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“Causos do Magrão” marcam velório e enterro de Sócrates

Ex-jogador levava broncas do pai, ficou revoltado por não ganhar um Motorádio e até teve que pagar pra jogar

Francisco De Laurentiis, especial para o iG em Ribeirão Preto-SP |

Sócrates , definitivamente, não foi um jogador comum. Formado em medicina por uma das melhores universidades do país, ele conduziu os estudos e a carreira de jogador ao mesmo tempo. O “Doutor” também ficou marcado pelas opiniões fortes e pelas atitudes inesperadas, o que o tornou um líder das equipes pelas quais passou durante a carreira. Durante seu enterro, na tarde de domingo, em Ribeirão Preto, os amigos presentes recordaram diversos “causos do Magrão”, como o camisa 8 era conhecido.

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Ricardo Christiano Ribeiro, ex-presidente do Botafogo de Ribeirão, clube no qual Sócrates iniciou a carreira, lembrou-se de quando o estudante de medicina estava dando seus primeiros passos na equipe do interior paulista, sempre acompanhado de seu pai, Raimundo de Oliveira. “Ele ficava gritando ‘Ô oito (camisa de Sócrates), sai da sombra’, porque o Sócrates ia na sombra pra descansar. Ele era muito fraco e não aguentava o jogo inteiro. O pai dele era muito crítico, mas sempre torceu muito pelo ‘Magrão’”, recorda.

Francisco De Laurentiis
Amigos e familiares na despedida a Sócrates

Uma roda de amigos também lembrava de quando o jovem Sócrates teve que pagar para jogar pelo Botafogo contra o Corinthians. Era 29 de maio de 1975, e Sócrates saiu direto da faculdade para jogar em São Paulo, separado da delegação. Faltando 20 minutos para a partida começar, chegou de táxi ao Pacaembu e, como não sabia onde ficava o vestiário dos visitantes, comprou um ingresso e atravessou toda a torcida do Corinthians até chegar embaixo do Tobogã. O segurança quase não deixou o sujeito magrelo, descabelado e todo de branco (havia saído do hospital da faculdade) entrar, mas Sócrates conseguiu passar, se vestir rapidamente e foi para o jogo. Ele até marcou um gol, mas o Botafogo perdeu por 4 a 1.

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Outra roda, essa formada por antigos presidentes, conselheiros e dirigentes do Botafogo, conseguiram esquecer um pouco da tristeza quando veio à tona uma história ocorrida em 13 de junho de 1976. Nesse dia, o time de Ribeirão Preto anotou sua maior goleada na história do Paulistão: 10 a 0 em cima da Portuguesa Santista. Sócrates marcou sete gols, mas quem ganhou o Motorádio (prêmio dado pela TV Tupi ao melhor jogador em campo) foi o ponta esquerda Alfredo. Segundo relatos, o “Doutor” reclamou bastante: “Se nem fazendo sete eu ganho (o Motorádio), vou ganhar quando?”, teria dito o meia ao final do jogo.

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Um torcedor também guardava um “causo do Magrão”. Munido de uma camisa original do Botafogo, Renato de Almeida mostrava com orgulho a peça de 1976. A relíquia, autografada por Sócrates, tinha o número 8 às costas. “Meu pai dava aula pros irmãos dele. Aí um dia ele chegou pra mim e perguntou o que eu queria de aniversário. Falei: ‘Uma camisa do Sócrates’. Meu pai conversou com a turma e o Sócrates foi de Fusca levar a camisa na minha casa. Lembro disso até hoje. Ele era demais”, sorriu.

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