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Brigas da 'era Antônio Carlos' atrapalham o Palmeiras de Felipão

Rixa entre Sérgio do Prado e Galeano segue tumultuando ambiente da Academia de Futebol desde 2010

Danilo Lavieri, iG São Paulo |

Uma briga entre o gerente administrativo Sérgio do Prado e o coordenador técnico Marcos Aurélio Galeano, que começou no início de 2010, quando Antônio Carlos Zago ainda era o técnico, atrapalha até hoje o Palmeiras .

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O iG apurou que, mais de um ano depois do entrevero, os dois funcionários não se entendem e a rixa acabou atrapalhando bastante o ambiente da Academia de Futebol, deixando os trabalhos técnicos em segundo plano e tirando o técnico Luiz Felipe Scolari do sério.

Por vezes, Felipão chega irritado aos vestiários e acaba descontando nos atletas. A relação entre os jogadores e Galeano também não é boa, assim como a do coordenador com outros funcionários do futebol.

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Frizzo aprova trabalho de Sérgio do Prado
O início da era Galeano e da rixa
Galeano, aliás, foi contratado logo na chegada de Antônio Carlos Zago. O ex-jogador era funcionário da Traffic e tinha relação quase diária com o Palmeiras . Após a queda de Muricy Ramalho, Galeano assumiu a função que era de Toninho Cecílho, que também caiu após a saída do então tricampeão brasileiro.

A briga começou mesmo no dia 21 de abril de 2010, quando o Palmeiras arrancou o empate com o Atlético-PR aos 43 minutos do 2º tempo, com gol de Lincoln, na Arena da Baixada. O resultado deu ao clube o direito de avançar para as quartas de final da Copa do Brasil. Logo após o triunfo, Zago liberou todo o elenco e comissão técnica para uma grande festa no Paraná. Sérgio do Prado não aprovou a situação, mas preferiu deixar de lado, uma vez que o clima era bom por causa da classificação.

No dia 27 de abril, o Palmeiras contratou Leandro Amaro e o zagueiro passou a fazer parte dos planos do treinador para a fase seguinte da Copa do Brasil. A inscrição ficou a cargo de Sérgio do Prado, mas a burocracia da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) atrapalhou e o atleta ficou fora. No dia 5 de maio, o time acabou eliminado errando quatro pênaltis e Zago deu entrevistas públicas criticando o gerente administrativo, que ficou bastante incomodado com a situação.

Após esse episódio, Zago passou a mudar várias ordens que eram dadas por Sérgio do Prado e a interferir em áreas que, até então, pertenciam apenas à alçada do gerente do clube. Galeano “comprou” a briga do treinador e também passou a bater de frente com Sérgio.

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Frizzo aprova trabalho de Sérgio do Prado
Baladas no Rio de Janeiro e briga no ônibus
Dez dias depois, no dia 16 de maio, o Palmeiras fez um péssimo jogo contra o Vasco, que seria o último de Zago à frente da equipe.

Logo após, parte do grupo que era formada por atletas evangélicos pediu dispensa para participar de um ritual em São Paulo. Foram atendidos. O restante, que voltaria para a capital apenas no dia seguinte, pediu dispensa para festejar, apesar do 0 a 0 em São Januário, e também conseguiu a folga, desde que todos estivessem de volta às 2h.

Vários atletas não cumpriram o combinado e chegaram ao hotel bêbados, com garotas de programa. Toda a cena foi gravada por câmeras de segurança do estabelecimento.

Sabendo de todo o problema, Sérgio do Prado exigiu relatórios, cumprindo ordens de seu superior Seraphim Del Grande, então integrante da diretoria de futebol. Galeano tentou acobertar o caso, para proteger Zago e os jogadores e precisou bater de frente com Prado. No ônibus, Zago deu uma bronca no grupo. Robert, que não gostou do tom, retrucou. A história chegou à imprensa, e o treinador acabou demitido.

Galeano e Zago, naquele momento, tiveram certeza que tudo havia vazado via Sérgio do Prado. O coordenador técnico chegou a ser colocado como demitido do quadro de funcionários, mas a decisão foi revogada a pedido do então vice-presidente de futebol, Gilberto Cipullo, que não queria perder o funcionário para evitar o acúmulo de funções em cima de outra pessoa.

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Frizzo aprova trabalho de Sérgio do Prado
O início da era Felipão
Em seguida, Cipullo e Galeano viajaram para Portugal para iniciar negociações com Luiz Felipe Scolari. Os dois ficaram cerca de dez dias na Europa e conseguiram a contratação do pentacampeão. Com a chegada de Felipão à Academia, Galeano ganhou força e passou a explicar para o treinador que Sérgio do Prado não era de confiança, assim como alguns outros funcionários que trabalham com o futebol.

Na mudança de gestão, quando Arnaldo Tirone passou a ser presidente, e Roberto Frizzo, vice de futebol, Felipão e Galeano viram a chance de afastar Sérgio do Prado. Começaram os insistentes pedidos para que o funcionário fosse demitido, mas sempre a determinação parava nas mãos de Frizzo, que barrou a mudança. Isso irritou bastante a dupla.

Aproveitando a situação, a ala política do clube que não gosta de Frizzo no poder e também não apoia Sérgio do Prado aproveitou para começar o processo de fritura da dupla. As críticas começaram, até resultarem no rompimento do grupo de Mustafá Contursi com o presidente Arnaldo Tirone.

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O último capítulo que veio à público foi a briga pela contratação de Luan. Frizzo barrou o pagamento de comissões para Magrão, empresário do atleta. Felipão deu entrevistas pressionando a diretoria para que tudo se resolvesse rapidamente. A negociação quase emperrou, mas acabou dando certo por conta da ação de Arnaldo Tirone

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Frizzo aprova trabalho de Sérgio do Prado
A versão dos dirigentes
Gilberto Cipullo e Seraphim Del Grande confirmaram os problemas entre Antônio Carlos Zago e Sérgio do Prado, mas não sabem da participação de Galeano no problema.

“Houve um problema do Sérgio do Prado com o Zago, mas com o Galeano nenhum. Eles tiveram problema com a questão de inscrição do Leandro Amaro, porque o Zago estava contando com a inscrição dele para a Copa do Brasil, que acabou não saindo, mas nem foi por culpa do Sérgio. O Antônio achou que a culpa era do Sérgio, deu uma entrevista, ficou um ambiente pesado entre os dois”, explicou Cipullo.

“O Sérgio ficou sabendo do problema, me contou e eu exigi relatório dos seguranças. Fiquei sabendo que quiseram abafar, mas não sei quem foi. Depois, me falaram que havia sido o Galeano e eu avisei que em hipótese nenhuma aquilo seria acobertado e exigi a demissão de quem fosse. Depois, o Galeano me jurou que ele não teve nada a ver. O Sérgio é muito certinho, cumpre tudo o que mandam à risca e isso gera críticas”, completou Del Grande.

A explicação de Luiz Felipe Scolari e a de Galeano
O treinador afirmou que não tem problema nem com Roberto Frizzo, tampouco com Sérgio do Prado. Via assessoria, Felipão confirmou que tem uma relação próxima com Galeano, mas que, em nenhum momento, comprou a briga de seu ex-jogador. Já o coordenador técnico primeiro afirmou ao iG que tinha relação profissional com Sérgio. Depois, contatou a assessoria do treinador e pediu para complementar que em nenhum momento teve problema com o gerente administrativo.

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Frizzo aprova trabalho de Sérgio do Prado
Frizzo diz que não liga para as críticas, e Sérgio se defende
O vice-presidente de futebol, Roberto Frizzo, disse que não liga para as críticas que sempre ouve em relação a Sérgio do Prado. “Não dou ouvidos, o departamento está sob o meu comando. O Galeano e o Sérgio se complementam e fazem o que é bom para o clube.”

Já Sérgio do Prado afirmou que também tenta deixar de lado todo o problema político e que só pensa em ajudar o clube. “Todo mundo sabe que o ambiente no Palmeiras é turbulento e que as coisas aqui são agitadas. O trabalho fala por si só e eu só cumpro as ordens que recebo aqui no clube para ajudar.”

Ala critica Sérgio do Prado, mas se esconde. Zago não é localizado
MiGCompLinks_C:undefinedUm conselheiro que não quis se identificar, mas convive bastante na Academia de Futebol, criticou Sérgio do Prado. Disse que o gerente faz muitas determinações, barra a entrada de várias pessoas na Academia de Futebol e que isso irrita Felipão, que, por certas vezes, desconta nos jogadores, irritando parte do elenco. Ele ainda explica que Sérgio barra a tentativa de Galeano conversar diretamente com setores e exige que o coordenador passe primeiro pelas mãos de Sérgio.

Antônio Carlos Zago não foi localizado. O iG deixou recado na caixa postal do ex-treinador do Palmeiras, mas não teve retorno.

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