Embora ressentidos com críticas, jogadores ainda são assediados por fãs. Após cancelamento de voo, foram únicos a quem Azul deu outra passagem

Romário posa para foto com fã em avião para Manaus. Assédio atrasou desembarque em cinco minutos
Raphael Gomide
Romário posa para foto com fã em avião para Manaus. Assédio atrasou desembarque em cinco minutos
“Gostaria de chamar a atenção para a presença a bordo dos heróis de 94 e 98, especialmente os palmeirenses Edmundo, Júnior Baiano e Zinho. O co-piloto, Internacional ‘doente’, manda um abraço a Dunga”, diz, ao microfone o comandante do voo entre Manaus e Brasília, na madrugada de domingo.

Entre sexta-feira e domingo, quando o iG acompanhou a seleção campeã da Copa de 1994 em amistoso contra time de Manaus, foi o constante o assédio de populares aos ídolos, com pedidos de fotografias ao lado, autógrafos e aplausos. Mesmo crianças – que ás vezes desconheciam os nomes de todos os atletas – pediam uma assinatura.

A reportagem viu Romário, principal estrela do grupo, tirar ao menos 34 fotografias com câmeras ou celulares ao lado de fãs, muitas vezes se dispondo a levantar da mesa, para ser clicado com hóspedes ou funcionários do hotel.

Conquista em 94 supera frustração e, um ano após derrota na Copa da África, Dunga posa com admirador
Raphael Gomide
Conquista em 94 supera frustração e, um ano após derrota na Copa da África, Dunga posa com admirador
Talvez como proteção a sua privacidade, o ex-atacante transita quase todo o tempo com fones de ouvido e óculos escuros. No avião, dormiu o tempo todo, sempre com os fones e óculos.

Mas em nenhuma vez se recusou aos pedidos de fotos e autógrafos. Na chegada a Manaus, o comissário de bordo precisou intervir para liberar o avião, porque os pedidos de fotos ao ex-atacante paralisaram o desembarque por cerca de cinco minutos.

Em entrevista, porém, Dunga e Romário deixaram claro que ainda existe ressentimento em relação a críticas sofridas pelo grupo há 17 anos.

“Para muitos, a geração de 94 não merecia ter ganho. Felizmente, é minoria. Quem é brasileiro, sabe reconhecer o valor desta geração. Apesar dos críticos, temos consciência da nossa importância no futebol mundial.”, disse Romário.

“Esta geração nasceu para jogar futebol. Diferentemente de outras pessoas, nasci para isso, transpiro futebol, não caí de paraquedas. Estávamos havia 24 anos sem ganhar uma Copa e mostramos como se vence, apesar de termos sido muito criticados”, disse Dunga.

Um ano depois da eliminação da seleção na Copa da África, o ex-treinador do time também é alvo de inúmeros pedidos de fotos e autógrafos, mostrando que o título obtido na Copa de 1994 supera a frustração do ano passado.

Até o árbitro quis foto com Bebeto e Zinho
Raphael Gomide
Até o árbitro quis foto com Bebeto e Zinho
Na volta de Manaus, porém, mais uma demonstração de que o prestígio dos jogadores de 1994 e 98 continua em alta. Um grupo de jogadores pegou um voo até Campinas e tomaria o seguinte para o Rio de Janeiro. Alegando mau tempo no Aeroporto Santos Dumont, a Azul cancelou o segundo voo após cerca de 2 horas de espera. Avisou aos passageiros que os levaria até Congonhas de ônibus, em viagem de mais duas horas, para então alocá-los em novo avião, uma vez que sua aeronave já tinha sido deslocada para outro destino.

O supervisor da Azul informou que os voos para o Rio de outras companhias estavam cheios e que ir a Congonhas seria a única alternativa. Cerca de meia hora depois, porém, nove ex-jogadores liderados por Bebeto e Edmundo foram os únicos passageiros a receber da Azul passagem para o Rio em outra companhia aérea – em voo que estaria “lotado”, segundo o supervisor da empresa.

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