Hawilla.

Até agora, o documento preliminar feito em janeiro entre Traffic e Flamengo não virou contrato e é possível que, após a empresa gastar R$ 6 milhões com o jogador sem ter qualquer retorno, a parceria seja desfeita sem que o acordo do início do ano seja sacramentado. Desde 2010, a Traffic vem passando por dificuldades, com ajustes financeiros e administrativos. Diante do impasse, a empresa puxou o freio e interrompeu os pagamentos ao atleta.

Ronaldinho Gaúcho tenta se livrar da marcação do zagueiro Dedê no último jogo do Brasileirão 2011
AE
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“Foi uma freada de arrumação. Temos um memorando do Flamengo desde janeiro, e ele ainda não virou contrato. Isso é insuficiente para definirmos algumas questões com o clube. Resolvemos dar um corte para sentar e resolver esse problema. Claro que houve perda, foi pelo fato de o Flamengo ficar sem patrocínio durante os primeiros cinco meses”, disse Fernando Gonçalves, diretor da Traffic, em entrevista ao iG no dia 3 de novembro .

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O departamento de marketing do Flamengo esperava, inicialmente, obter um total de R$ 35 milhões com os patrocínios em seu uniforme, mas o valor foi sendo reduzido conforme se passavam os meses e os contratos não eram fechados. Se concretizasse o plano inicial, a Traffic poderia ter recuperado cerca de R$ 8 milhões de investimento somente em 2011.

A reapresentação dos jogadores do Flamengo está marcada para o dia 3 de janeiro. Na festa de premiação dos melhores do Brasileiro, Ronaldinho, incluído na seleção do campeonato, afirmou: “Já me vejo disputando a Libertadores. Foi um ano maravilhoso. Por mim, encerraria a carreira no clube”. Resta saber se a vontade do jogador é maior do que o rombo de R$ 3 milhões no seu bolso e no de seu irmão e empresário, Assis.

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