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Futebol
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Cavalieri: ¿O Marcos é raridade. Sou suspeito para falar dele¿

Goleiro agradece ao Fluminense, admite que é cedo para pensar em Seleção e diz que sempre se inspirou em Marcos.

Marcello Pires, enviado iG a Mangaratiba |

Faz tempo que Diego Cavalieri não entra em campo, mas a aposta na contratação do goleiro foi feita por ninguém menos do que Muricy Ramalho. Depois de brilhar no Palmeiras ao substituir Marcos, o novo camisa 1 do Fluminense viveu dois anos e meio no ostracismo entre o banco de reservas do Liverpool (ING) e do Cesena (ITA). Ao todo, foram apenas dez jogos, poucas amizades e muita saudade do Brasil.

Arrependimento? Nem pensar. Para Diego Cavalieri, a experiência de vida adquirida por meio de duas novas culturas minimiza qualquer frustração em não poder fazer aquilo que mais gosta. De volta ao Brasil, o goleiro quer deixar o passado para trás e pensar apenas em se firmar no gol do Fluminense pelos próximos três anos.

Pé no chão, Diego reconhece que é muito cedo para seguir os passos do ídolo Marcos e pensar em Seleção Brasileira. Fã incondicional do capitão do Palmeiras, Diego revela que se inspirou no amigo, que jamais imaginou enfrentá-lo e que é suspeito para falar do goleiro pentacampeão mundial em 2002.

Palmeirense quando criança, Diego fala com saudade do pai falecido em 2009, mas se orgulha de ter realizado seu sonho e afirma nunca tê-lo visto tão feliz no dia em que conquistou o título paulista de 2008 com a camisa do Palmeiras.

Gazeta Press
DIego Cavalieri observa o ídolo Marcos, nos tempos de Palmeiras

Confira abaixo a íntegra da entrevista exclusiva de Diego Cavalieri ao Portal iG durante a pré-temporada do Fluminense, em Mangaratiba. 

iG: Como você está encarando essa oportunidade no Fluminense depois de uma passagem não tão bem sucedida na Europa?
Diego Cavalieri: Fiquei feliz pelo convite. Foram dois anos fora e não foi o que eu esperava. Eu esperava jogar, mas foi uma experiência muito boa de vida. Tanto pessoal, como profissional. Mas agora estou voltando e quero aproveitar essa oportunidade que o Fluminense está me dando. Quero me dedicar intensamente aos treinamentos para poder mostrar que eu tenho condições de jogar.

iG: O Fluminense sempre teve grandes goleiros, mas desde o Paulo Victor que nenhum jogador se destacou nessa posição. Você espera recuperar essa tradição?
Diego Cavalieri: Todo jogador quando faz um contrato com um clube ele analisa os prós e contras do projeto. E como eu falei na minha apresentação, o Fluminense tem um elenco muito bom, um treinador fantástico, um projeto maravilhoso e um ambiente sensacional.

iG: O que você espera da concorrência com o Ricardo Berna que terminou o ano de 2010 em alta?
Diego Cavalieri: O Berna fez uma excelente temporada em 2010, mas eu vim consciente de todos os desafios que terei na temporada. Cada um vai se dedicar e fazer o melhor dentro de campo sem nenhum problema. A concorrência vai sempre existir, ela é boa para nós, para o treinador e para o clube. Mas será uma briga sadia e sem sacanagem.

iG: Como era sua rotina no Liverpool. Você achou que iria jogar?
Diego Cavalieri: Foi muito complicado no início. Muda tudo. O jeito de atuar, língua, clima, hábitos, comida, tudo. Eu não falava nada de inglês e isso já era um fator que me atrapalhava demais, porque eu não entendia nada, não conseguia conversar com ninguém. O treinamento era totalmente diferente do que eu fazia no Palmeiras e o treinador de goleiros me corrigia e dizia que não era daquela forma. É complicado porque você passa a vida inteira fazendo uma coisa e de repente você tem que mudar todos seus hábitos. Aos poucos você vê que o futebol ali é outro. O jeito de atuar é diferente e você precisa entender que tem de se adaptar o mais rápido possível. Mas o treinador de goleiros teve muita paciência e depois de quatro ou cinco meses eu já estava adaptado.

iG: Você sempre se refere ao Marcos nas entrevistas. O que ele representa para você?
Diego Cavalieri: Esse cara é raridade. Sou até suspeito para falar. É um cara que admiro muito como profissional, mas principalmente como homem. É um exemplo a ser seguido. Não só porque ele me ajudou, até porque ele ajuda todo mundo. Dava as luvas dele para gente quando éramos moleques da base. Ele nos levava para comer e brigava com os dirigentes do clube para nos dar aumento. É um cara que tem um coração enorme, fantástico. Tudo que ele conseguiu foi por mérito dele e por ser essa pessoa maravilhosa. É uma pena que no futebol essas pessoas tenham que parar porque a idade bate. Mas ele é um cara que deveria jogar eternamente porque no dia que ele não está ali você logo sente falta. Eu brinco com ele que ele deu sorte de não ter ido para o Arsenal, porque ele não iria agüentar (risos). É um cara que está sempre alegre. Ele é um exemplo a ser seguido dentro e fora de campo.

iG: O que ele tem de tão especial?
Diego Cavalieri: Acho que ele é sincero demais e isso cria problema para ele mesmo. Mas ele é assim, fala o que ele pensa e quando ele fala alguma coisa errada assume todas as conseqüências. É um cara de caráter, íntegro, limpo e acho que é por isso que todo mundo gosta dele. É simples, nunca usa o nome dele para cobrar ou exigir nada. Um cara humilde por tudo que ele representa.

iG: Ele é famoso por contar histórias engraçadas, você lembra de alguma?
Diego Cavalieri: Ele sempre conta dos outros e as pessoas sofrem na mão dele (risos). Ele conversa bastante, conta piada no vestiário. O que ele me ajudou muito foi no fato de eu ter feito minha cirurgia no punho. Eu reclamava de dor, o tempo foi passando e as pessoas falavam que era normal, que eu só tinha caído e batido de mau jeito. A gente estava sempre conversando e ele me perguntou como é que doía. E quando eu falei, ele disse que a lesão era igual a dele e que seria melhor eu operar. Era uma dor que no começo não me incomodava tanto, mas com o tempo ela foi piorando e chegou a um ponto que eu não agüentava mais treinar. Foi quando ele me alertou e a gente constatou que era precisa fazer uma intervenção cirúrgica.

iG: Ele foi o goleiro que serviu de inspiração para sua carreira?
Diego Cavalieri: Quando eu era moleque, eu gostava muito do Taffarel. Admirava a simplicidade dele e era um goleiro que estava sempre bem posicionado. Era um cara que eu gostava muito. Mas no dia a dia, eu nunca vi um goleiro fazer tantos milagres e defesas incríveis como o Marcão. Ele era fantástico nos treinos. É um cara que nasceu com um dom para fazer o que ele faz. Eu me espelhei muito nele.

iG: Você esperava se destacar tão rapidamente assim quando substituiu o Marcos?
Diego Cavalieri: Eu trabalhei intensamente esperando aquela oportunidade e quando ela chegou, eu consegui me sair bem. Mas eu nunca imaginava ter essa projeção tão grande num curto espaço de tempo. Eu esperava ir progredimento e aos poucos conquistando meu espaço, mas não da maneira que foi. Ele me deu muita força e se tivesse que ficar no banco, ele ficava e não reclamava de nada, não exigia nada por tudo que ele conquistou. É um cara extremamente correto e profissional.

iG: Com a vinda para o Fluminense você acredita que pode chegar à Seleção?
Diego Cavalieri: Meu primeiro objetivo é me adaptar aqui o mais rápido possível, procurar meu espaço e se eu estiver jogando e tudo correndo bem ai sim pensar em Seleção. Mas meu foco hoje é me entregar cem por cento nos treinamentos e poder ajudar o grupo e dar minha contribuição para o Fluminense. Tudo é consequência de um trabalho e uma hora a gente vai colher os frutos.

iG: Como essa vida cigana principalmente para a família do jogador?
Diego Cavalieri: Eu ainda não tenho filho, mas minha esposa está grávida de dois meses. Estamos muito contentes com essa notícia e ele vai nascer no Rio, vai ser carioca. Quando você não tem filho fica mais fácil. Mas eu conversei com alguns colegas e quando se têm filhos a coisa complica. Se para gente já é complicado ficar mudando, imagina para as crianças. Mas, enfim, não é fácil, pois quando você está se adaptando e se acostumando com o lugar e os hábitos, tem aquela coisa de fazer mudança, procurar casa, arrumar tudo de novo.

iG: Por falar em mudanças, por que as coisas não deram certo na Itália?
Diego Cavalieri: Foi uma opção que eu tinha para ir para jogar. O treinador conversou comigo, disse que eu era uma peça importante no grupo e que eu tinha que ficar porque eu iria jogar. Mas fiz apenas uma partida e não concordava porque para ser reserva eu preferia voltar para o Liverpool, que a estrutura era muito melhor.

iG: Você jogou apenas dez partidas nos dois últimos anos. A falta de ritmo de jogo atrapalha muito a vida o goleiro?
Diego Cavalieri: Atrapalha. Você pode ficar o dia todo treinando, mas na hora do jogo é tudo diferente. Mas nada que te atrapalhe tanto. Apenas alguns detalhes como saída de gol, tempo de bola, cobertura da zaga. Mas são coisas que em dois, três jogos você se encontra e já se readapta bem.

iG: Você já falou com o Marcos depois que acertou com o Fluminense?
Diego Cavalieri: Eu tentei falar nas férias, mas o rádio dele estava desligado.

iG: Como vai ser ter que enfrentá-lo?
Diego Cavalieri: Eu não sei como vai ser. Só na hora vai dar para dizer qual vai ser a sensação. Mas nunca imaginei que esse dia pudesse chegar, pois nós treinamos juntos por dez anos direto. Foi um convívio muito bom, as vezes bate uma saudade de conversar com ele.

iG: Você sempre jogou no Palmeiras?
Diego Cavalieri: Sim, comecei com 12 e depois fiquei até sair do Liverpool. Mas o futebol é dinâmico, muito complicado. Eu achava que passaria o resto da vida ali, mas o futebol muda muito rápido. A proposta da Inglaterra apareceu num sábado e na outra sexta eu já estava viajando.

iG: Você torcia para o Palmeiras quando era garoto?
Diego Cavalieri: Sim, meu pai era palmeirense doente. Foi um sonho poder começar a jogar no meu clube de coração. Para o meu pai, então, foi uma experiência fantástica. Ele era fanático pelo Palmeiras e teve a chance de me ver jogar pelo time do coração e conquistar o Paulista de 2008. Eu acho que nunca vi meu pai tão contente como naquele dia. Em 2009 ele infelizmente faleceu, mas eu acho que consegui dar o melhor presente da vida dele.

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