Asiáticos teriam proposto ajudar futebol do país, que enfrenta problemas financeiros, em troca de voto

Um documento vazado ao jornal "The Sunday Times", neste domingo, aponta que o Catar teria garantido o voto da Argentina para a candidatura do país asiático à Copa do Mundo de 2022 com a promessa de ajudar os clubes argentinos que passam por dificuldades financeiras.

O documento mostra que, segundo o jornal, a equipe que defendeu a candidatura catariana propôs, assim, "fortalecer" a posição do presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA) e do vice-presidente da Fifa, Julio Grondona, em seu próprio país.

Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino
Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino
Segundo o "The Sunday Times", o documento em questão foi preparado pelo escritório belga da Burson-Marsteller, empresa de relações públicas contratada pelo Catar para impulsionar sua candidatura. Nele se descrevia a crise econômica que atingia a primeira divisão do futebol argentino em 2009 e se explicava que a federação, liderada por Grondona, era considerada publicamente como a culpada pelos problemas.

"Grondona foi alvo de manifestações dos torcedores em frente a seu escritório nesta semana. Fontes próximas à Fazenda argentina dizem que os clubes devem ao Governo US$ 78,43 milhões", dizia o documento.

O texto sugeria inclusive que a emissora de televisão catariana "Al Jazeera" ajudasse Grondona. A proposta seria de que a seção de esportes da "Al Jazeera" pudesse fazer um acordo com a AFA sobre os direitos de transmissão na Argentina.

"Caso se veja que (Grondona) chegou a uma solução com a emissora, pode sair fortalecido. A federação catariana deve continuar pesquisando as possibilidades de ajudar os clubes a pagar suas dívidas", acrescenta o texto.

Em reação ao vazamento desse documento, um porta-voz da organização catariana da Copa do Mundo de 2022 explicou que se tratava de apenas um de muitos documentos preparados pelo comitê do Catar ou por assessores, e que nenhuma das propostas nele contidas chegou a ser colocada em prática.

O jornal destaca que Grondona, que preside o comitê de finanças da Fifa, revelou na semana passada que tinha votado pelo Catar, e não pelos Estados Unidos, porque "votar nos EUA seria como fazê-lo à Grã-Bretanha", referindo-se aos atritos diplomáticos entre Argentina e Reino Unido relacionados à soberania das Ilhas Malvinas.

"A respeito da candidatura britânica (para a Copa de 2018), eu lhes disse: 'Sejamos breves. Se devolverem as Malvinas, que nos pertencem, terão meu voto", acrescentou o dirigente argentino.

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