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Cadeiras móveis podem dar 10 mil lugares extras à Arena Palestra

Projeto desenvolvido por torcedores tem inspiração em estádios da Alemanha e seria inédito no Brasil

Danilo Lavieri, iG São Paulo |

O conceito Stehplatz pode não ser tão conhecido no Brasil, mas já deve ser implantado na nova Arena do Palmeiras. Esse é o nome dado pelos alemães ao espaço no estádio em que as cadeiras podem ser retiradas quando necessário, deixando o torcedor de pé, em contato direto com o concreto. Preocupados em manter a tradição da arquibancada, onde as pessoas são livres para pular, correr e quase que atuar junto com o time, um grupo de palmeirenses entregou à WTorre, empresa de engenharia responsável pela obra, o projeto batizado de “La Curva”. Com ele, o estádio pode ganhar entre sete e dez mil lugares extras, passando de 45 mil para até 55 mil.

O projeto é simples: As cadeiras deixam de ser implantadas diretamente no concreto e são afixadas a uma barra de ferro. Com isso, elas podem deslizar pela estrutura e, se necessário, são retiradas sem nenhum dano ao assento. Os pés da cadeira são encaixados e desencaixados nessa barra de maneira rápida. A inovação deve custar em torno de R$ 1,5 milhão à empresa de engenharia, segundo estimativas de Walter Torre Jr., presidente da companhia.

“É um sistema alemão que recolhe as cadeiras. É interessante porque atende a torcida organizada. Não poderíamos usar isso em jogo Fifa, porque é obrigado a sentar, mas em jogo
nacional e continental dá para tirar e aumentar o espaço. Vários estádios pelo mundo já têm e como queremos fazer estádio de primeiro mundo, a tendência é adotar isso. Estou 99,99% convencido”, disse o empresário ao iG.

A ideia da WTorre é de implantar esse sistema atrás dos gols e também no local em que a torcida visitante será alocada. Segundo o projeto entregue à companhia ao que o iG teve acesso, na Alemanha já é lei que os estádios tenham 10% dos lugares com esse estilo.

Reprodução
Projeto prevê que áreas circuladas em vermelho e verde recebem o sistema Stehplatz

No estádio Signal Iduna Park, por exemplo, a capacidade normal, respeitando os padrões Fifa, é de 66 mil pessoas. Com a liberação para jogos no nacional, o sistema Stehplatz entra em ação e dá cerca de 16 mil torcedores a mais, o que significa aumento na renda e, claro, na pressão em cima do adversário. O projeto também é instalado em alguns estádios nos Estados Unidos, como no Cowboys Stadium. (Veja vídeo em inglês sobre como isso funciona).

O sistema também pode ser usado em grandes shows. O público ficaria livre para estar de pé em cima do concreto e as cadeiras não seriam danificadas. O risco, inclusive, é bem menor em caso de revolta das torcidas em eventuais clássicos.

“Eles não destruiriam nada, porque a cadeira não fica lá, a gente guarda. O Palmeiras não vai perder nunca para o São Paulo e para o Corinthians, mas vai que dá azar, eles ficam nervosos e se revoltam? Não aconteceria nada com as cadeiras (risos)”, explicou Walter.

Para convencer o empresário de que a inovação seria bem aceita, torcedores trabalharam sem receber nada em troca por mais de um mês. Eles estudaram uma apresentação convincente para não dar oportunidades de rejeição para Walter.

Guilherme Tosetto, iG São Paulo
Walter Torre Jr., presidente da empresa que reforma o estádio do Palmeiras, pensa em usar sistema alemão de cadeiras na Arena


Gabriel Manetta, gerente de uma loja de café e chocolates na zona sul de São Paulo, foi o pioneiro. Ele explica que pesquisou em vários sites de estádios para entender como o sistema funcionava.

“Fiquei durante um mês pegando informações, fotos e entendendo como seria. Ia ser algo inédito no Brasil e muito bom para o Palmeiras e para os torcedores que preferem ver o jogo de pé. Depois de fechar uma apresentação, conversei com membros de um grupo político do clube e conseguimos entrar em contato com a WTorre. Eles adaptaram algumas coisas e acho que vai dar certo”, disse Manetta, que ainda contou com a ajuda de Rubens Filho e Lucca Barbarisi.

A nova Arena do Palmeiras deve estar pronta só em abril de 2013, mas o torcedor já se mostra ansioso para poder voltar a jogar em casa. Com o investimento de R$ 330 milhões, o estádio ainda sofre restrições de parte do Conselho do clube.

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