Em entrevista ao iG, novo xodó do Parque São Jorge comemora boa fase esquecendo da concorrência pesada

Willian posa para foto no saguão de entrada dos vestiários do CT corintiano
Bruno Winckler
Willian posa para foto no saguão de entrada dos vestiários do CT corintiano
Como artilheiro do Figueirense na Série B de 2010, Willian chegou ao Corinthians em janeiro deste ano. Sob a desconfiança comum entre os corintianos, o atacante de 24 anos não tinha no seu currículo um apelido pomposo ou uma trajetória recheada por títulos e passagens por clubes europeus, mas cinco meses depois de sua chegada, é ele que carrega o rótulo de principal artilheiro do time neste início de Brasileirão.

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Sem Ronaldo “Fenômeno”e Adriano “Imperador” como concorrentes e disputando de igual para igual com Emerson “Sheik” uma posição no ataque corintiano, Willian “Cebolinha”, apelido que ganhou no elenco por conta do seu cabelo espetado, dá as cartas neste momento no ataque do Corinthians.

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Na quinta-feira, após os treinos da tarde no CT do Parque Ecológico, Willian recebeu a reportagem do iG para uma conversa e como é de praxe em suas entrevistas manteve os pés no chão. Ele admitiu que sem Dentinho seu espaço no time aumentou e sem confundir bom humor com deboche, o novo camisa 7 do time reconheceu que falta muito para ser ídolo, status que só vai ganhar se “ganhar o título brasileiro”.

Confira a entrevista de Willian

iG: Você chegou do Figueirense sob a desconfiança natural de um jogador que nunca tinha brilhado na Série A. Ronaldo ainda estava aqui e depois chegaram Liedson e Adriano. É especial para você ser destaque em um time com tantos nomes de referência?
Willian:
Quando a gente não tem uma história, um currículo muito forte como outros jogadores aqui tem, a gente às vezes é contestado pela imprensa, pela torcida, mas isso é normal. Acham que a gente não vai dar certo, sempre vêem a gente com um pé atrás e isso é normal no futebol. Mas eu estou que nem mineirinho. Quietinho, trabalhando, sem falar demais, que nunca foi da minha índole, que foi sempre de trabalhar muito forte. Sei que eu não posso me acomodar. Tenho a cabeça muito boa, sou um cara tranquilo. Tento sempre me controlar no dia a dia. A repercussão, a visibilidade no Corinthians é muito grande então a gente sabe que não pode relaxar. Estou muito feliz pelo momento, mas confesso que não esperava um começo tão bom como está sendo.

iG: Até por não ter tido a chance de jogar na Série A antes do Corinthians, você se surpreendeu com seu rendimento que até então só tinha sido testado na Série B?
Willian:
A Série B é muito disputada, tem muita força, não tem a mesma qualidade da Série A, que não tem tanta pegada como tem na Série B. Na Série A os jogadores tem mais qualidade, então acabam se destacando mais, o que acaba sendo perigoso para todo mundo que não toma cuidado. Para quem é atacante, com mais qualidade, você pode criar mais jogadas, fazer mais gols, e claro se destacar mais. Na Série B é mais pauleira, mais firme, não tem muito espaço para você mostrar qualidade. Claro que têm times bons, mas Série A é diferente. Para mim está sendo uma experiência nova ainda mais jogando num grande clube como o Corinthians que é respeitado por todos o que facilita um pouco. Você olha para o lado e você vê jogadores que são referência, que têm muita qualidade e isso facilita seu desempenho. Eu ainda estou amadurecendo e tentando tirar o máximo dos grandes profissionais com quem eu estou trabalhando aqui.

Willian comemora o segundo gol que marcou contra o Fluminense, no último domingo. Já são sete em 20 jogos pelo Corinthians. Ele foi titular em apenas oito.
AE
Willian comemora o segundo gol que marcou contra o Fluminense, no último domingo. Já são sete em 20 jogos pelo Corinthians. Ele foi titular em apenas oito.

iG: Você acha que teve um pouco de sorte por conta de seus principais concorrentes estarem sem condições ideais neste início de Brasileiro? (Adriano se recupera de cirurgia e Emerson ainda não adquiriu a forma física ideal).
Willian:
Não é sorte. É competência minha. Eu aproveitei as oportunidades. Desde que eu cheguei aqui me dediquei muito, indiferente de estar jogando ou não, eu sempre procurei meu espaço. Com respeito a todos, eu sei da minha capacidade e o quanto eu posso render.

iG: Quando o Dentinho estava aqui, você não tinha tantas chances como titular. Melhorou para você agora?
Willian:
Com a saída do Dentinho facilitou. Queira ou não queira ele tinha uma característica parecida com a minha. Com a saída dele apareceu essa oportunidade e eu estou tentando aproveitar da melhor maneira possível. (NR. Tite bancou Dentinho até o último jogo da final do Campeonato Paulista, quando Willian vinha de uma sequência de bons jogos)

iG: Em algum momento você pensa que apesar do seu bom momento, seu currículo de antes do Corinthians pode pesar na hora que o Tite tiver todos os atacantes do elenco à disposição?
Willian:
Eu só tiro o lado positivo de ter grandes jogadores porque isso só vai nos ajudar. Eu não tenho que ficar preocupado. Quem tem que ficar preocupado é o Tite. Por um lado isso é muito importante para ele. Quem ficar no banco vai entender e quando entrar vai ajudar. Estou muito feliz pelo momento, não só pelos gols, mas pelo Corinthians que está fazendo um grande campeonato com todos jogadores se doando muito, fazendo grandes partidas. O Corinthians chega forte para brigar pelo título com esses belos jogadores.

iG: São sete gols nesse ano em 20 jogos, oito como titular. Está melhor do que a encomenda?
Willian:
Olha, a gente sabe a dificuldade que é chegar no Corinthians e como mais difícil ainda é se manter. Você tem às vezes a oportunidade de jogar dez minutos em um jogo, cinco minutos em outro e pode não dar certo. Mas eu cheguei aqui pelos meus méritos, pelo que fiz no Figueirense que me abriu as portas para o Corinthians. Mas não posso achar que porque está tudo bom vou me acomodar nessa situação. Estou muito feliz, mas a cada dia e a cada jogo espero estar crescendo mais.

iG: O Corinthians não foi campeão paulista, mas você fez gols decisivos nas quartas e na semifinal. Você esperava ser mais utilizado?
Willian:
No Campeonato Paulista fiz alguns jogos, fiquei no banco, mas sempre entrei no campo pra fazer meu melhor, ajudando os companheiros, agora já que eu tive minhas oportunidades vou continuar fazendo meu máximo, meu máximo, meu máximo sempre que estiver em campo, marcando, fazendo tudo. As coisas vêm dando certo, quero aproveitar essa sequência, manter esse ritmo de jogo que eu estou tendo para ir em busca de um sonho que é ser campeão brasileiro.

iG: O período é curto, mas você acha que já caiu nas graças da torcida?
Willian:
A gente sabe que a cobrança vai existir sempre e quanto mais você faz gols, joga bem, mais cobrado você vai ser porque o torcedor sabe que pode cobrar quando você está rendendo. Eu estou saindo na rua e estou recebendo elogios, pessoas pedem autógrafo, uma foto, isso é muito legal, mas eu sei que não teria isso se não estivesse fazendo bem o meu papel aqui. Se estiver fazendo o meu melhor eu vou poder ter esse reconhecimento. Porque é se doando que você vai chegar lá. A torcida gosta de jogador aguerrido e isso sempre fez parte do meu perfil, sempre fui esse jogador que se dedica muito. Isso que vai trazer o torcedor para o nosso lado. Sei que estou num caminho certo, o Corinthians é grande, mas não vou me acomodar. Quero virar ídolo e isso só vou conseguir se fizer gols e ganhar títulos. É esse meu sonho aqui.

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