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Futebol
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Com histórico de polêmicas, Leco perde espaço no São Paulo

Dirigente assume vice presidência do clube, posto com menor influência no departamento de futebol

Levi Guimarães, iG São Paulo |

A mudança de cargo imposta pelo presidente Juvenal Juvêncio a Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, afasta do futebol são-paulino o dirigente mais polêmico do clube na última década. E com isso, ele talvez se torne o grande prejudicado com a crise pela qual passa o São Paulo desde a eliminação na Copa do Brasil, já que deve perder muito do seu poder de influência sobre o time daqui para a frente.

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Contrariando a cultura do clube de não “lavar roupa suja” em público, Leco colecionou episódios desastrosos nos últimos nove anos. Sem papas na língua, criticou à imprensa técnicos, jogadores e até colegas de diretoria, conturbando o ambiente no CT da Barra Funda. Foi, por exemplo, inimigo declarado de Muricy Ramalho mesmo nos tempos do tricampeonato do Brasileirão.

Apesar de ter certa influência junto ao Conselho Deliberativo – fato respeitado por Juvenal Juvêncio – Leco não faz parte do restrito grupo próximo ao presidente (este ocupado por conselheiros que pouco aparecem na mídia).

A decisão do presidente de fazer uma reformulação na diretoria de futebol (leia abaixo) veio após a polêmica entre Paulo César Carpegiani e Rivaldo. O mandatário optou por colocar panos quentes na polêmica e manter no clube tanto o técnico como o jogador. E, seguindo a mesma linha de metáforas, pode-se dizer que a saída de Leco foi, em parte, por conta de sua fama de “incendiário”.

Explica-se. Neste caso específico, Leco era um dos principais defensores da demissão de Carpegiani, mesmo que não houvessem outras boas alternativas de treinadores disponíveis no mercado. O problema é que desentendimentos como esse - alguns públicos, outros internos - se tornaram comuns ao longo dos anos, com treinadores e jogadores do São Paulo ou até adversários.

Leco já se destacava nos bastidores do São Paulo em 2000, quando foi candidato à presidência e perdeu para Paulo Amaral (foi a última derrota eleitoral do grupo político que hoje comanda o clube). Quando Marcelo Portugal Gouvêa venceu e assumiu o cargo, em 2002, Leco foi seu primeiro diretor de futebol.

Na época, ele assumiu já criando polêmica ao falar sobre a demissão de Nelsinho Baptista, que disputava o título do torneio Rio-São Paulo. O time foi derrotado pelo Corinthians na decisão, Nelsinho caiu e Oswaldo de Oliveira foi contratado. Em 2003, menos de um ano depois, foi substituído por Juvenal Juvêncio no cargo e o atual presidente deu início à formação do time que conquistaria a Libertadores e o Mundial de Clubes em 2005.

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Artilheiro do São Paulo em 2011, Dagoberto quase deixou o time no ano passado, em parte por pressão de Leco

Apesar dos problemas na primeira passagem, Leco ressurgiu quando Juvenal se tornou presidente, assumindo a vice presidência de futebol, cargo então desocupado. E os mesmos problemas ressurgiram junto, quase sempre como consequência das declarações do dirigente.

No período, algumas das principais desavenças foram com Muricy Ramalho e Dagoberto. O treinador, tricampeão brasileiro pelo clube entre 2006 e 2008, sofria com as pressões do dirigente pedindo sua demissão a cada eliminação na Copa Libertadores. A postura, que incluía visitas constantes aos treinos no CT da Barra Funda, incomodava inclusive os jogadores. Até que em 2009, diante de nova eliminação, Muricy finalmente foi demitido, decisão até hoje questionada por muitos são-paulinos.

Já o atacante, atualmente artilheiro do São Paulo na temporada 2011, por diversas vezes esteve perto de ser negociado também por influência de Leco. No segundo semestre de 2010, após nova queda na Libertadores, foi taxado como culpado pela eliminação e precisou bater o pé para não ser vendido para o futebol ucraniano.

Mais recentemente, além de opinar pela demissão de Carpegiani, Leco se indispôs com o zagueiro Alex Silva, com quem Juvenal ainda negocia a renovação de contrato (o atual empréstimo vai até o final de julho). Por essas e outras, a expectativa é de que o afastamento do dirigente, pelo menos do departamento de futebol, colabore para trazer um pouco de paz ao time neste início de Campeonato Brasileiro.



Derrotado ou vitorioso?

Não é à toa que o primeiro parágrafot desta reportagem traz a palavra “talvez” ao analisar o prejuízo ao dirigente com seu afastamento do departamento de futebol. Se por um lado ele vai se distanciar do time, por outro poderá se aproximar ainda mais de Juvenal Juvêncio e se firmar como possível candidato na próxima eleição do clube, em 2014.

No próximo pleito, a expectativa é de uma forte concorrência até mesmo entre nomes que hoje formam o grupo de situação. O vice-presidente de comunicação e marketing Júlio Casares e o ex-superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha são apenas alguns dos dirigentes que já indicaram o interesse em ocupar a presidência do São Paulo no futuro. E até uma possível candidatura do goleiro Rogério Ceni após a aposentadoria dos gramados já tem seus entusiastas.

Nesse cenário, a saída de Leco dos holofotes também pode ser vista como um recuo estratégico em busca de um objetivo maior. Nos próximos anos ele terá a oportunidade de se aproximar de Juvenal também em assuntos “fora de campo”. E como está alinhado à filosofia de priorizar as categorias de base, é possível que chegue ao final do atual mandato com status de sucessor natural do presidente.

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Hoje no Santos, Muricy era alvo de críticas de Leco mesmo no período do tricampeonato brasileiro

Dança das cadeiras na diretoria de futebol

Além de vice presidente geral do São Paulo, Leco vai acumular no próximo triênio também o cargo de diretor de Orçamento e Controle. Mas ele não foi o único dirigente a mudar de posição dentro da nova diretoria formada por Juvenal Juvêncio para seu terceiro mandato consecutivo à frende do clube.

O antigo cargo ocupado por Leco agora será de João Paulo de Jesus Lopes, até então diretor de futebol. O novo diretor de futebol será Adalberto Baptista, principal responsável pela contratação de Luis Fabiano e que, até então, era diretor de marketing. A direção de marketing passa a ser de responsabilidade de Rogê David, ex-diretor de comunicação. E a diretoria de comunicação, para encerrar a “dança das cadeiras”, ficará a cargo de Dorival José Decoussau.

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