Time titular de 2011, como há 21 anos, triunfou sem estrelas e com vitórias apertadas

O quinto título brasileiro da história do Corinthians remete ao primeiro, conquistado em 1990. Como naquele ano, o time titular que levou o título de 2011 não conta com jogadores espetaculares. Tem, contudo, um ídolo e vários coadjuvantes bons de serviço. E, como há 21 anos, o time gosta de emoção, ao vencer a maioria dos jogos pelo placar mínimo.

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Neto conduziu o Corinthians ao seu primeiro título brasileiro. Era o craque daquele time e marcou gols decisivos nas partidas que levaram à final contra o São Paulo. Desta vez, Liédson , repatriado após oito anos em Portugal e identificado com a torcida assim como Neto, foi o artilheiro do time e autor dos gols em algumas das viradas mais importantes, como diante do Flamengo, no segundo turno, e contra o Atlético-MG, nos dois turnos.

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Para Tupãzinho, autor do gol do título de 1990 no segundo jogo da final contra o São Paulo, há outra semelhança entre as duas equipes: ambas passaram por turbulências durante a campanha. Enquanto neste ano o time passou por um forte período de incertezas na metade do torneio que fizeram a crítica duvidar do poder de chegada da equipe, o time de 1990 começou mal e não dava sinais de que chegaria bem à final.

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“Foi um começo difícil. O nosso time tinha sido montado para não cair e a gente sabia que ainda faltava bastante coisa para brigar por título. Ninguém acreditava, mas fomos ganhando os jogos e chegamos. Esse time também ganhou muitos jogos na raça, de virada, no último minuto, do jeito que o corintiano gosta”, disse o ex-jogador, que hoje vive na sua cidade natal, Tupã.

Em 1990, das 12 vitórias da campanha, 11 foram pela diferença mínima, 1 a 0, 2 a 1 ou 3 a 2. Neste ano, das 20 vitórias, 16 foram assim, no limite. “É um time equilibrado, que toma poucos gols, mas que sabe fazer quando precisa. Talvez esse seja o segredo”, avalia o zagueiro Paulo André .

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O Corinthians virou seis partidas em 2011 (contra Grêmio, Vasco, Atlético-MG (2x), Flamengo e Avaí). Em 1990, tanto nas quartas de final, contra o Atlético-MG, como contra o Bahia, na semifinal, o Corinthians conseguiu vitórias de virada que foram fundamentais no Pacaembu. Na primeira delas, com Neto marcando dois gols depois dos 30 minutos do segundo tempo contra o time mineiro, o cenário foi parecido ao que foi visto no último domingo, com um gol final do jogo contra o mesmo rival .

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Fora Neto, o time titular de 1990 era composto por jogadores regulares, mas que superavam na raça e na vontade as equipes mais técnicas, que eram rivais ao título. “Mas era um time que queria muito ser campeão e que foi crescendo na hora certa. Acho que aconteceu o mesmo agora”, disse Tupâzinho.

O time que enfrentou o São Paulo na decisão não era um primor. Tinha Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano, Tupãzinho e Neto; Fabinho e Mauro.

Em 2011, reservas da campanha de 2010 foram de coadjuvantes a protagonistas, casos de Paulo André , Leandro Castán e Paulinho . Alguns já rodados, como Ralf , de 27 anos, ganharam notoriedade um pouco tarde. No ataque, Willian desbancou nomes de peso e foi o jogador da posição com mais participações na campanha. Ficou fora só de duas partidas.

“Esse time ralou e sofreu muito para chegar até aqui. Mas se for campeão é porque houve merecimento. A força desse grupo não está no individual. Como sempre disse, aqui vencem todos e todos têm parcela igual na vitória e na derrota”, disse Tite , na sexta-feira, quando perguntado sobre as qualidades da sua equipe. Mas bem que ele poderia usar as mesmas palavras para descrever o time de Nelsinho Batista em 1990.

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