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Com baixa média de público, Carioca dá prejuízo em 79% dos jogos

Apenas duas equipes tiveram lucro com bilheteria. Mesmo assim, 'pequenos' rejeitam nova fórmula

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

Gazeta Press
Estreia de Tenorio foi vista por poucos vascaínos na última quarta-feira
Eram 17 horas da segunda quarta-feira do mês de fevereiro. Nas arquibancadas, castigados pelo calor, pouco mais de 70 'corajosos' se abanavam, procuravam uma sombra e tentavam se refrescar na 'sauna' comum no município de Mesquita, cidade da baixada Fluminense. O sorveteiro, desiludido com a falta de clientes, passou então a distribuir, meio a contragosto, os picolés durante o segundo tempo. Sem fregueses, o produto já começava a estragar.

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A cena descrita acima não aconteceu em uma partida de várzea ou durante uma pelada beneficente. O palpitante duelo, que teve público pagante de exatas 10 pessoas, era válido pela 5ª rodada da Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca, entre Bonsucesso e Macaé. Apesar de triste, a situação é rotineira no estadual do Rio de Janeiro. Dos 16 clubes na disputa, apenas dois tiveram lucro com bilheteria na primeira metade do campeonato: Fluminense e Vasco.

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Com públicos mínimos, os times pequenos são os que mais sofrem com arrecadações insignificantes. Das 62 partidas da Taça Guanabara, 49 tiveram saldo negativo na arrecadação. Na maioria dos jogos sem um dos quatro grandes, o prejuízo é certo, como revela o presidente do Madureira, Elias Duba.

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“O jogo em si, você paga para jogar. As despesas de uma partida são muito altas e quando o jogo é entre pequenos, o prejuízo é certo, quase sempre maior que R$ 10 mil. O Fluminense reclama que teve um lucro pequeno nos jogos. E o Madureira? A gente não teve receita de jogo, teve prejuízo”, lamenta o dirigente, que vê taxas muito altas cobradas pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) como um dos motivos pela asfixia financeira.

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“Acho que é possível diminuir um pouco os gastos. O presidente deve observar isso quando voltar, porque esse ano ficou evidente que está um pouco demais. As taxas estão pesadas nos jogos que temos. Estou com dificuldades, e o Madureira ainda é um dos clubes mais estruturados. Imagina os outros”, destacou.

Mudança de fórmula
No início da semana, em entrevista ao jornal “O Globo”, o presidente Peter Siemsen fez críticas ao modelo do estadual e pediu a diminuição do número de participantes para 12, ao invés dos 16 atuais. Mesmo com o saldo negativo com as bilheterias dos jogos, a redução não agrada os presidentes dos clubes pequenos. E por um motivo simples: as cotas pagas pela televisão.

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“Existe o prejuízo com os jogos, mas é preciso colocar nessa conta o valor pago pelos direitos de transmissão da televisão. Hoje é nossa maior fonte de arrecadação”, diz o presidente do Bangu, Jorge Varela. A visão também é compartilhada pelo cartola do Madureira.

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Partida entre Fluminense e Resende teve apenas 659 pagantes

“O formato com 16 clubes foi criado para salvar os grandes, pois quando eram 12 times, nenhuma semifinal reuniu os quatro grandes. Vinham de pré-temporada, levavam uma cacetada ou duas e estavam fora. Tanto é verdade, que se fossem 12 clubes, Fluminense e Flamengo não teriam se classificado na última rodada este ano. O que acresce no campeonato são duas rodadas, não é muito”, defende Duba.

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Já para os quatro grandes, a solução passa pela redução de clubes. O presidente do Fluminense revelou conversas para pleitear a alteração. “Precisamos de um número menor de participantes, isso forçaria até os clubes pequenos a se reforçarem mais. Iria gerar mais receita do pay-perview. Atualmente os jogos só tem gerado prejuízo. Isso deixa claro que a fórmula não está funcionando”, disse Siemsen.

Motivo da decadência
Partidas em dias de semana às 17h, baixo nível técnico, ingressos caros e jogos sem apelo. Vários pontos ajudam a entender a baixa média de público do Campeonato Carioca. Até mesmo a concorrência de outros torneios. Para o presidente do Bangu, o fato de três clubes do estado estarem disputando a Copa Libertadores, colabora para a pior média de público dos últimos cinco anos.

AE
Joel Santana comanda o Flamengo com Engenhão vazio ao fundo
“Acredito que um dos motivos dessa média de público mais baixa está na Copa Libertadores. Com três clubes do Rio de Janeiro na competição, a prioridade dos torcedores muda para ela. Acho que é um dos motivos, junto com outros ingredientes”, analisa Varela.

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Porém, a mudança no formato ou críticas contra o torneio assustam os presidentes dos times pequenos. Muitos dos que foram procurados pelo iG, revelaram medo de falar sobre o tema e optaram pelo silêncio.

“Com certeza se mudarem para 12 times, vão matar alguns clubes que atualmente já estão em situações complicadas, vão ter que fechar as portas. Olaria, Bonsucesso, Madureira, clubes fundadores do futebol no Rio de Janeiro, não podem ser responsabilizados”, encerrou o presidente do Madureira.

A reportagem do iG tentou ouvir a Federação de Futebol do Rio de Janeiro, mas não recebeu nenhuma resposta para os questionamentos até o fechamento da matéria.

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