Rival treinou até nos EUA, país inimigo do presidente Hugo Chávez, para se afastar dos desafetos. Escalação é segredo

Jornalistas da Venezuela barrados mais vez em treino da seleção, na porta do Estudiantes
Marcel Rizzo
Jornalistas da Venezuela barrados mais vez em treino da seleção, na porta do Estudiantes
A Venezuela se escondeu para estrear na Copa América contra o Brasil , neste domingo (16h de Brasília), em La Plata. O técnico César Farías não concede entrevista, não deixa os pouco mais de 20 jornalistas do país ver os treinos e vive às turras com eles. “Vocês (da imprensa) tinham problemas com o Dunga, não é? Pois o Farias é o nosso Dunga”, disse José Mena, repórter venezuelano do Portal Notícias de San Cristóbal, a capital do futebol no país - o restante prefere beisebol.

O iG tentou acompanhar o treinamento da Venezuela nesta sexta-feira à tarde, no bairro de City Bell, na cidade de La Plata (a 60 km de Buenos Aires). O Country Clube e Golfe do Estudiantes, tradicional clube argentino, dispõe de campos, hotel, sala de ginástica e até um colégio para crianças da região (e é proibido entrar com a camisa de qualquer clube, que não seja o Estudiantes. Um menininho tentou passar com uniforme do Boca Juniors e teve que tirá-la). Marcado paras as 16h, e confirmado no site oficial da competição como aberto, todos os repórteres não puderam entrar.

“Ele é covarde. Toda a imprensa daqui é de San Cristóbal e a pressão sobre ele lá é muito grande. A seleção não joga mais na cidade e não há um jogador do Táchira convocado”, disse Mena, se referindo ao principal time do país.

Ninguém sabe como a Venezuela vai jogar. Farías, 38 anos, ousou na preparação: levou a delegação para Dallas, nos EUA, por dez dias, e depois a um centro de treinamento que a federação venezuelana construiu em “Isla de Margarita”, importante centro turístico do país. O trabalho em terras norte-americanas surpreendeu porque a relação política entre os dois países é tensa por causa do presidente venezuelano Hugo Chávez, critico ferrenho dos EUA.

“Ousado mesmo. Ele treinou em uma temperatura de 40 graus para jogar aqui na Argentina a uma temperatura quase negativa. E o tal centro de excelência em Margarita tem um campo apenas”, disse Mena. A principal reclamação dos jornalistas é que Farias convocou seis jogadores do pequeno Deportivo Anzoátegui, time que é treinador por seu irmão Daniel e que, segundo eles, tem jogadores empresariados pelo técnico.


César Farías se isolou e arrumou confusão com imprensa da cidade que acompanha o futebol na Venezuela
Getty Images
César Farías se isolou e arrumou confusão com imprensa da cidade que acompanha o futebol na Venezuela

Farías assumiu a seleção principal depois de uma campanha de sucesso com a equipe sub 20 em 2007, quando levou a Venezuela pela primeira vez a um mundial da categoria. Em 2008 substituiu Richard Páez, conseguiu uma vitória impressionante sobre o Brasil em Boston (2 a 0), em um amistoso, Ganhou moral ali, mas depois o time foi mal nas Eliminatórias para a Copa da África do Sul, em 2010, e caiu em desgraça em San Cristóbal, sendo criticado, saindo meio à coletivas e pouco falando.

O radialista Johann era o mais exaltado por não poder acompanhar o treinamento. E, ao saber que o assessor de imprensa da delegação, Nestor Beaumont, nem iria dar uma satisfação a eles, enlouqueceu: “O Farías é um déspota. Ele tem que entender que a seleção não é dele, é do povo da Venezuela”, gritava. Dez minutos depois a segurança do Estudiantes pediu para que todos deixassem o local.

Os “craques”
“Vai ver o Farías está bolando uma arma secreta para vencer o Brasil”, brincava um dos jornalistas do grupo venezuelano. Não há muito que testar, explicou Mena. Os destaques são o atacante Salomón Rondón, 21 anos, do Málaga (ESP), e os meias Tomás Rincón, 23 anos, do Hamburgo (ALE) ,e o garoto de 20 anos Orozco, recém contratado pelo Wolfsburg (ALE).

Com base no amistoso contra a Espanha em Purto Ordaz (Venezuela), em 4 de junho, a tendência é que Farías escale dois atacantes, um meia mais ofensivo e o resto jogadores marcadores. Orozco, por exemplo, deve começar no banco.

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