Ao ignorar diferenças legais entre Brasil e Uruguai presidente do Palmeiras pode ver argentino virar mico

A negociação pelo meia argentino Alejandro Martinuccio, do Peñarol (URU), pode virar um grande mico - mais um - para o Palmeiras . Se quiser mesmo o jogador, o clube paulista terá que pagar uma quantia muito maior do que planejava. E, se o fizer, criará uma situação muito similar à novela da volta de Valdivia, processo conduzido pelo ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo e criticadíssimo por Arnaldo Tirone.

O presidente Tirone e sua trupe ignoraram as diferenças de legislação entre Brasil e Uruguai na negociação por Martinuccio. Ao agirem assim colocaram o Palmeiras numa encruzilhada na qual o clube terá que dispor de alguns milhões para tentar sair ileso e, provavelmente, mais endividado, apesar de Tirone prometer em sua campanha que o controle de gastos seria uma das marcas de sua gestão.

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Com o contrato já assinado pelos 20% do direitos de Martinuccio que pertenciam a um empresário e apalavrado por cerca de R$ 800 mil, o Palmeiras precisará desembolsar, pelo menos, mais US$ 4 milhões para o restante dos direitos que pertencem ao Peñarol. O iG apurou que Tirone não contava com isso. Isso porque, ao contrário da legislação brasileira, o término de contrato de Martinuccio com Peñarol em agosto não significa que o jogador será liberado. Na verdade, mesmo sem contrato com a equipe uruguaia, o jogador só poderá mudar de clube mediante liberação formal. É como a antiga lei de passe que vigorava no Brasil.

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Martinuccio custará muito mais caro do que o planejado pelo Palmeiras
AFP
Martinuccio custará muito mais caro do que o planejado pelo Palmeiras


Tirone achava que com os 20% garantidos poderia esperar o término do contrato para que Martinuccio chegasse. Mas não é bem assim. Com o fim do contrato, o jogador não poderá atuar pelo Peñarol e só poderá ser negociado com outra equipe caso o seu "ex-dono" aceite. E a situação do Palmeiras só piorou ao tentar acelerar a negociação, conversando diretamente com o empresário que detinha 20% dos direitos do jogador. O Peñarol não gostou da abordagem e agora promete colocar o máximo de obstáculos possíveis no caminho palmeirense, especialmente com o interesse europeu.

O caso é muito parecido com a tão criticada negociação de Valdivia . Luiz Gonzaga Belluzzo acabou gastando bem mais do que previa com comissões, impostos por enviar dinheiro ao exterior e passou a ser colocado como exemplo de mau administrador pela atual gestão. Agora, Tirone se vê em situação semelhante e pode cair na mesma armadilha, especialmente se não quiser que Martinuccio se torne um mico em suas mãos. Várias comissões acabaram sendo pagas para o pai do meia chileno, para empresários e outros intermediários. Entre tudo isso, a negociação terminou pelo menos em R$ 21 milhões.

O cenário ainda piora se o Palmeiras pensar em tentar agir na Fifa para reclamar a devolução do dinheiro pago. A entidade máxima do futebol pode entender que o clube brasileiro agiu contra a lei ao tentar aliciar o atleta. Arnaldo Tirone soube tarde demais que as legislações brasileiras e uruguaias são diferentes.

Na última semana, Felipão chegou a dizer que as chances de o negócio darem certo eram muito pequenas , sem dar nenhuma explicação extra. Enquanto isso, Tirone e companhia seguem com a mesma postura de falar apenas da negociação quando ela tiver um desfecho, seja ele positivo ou negativo. Certo é que a saída do Peñarol da Libertadores pode ajudar a deixar o time uruguaio mais compreensivo.

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