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Celso Barros não descarta rompimento da Unimed com o Fluminense

Empresário se esforça para amenizar clima, mas cita "ingratidão" ao se referir a aliados do atual presidente

Marcello Pires, iG Rio de Janeiro |

Gazeta Press
O presidente da Unimed, Celso Barros, beija Washington ao entregar homenagem do Fluminense
Celso Barros é considerado o mecenas das Laranjeiras. Presidente da Unimed, patrocinadora do Fluminense desde a participação na Série C do Brasileirão, em 1999, o empresário tem participação direta na contratação de jogadores e de técnicos. Além de ser figura influente na política do clube.

Após 12 anos de parceria, cresce a suspeita de que o "casamento" chega ao fim este ano, abalado pelas recentes turbulências. Embora diga não desejar tal rompimento, Celso Barros admite que o acordo pode terminar se não houver consenso com a diretoria do clube. E deixa escapar que tem, sim, problemas com a gestão do presidente Peter Siemsen, que assumiu este ano.

Confira abaixo a íntegra da entrevista.

iG: O contrato de patrocínio da Unimed-Rio com o Fluminense pode não ser renovado este ano?
Celso Barros: Não temos essa intenção, mas pode acontecer, assim como poderia ter acontecido nos anos anteriores, e não aconteceu. Tudo depende da negociação que for estabelecida entre clube e patrocinadora e do interesse de ambas na eventual renovação.

iG: Algumas pessoas dizem que a relação do senhor com o presidente Peter Siemsen esfriou bastante...
Celso Barros: Conheço o Peter há anos, apoiei sua candidatura e sei que ele está se esforçando para acertar um clube que é problemático. Algumas vezes temos pontos de vista diferentes, o que precisa ser entendido no contexto de uma relação entre organizações que mantém vínculos significativos e importantes para ambas. Neste momento, estamos, tanto ele quanto eu, lutando para superar algumas controvérsias e continuar uma parceria que já dura quase 13 anos e é das mais bem sucedidas na história do futebol brasileiro.

iG: As interferências da "FluSócio", chapa que ajudou o presidente Peter Siemsen a se eleger, o incomodam?
Celso Barros: Compreendo que o clube vive num contexto de mudança, no qual é natural que os grupos políticos se manifestem, ou exerçam seu poder de influência de uma maneira ou de outra. Eu particularmente não sou ligado a nenhum deles, mas defendo o direito deles se manifestarem, independentemente de eu gostar ou não da forma como fazem isso. O que incomoda é a ingratidão, a manipulação, mas isso também faz parte desse universo.

iG: É verdade que o senhor se irritou ao ser questionado por associados da rede de plano de saúde sobre sua relação com o Fluminense?
Celso Barros: Não, não é verdade. A Unimed-Rio realiza todo ano uma Assembléia Geral Ordinária com os médicos cooperados, destinada à prestação de contas aos sócios. Entre os vários assuntos destacados, discute-se os investimentos da empresa, inclusive em marketing esportivo. Na assembléia deste ano, como de praxe, esse assunto esteve na pauta, foi tratado e as contas relativas ao exercício de 2010 aprovadas por unanimidade.

iG: De que maneira o senhor tentou intervir no pedido de demissão do técnico Muricy Ramalho?
Celso Barros: Fui procurado pelo empresário do Muricy (Márcio Rivellino) alguns dias antes dele anunciar sua decisão. Tentei demovê-lo da idéia. Mas ele tinha razões de foro íntimo para deixar o clube, conforme explicou posteriormente, e eu, pessoalmente, não tenho porque questioná-las. Agradeço a ele por ter nos ajudado a chegar ao título brasileiro depois de 26 anos, e acho que o momento agora é outro. O episódio Muricy deve ser superado.

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Deco (à frente) e Fred treinam na praia: reforços chegaram com a ajuda do influente Celso Barros


iG: Alguns associados dizem que o Fluminense não pode ser refém da Unimed...
Celso Barros: Sempre falei que gostaria muito de ver o Fluminense sobrevivendo de suas receitas normais, e não só do patrocínio. Acho importante que isso aconteça, e não acho, sinceramente, que o fato de ainda não ser possível coloque o clube na condição de refém da Unimed-Rio. Somos parceiros há quase 13 anos, construímos uma história juntos, e espero em breve ter a alegria de ver o clube auto-suficiente financeira e economicamente.

iG: O senhor já interferiu na escalação do time alguma vez?
Celso Barros: Nunca escalei ninguém, mas sempre que digo isso muita gente duvida. Basta perguntar aos técnicos que passaram pelo clube. Alguns deles, inclusive, se manifestaram a respeito disso recentemente, como o Cuca, o Muricy, o Renato Gaúcho. Pessoas civilizadas conversam, trocam ideias, e isso sim, eu sempre fiz e farei em todos os meus campos de atividade.

iG: É verdade que o senhor já pediu ao departamento jurídico da Unimed que faça um levantamento do prejuízo que será causado caso opte em não renovar o patrocínio com o Fluminense, já que grande parte do elenco atual está ligado à empresa?
Celso Barros: Não estamos pensando em não renovar o contrato de patrocínio, mas sou dirigente de uma empresa que tem negócios com muitos parceiros, e o Fluminense é um deles. Como em qualquer negócio, precisamos ter controle sobre todas as possibilidades que ele representa, e isso ocorre também em relação ao investimento realizado no clube.

iG: O "Banana Golf" será mesmo o local do Centro de Treinamento do Fluminense? O clube vai comprar ou alugar o terreno?
Celso Barros: Não tenho essa informação, até porque essa é uma decisão do clube. Por isso, não sei como ocorreria uma situação dessa.

iG: Como andam as obras de Xerém?
Celso Barros: Essa também é uma atribuição da diretoria do clube, não da Unimed-Rio. Não temos ingerência ou conhecimento do que se passa em Xerém.

iG: Qual o balanço desses 12 anos de parceria? Valeu a pena?
Celso Barros: Claro que valeu a pena. E digo isso tanto como executivo de uma organização que acompanhou o crescimento do clube da Terceira Divisão para o Campeonato Brasileiro de 2010, depois de 26 anos, mas também como torcedor. Ver o resgate da paixão do torcedor, poder ter contribuído financeiramente para que o clube pudesse montar times competitivos e trazer títulos importantes para casa são conquistas fundamentais para o Fluminense, mas também para a marca Unimed, cujo vínculo com o esporte é natural.

iG: Todos sabem o seu amor pelo Fluminense. O torcedor tricolor pode apostar numa candidatura de Celso Barros nas próximas eleições do clube?
Celso Barros: Não me passa pela cabeça ser presidente do Fluminense.
 

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