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Clubes do Rio prometem negociar TV sozinhos, mas não deixam o C13

Quarteto cria grupo para cuidar dos direitos de transmissão, o que fere estatuto do Clube dos 13

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro* |

Os presidentes dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense, anunciaram nesta quinta-feira que negociarão de forma independente os direitos de transmissão das competições que participam. Porém, ressaltaram que, por ora, não estão se desligando do Clube dos 13. Essa situação gera um problema: pelo estatuto do C13, a entidade é a responsável pela negociação dos direitos de transmissão de seus filiados. Portanto, enquanto os clubes do Rio continuarem filiados a entidade poderá negociar em nome deles.

Os clubes anunciaram a formação de duas equipes, uma jurídica e uma comercial, para analisar e negociar diretamente com as emissoras os contratos de transmissão. Foi decidido que a questão do rateio será medida por questões técnicas de mercado. “Não é uma ruptura, como foi no caso do Corinthians, mas estamos desautorizando o Clube dos 13 a falar em nome dos clubes”, afirmou o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção. Sobre o estatuto, o botafoguense disse que o jurídico deu o OK para a negociação sem o C13 e que "a constituição está acima do estatuto da entidade".

“Nenhum de nós aqui presentes temos absolutamente nada contra o Fábio Koff, ele é o presidente de uma associação da qual ainda fazemos parte. O que nenhum de nós concorda é com a forma com que essa negociação estava sendo feita e tratada”, continuou Assumpção. O Corinthians anunciou na quarta-feira que vai se desligar do Clube dos 13.

No texto do comunicado, os clubes do Rio alegam que o Clube dos 13 vem deixando de exercer a função para a qual foi criado. “O Clube dos 13, de tempos para cá, deixou de desempenhar de modo sistemático o papel que motivou a sua criação: o de representar ativamente os seus associados em todas as esferas da administração pública brasileira e, notadamente, perante os organismos responsáveis pela gestão do futebol no Brasil e no continente”.

Vicente Seda
Roberto Dinamite, Maurício Assumpção, Patrícia Amorim e Peter Siemsen em entrevista coletiva no Rio de Janeiro

Dívidas
Sobre a questão das dívidas com a entidade, o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, foi incisivo e disse ter entendido como ameaça as declarações de Koff na quarta-feira.  O Clube dos 13 informou que os times do Rio devem R$ 60 milhões à entidade. A maior parte da dívida é feita com empréstimos bancários que o C13 atua como avalista.

“Não foi um passo político, foi um passo comercial. Todo o trabalho será feito com base em valor de mercado. Se estivéssemos fazendo política, estaríamos fazendo ameaça. Se é essa avaliação de que os clubes têm dívida com Clube dos 13 e isso limita a nossa independência, entendo como uma ameaça. É uma associação que pertence aos clubes, tem de estar preocupada com os clubes e não ficar questionando se estamos tomando uma decisão diferente da comissão interna que estava conduzindo o negócio. Não vamos aceitar esse negócio de ‘pegou dinheiro aqui, então tem de seguir como um cordeirinho’”.

Assumpção completou: "Em relação às dívidas, que obviamente temos, o Clube dos 13 não é instituição financeira. Não me parece que tenhamos aqui a relação com a entidade nesse âmbito. O que pode acontecer, e acontece, é que eles recebem e repassam aos clubes. Esse tipo de argumento não nos deixa preocupado. As dívidas existem, estão sendo honradas, e quem tem de receber está recebendo".

nullIndagado sobre possíveis problemas na assinatura de contrato com uma emissora diferente da escolhida pelos demais clubes que negociam através do Clube dos 13, Assumpção explicou: “Nesse caso, as emissoras A e B terão de conversar. O único problema é que uma deve ter placas diferentes, mas é questão de sentarem e conversarem. Hoje as pessoas falam assim: “É uma grande besteira, estão se enfraquecendo”. Muito pelo contrário, estamos fortalecidos e bastante fortalecidos. Essas torcidas fazem a diferença nesse país”.

Siemsen, reconheceu, contudo, que não há possibilidade de os clubes ficarem sem transmissão de jogos. “Duas emissoras transmitindo o mesmo jogo, sem acordo, não pode. Como temos compromissos, salários de jogadores, viagens, tudo isso está sendo considerado. Não há possibilidade de os clubes ficarem sem televisão o ano inteiro. Então é claro que terá um acordo. Temos certeza que chegaremos a um denominador comum”.

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, disse estar satisfeita com a relação entre os clubes e afirmou que, ao contrário do Corinthians, que rompeu com o Clube dos 13 para negociar sozinho o seu contrato, não interessa ao clube da Gávea este tipo de medida. “Para o Flamengo é muito fácil negociar sozinho, já fomos até chamados de trem pagador, o que é relativo. Mas isso não interessa. A essência da criação do C13 foi justamente os clubes procurarem juntos um melhor formato para o campeonato, para a transmissão, então não há um interesse de se distanciar e romper com o Clube dos 13, mas de manter essa essência preservada. O Rio consegue perceber que, ainda que com suas diferenças, o coletivo precisa prevalecer. Essa é a tônica dos nossos encontros”.

O vascaíno Roberto Dinamite, por sua vez, afirmou que a audiência da emissora terá influência na decisão dos clubes para a assinatura do novo contrato, visto que é uma grande preocupação dos parceiros comerciais de cada instituição. “Esse é um dos pontos tão importantes quanto a parte financeira, visibilidade. É uma garantia de uma negociação com a marca sendo colocada de uma forma correta”.

Assumpção negou que o Botafogo tenha assinado concordando com o modelo de licitação para a concorrência dos direitos de transmissão. O clube do Rio fazia parte da comissão que elaborou o modelo adotado , que é a principal crítica dos clubes dissidentes.

*Colaboração de Marcel Rizzo

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