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Futebol
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Carrasco do Brasil em 98, Emmanuel Petit hoje é parceiro da CBF

Ex-jogador francês, que marcou um gol na final da Copa, é sócio-fundador da Kentaro, empresa que negocia os amistosos da seleção

Paulo Passos, enviado iG a Paris |

Ao ouvir a pergunta, Emmanuel Petit dá uma gargalhada simpática e brinca: “Do jeito que você fala, eu devo ser visto como um homem mau, um assassino no Brasil”. A questão feita ao ex-jogador francês e hoje empresário foi como ele se sente em ser parceiro da seleção brasileira que ele ajudou a derrubar em campo em 1998?

“É uma honra trabalhar com esse time que é referência no futebol. Desenvolvemos muitos projetos com a seleção brasileira, todos bem sucedidos”, responde em entrevista ao iG o sócio-fundador da Kentaro, empresa de marketing esportivo que desde 2006 negocia os amistosos da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Getty Images
Petit marca o terceiro gol da França contra a seleção brasileira, em Saint Denis, na final de 1998
Em 1998, o mesmo Petit estava em campo na derrota da seleção brasileira para a França, na final da Copa do Mundo. Mais: o ex-jogador cruzou para Zidane fazer o primeiro gol e marcou o terceiro na vitória francesa.

“O que lembro daquele jogo? Foi um sonho. É algo indescritível. Foi um filme que nós vivemos, parecia até que não era real”, recorda o ex-meia, que estará no Stade de France para ver o amistoso entre Brasil e França na próxima quarta-feira. O jogo foi organizado pela sua empresa, que trabalha também com as seleções da Argentina, Inglaterra e Alemanha, entre outras.

Uma das primeiras ações da Kentaro com a CBF foi a organização da preparação da seleção para a Copa de 2006. Em Weggis, o Brasil treinou com público de até cinco mil pessoas, que pagavam ingressos. Considerado um case do sucesso pela empresa, a preparação é apontada até pelo então técnico da equipe, Carlos Alberto Parreira, como uma das causas da queda da seleção no Mundial da Alemanha.

"Anti-Zidane"
Na época de jogador, Emmanuel Petit tinha fama de polêmico. Baladeiro assumido, enfrentou a rivalidade londrina ao trocar o Arsenal pelo Chelsea. Nenhuma atitude ou declaração durante a carreira repercutiu tanto como uma opinião dada pelo ex-jogador em 2008, três anos após abandonar os gramados.

Nada mais polêmico na França do que criticar o mito Zinedine Zidane. Foi justamente isso que fez Petit em sua autobiografia “A Fleur de Peau” (À flor da pele, em português).

“Quando os subúrbios de Paris estavam pegando fogo, meu amigo Thuram protestava contra isso. Zidane não. Acho que ele tem uma relação muito estreita com as grandes empresas e não se preocupa com sua gente”, escreveu o ex-jogador.

“Nunca mais quero vê-lo”, respondeu Zidane em uma entrevista após o lançamento do livro. “Ele é algo muito grande na França e é muito difícil criticá-lo, mas escrevi o que penso”, diz Petit, que lembra que, durante o Mundial de 98, as diferenças entre os jogadores foram esquecidas.

“Futebol é como uma empresa. Você não precisa amar a pessoa que está ao seu lado para trabalhar com ela. O que você precisa é ser profissional. Assim, tudo deu certo”, diz.

Getty Images
Parceiros em 1998, Zidane e Petit não se falam atualmente
Confira a entrevista de Emmanuel Petit:

iG: Como é, para um homem que foi carrasco da seleção brasileira, ser hoje parceiro da CBF?
Petit: Do jeito que você fala, eu devo ser visto como um “homem mau”, um assassino no Brasil (risos). Na verdade, a seleção brasileira é uma das nossas primeiras parceiras. É uma honra trabalhar com esse time que é referência no futebol. Desenvolvemos muitos projetos com a seleção brasileira, todos bem sucedidos. Agora, claro que eu tenho boas lembranças do Brasil. Nas últimas décadas, a França se deu bem contra vocês. Estive em 1998 e foi muito bom.

iG: Em alguma reunião com a CBF alguém fez algum comentário sobre 1998?
Petit: Acho que não. Não que eu me lembre. Eu participei de poucas reuniões. Na verdade, por ser um ex-jogador, ter um nome conhecido no mundo do futebol, eu faço mais a parte de buscar novos clientes. Isso é importante no meio, o fato de ser uma figura conhecida. Com os brasileiros tive uma reunião ou outra, mas ninguém lembrou daquele jogo, não. Ainda bem....(risos)

iG: Apesar de sua empresa ser parceira da seleção brasileira, você torceu para a Holanda na última Copa do Mundo. Há um vídeo no youtube onde você comemora a derrota do Brasil durante a transmissão do jogo em uma TV francesa..
Petit: Como vocês descobriram isso? A internet é perigosa mesmo (risos). Aquilo foi uma brincadeira. É que eu trabalhei de comentarista na Copa, e antes das transmissões fazíamos apostas. Eu achei que a Holanda estava melhor e apostei neles. Por isso apareço comemorando depois. Eu adoro os brasileiros. Era muito próximo do Edu e do Gilberto, com quem joguei no Arsenal, e do Rivaldo também, com quem estive no Barcelona. Eu sempre gostei de trabalhar com brasileiros, primeiro porque são muito bons no que fazem. Também tem essa coisa de serem relaxados, isso me agrada muito.

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iG: Que lembranças você tem daquele jogo contra o Brasil em 1998?
Petit: O que lembro daquele jogo? Foi um sonho. Imagina, ganhar a Copa em casa e vencendo o Brasil por 3 a 0 na final. É algo indescritível. Foi um filme que nós vivemos, parecia até que não era real. É difícil encontrar palavras para descrever o que é uma vitória contra o Brasil, ainda mais naquelas circunstâncias.
 
iG: No Brasil, se fala muito sobre a convulsão que o Ronaldo teve antes da partida. Vocês notaram algo em campo?
Petit: Não notamos nada. Só ficamos sabendo do acontecido após o jogo, através do noticiário. O Aimet Jaque (técnico da França) fez uma estratégia muito boa. Marcamos bem o Brasil e derrubamos qualquer chance de o time fazer jogadas coletivas. A gente via que a equipe só tentava jogadas individuais Tinha o talento do brasileiro, que é espetacular, mas sem o jogo coletivo ficava muito difícil. Como fizemos 2 a 0 no primeiro tempo, ficou mais complicado para o Brasil. No segundo tempo, sentimos que os jogadores estavam tensos, mas achávamos que era pelo resultado também. Me lembro de dois jogadores discutindo no meio-campo porque um devolveu uma bola tocada para fora (discussão ocorreu entre Edmundo e Rivaldo).

iG: Você chegou a afirmar que o Aimet Jaquet (técnico campeão do Mundial) disse após a final que você tinha sido o melhor jogador da Copa de 1998. Você acha isso?
Petit: Eu respondi essa pergunta mais de mil vezes (risos). É melhor você perguntar isso para outra pessoa que estava no vestiário e ouviu o que ele falou. Pode parecer que eu estou querendo me promover.

Divulgação
"À flor da pele", biografia de Petit
iG: Você criticou o Zidane em sua biografia. Vocês falaram depois disso? Ele é seu amigo?
Petit: (risos) Acho que pela minha reação você recebeu a resposta. Posso dizer que não somos melhores amigos.

iG: Por que?
Petit: Vivemos em uma sociedade onde a imagem é o mais importante. A imagem de Zidane é enorme na França. Ele foi vendido como a cara da nova França, etc. Eu só critiquei sua falta de atitude em temas sociais. Quando os subúrbios de Paris estavam pegando fogo, com conflitos, ele não falou nada. O Thuram , sim, entrou na discussão e tentou ajudar. Os jogadores acabam vivendo em um mundo à parte, se esquecendo de onde vêm, das origens. Zidane deveria ajudar mais a sua gente, mas ele está sempre muito próximo das grandes empresas que o patrocinam.

iG: E como essas diferenças na forma de pensar não atrapalharam aquele time campeão do mundo?
Petit: Futebol é como uma empresa. Você não precisa amar a pessoa que está ao seu lado para trabalhar com ela. Em campo é a mesma coisa. O que você precisa é ser profissional, saber que depende do outro e ajudar ele também, porque o resultado final será bom para todos. Foi assim em 1998. Éramos muito próximos no objetivo final que era vencer o título, por isso deu certo.

iG: E o jogo da próxima quarta-feira, quem você acha que vai vencer?
Petit: Difícil prever. A França terá dificuldade para esse jogo. Laurent Blanc não pode contar com jogadores importantes, principalmente o Nasri, do Arsenal. Eu estarei vendo no estádio, torcendo para a França, é claro.

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