Atacante que chegou a ser capitão com Mano Menezes ficou no banco de reservas no empate com o Paraguai

Ex-capitão, jogador que mais vezes vestiu a camisa do Brasil nos últimos 5 anos e um dos símbolos da era Dunga. Na seleção, Robinho é mais do que o “rei das pedaladas”, eterno futuro melhor do mundo e jogador que já acumula três transferências milionárias na carreira. E a saída do ex-santista do time titular na partida contra o Paraguai também representa mais do que uma opção tática do treinador. A troca mostra uma tendência no Brasil de Mano Menezes, a perda de espaço dos remanescentes da era Dunga.

Apostando desde o início do seu trabalho, em agosto de 2010, na renovação, o técnico optou pela estreia de novatos na seleção, como Neymar, Ganso e Lucas. Porém, com a proximidade de uma competição oficial, Mano investiu na volta de jogadores experientes. No grupo que está na Copa América, 9 foram para o último Mundial. Cinco hoje são titulares: Julio Cesar, Daniel Alves, Lucio, Thiago Silva e Ramires.

Dificilmente eles perderão vaga na equipe principal até o fim da Copa América. Após o torneio, porém, os mais velhos devem deixar de ser convocados. Até porque a próxima competição oficial será a Olimpíada de Londres, onde apenas três jogadores com mais de 23 anos poderão ser chamados.

O limite de idade, entretanto, não é o único fator preponderante da mudança de perfil na seleção. O iG apurou que alguns jogadores, entre eles Lucio, Maicon e Julio Cesar, reclamaram da exposição nos treinos abertos para a imprensa. Criticada pelos jornalistas, a blindagem da época de Dunga, com treinos fechados e pouco acesso aos atletas, era vista com bons olhos pelos jogadores.

“O Dunga virou o Cristo da história, mas a verdade é que aquele isolamento agradava os jogadores”, afirmou ao iG um integrante da comissão técnica da seleção. A visão dos jogadores que participaram do ciclo anterior na seleção é de Dunga comprava a briga por eles.

Durante as entrevistas coletivas em Los Cardales, Julio Cesar e Maicon fizeram questão citar o ex-treinador de forma espontânea em suas respostas. “Com todo respeito ao Mano, o Dunga conseguiu montar uma seleção em que todas as cabeças pensassem da mesma maneira. Aquilo que a gente fez naqueles três anos e meio acabou em um jogo em que a seleção até jogou melhor. Um gol mudou toda a história da partida”, afirmou Julio Cesar, no primeiro dia de trabalho na Argentina.

A declaração não agradou a comissão técnica do Brasil. Mesmo assim, na mesma semana foi a vez de Maicon lembrar do ex-comandante. “Vivo aqui uma situação que não vivia com o Dunga, quando era o titular. Mas ninguém tem privilégio na seleção brasileira, nunca. Então estou trabalhando para tentar manter meu espaço e, quem sabe jogar”, afirmou o lateral ao ser perguntado sobre a briga pela titularidade.

Maicon, alias, é o remanescente da era Dunga que mais deixa transparecer o seu descontentamento com a situação atual, na qual ele é reserva. Nos treinos, duas cenas chamaram a atenção desde o início da preparação em Los Cardales (cidade as 60 km de Buenos Aires): na primeira, o lateral deu um bico na trave após errar chute. A segunda também foi um chute, na placa de publicidade atrás do gol, depois de falhar ao tentar repetir o gol que fez contra a Coreia do Norte, sem ângulo, na copa africana.

Primeiro jogador a sair do vestiário após o empate deste domingo com o Paraguai, Maicon foi chamado pelos jornalistas no local organizado para as entrevistas pós-jogo. “Falar o quê?”, se limitou a dizer o lateral.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.