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Brasileiros vivem com medo e presenciam terror onde seleção jogará

Time de Mano enfrenta o México em Torreón, uma das mais violentas do país. Brasileiro estava em bar atacado por narcotraficantes

Marcel Rizzo, enviado iG a Torreón |

Marcel Rizzo
Sérgio da Cunha tem uma churrascaria brasileira, com rodízio, em Torreón
Evitar aglomerações, não andar sozinho de noite e, principalmente, limitar o círculo de amizades. Desta maneira Sérgio Campos da Cunha, brasileiro de 35 anos nascido em Bragança Paulista, interior de São Paulo, vive em Torreón. Um dos centros mais violentos do México por causa da ação de grupos de narcotraficantes, a cidade recebe nesta terça-feira (11 de outubro) o amistoso entre Brasil e México (22h30 de Brasília), jogo bancado por uma cervejaria, proprietária do estádio Território Modelo e do time local, o Santos Laguna. No dia 20 de agosto, tiros na autopista que leva até o palco fizeram a partida contra o Monarcas ser paralisada e torcedores se esconderem atrás de muretas. Ninguém foi ferido.

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“Vivemos no fogo cruzado, com muito medo nos últimos cinco anos”, disse Cunha, dono de uma churrascaria, a Pampas do Brasil, principal motivo de ainda não ter se mudado depois de 12 anos em Torreón - a cidade está a 500 km ao norte da Cidade do México e a pouco menos de 600 km da fronteira com os EUA.

Com a imprensa intimidada pelos traficantes, muitos atentados, ou “balaceras” como dizem no México, são ocultados. Mas em fevereiro de 2010, Cunha não precisou ler nos jornais que um bar que inaugurava foi atacado: seu amigo, o também brasileiro Terzio Benedetti, viveu o terror.

“As caminhonetes pararam em frente ao bar, desceram alguns homens encapuzados e começaram a atirar. De metralhadora. Deu tempo de me jogar no chão e começar a rezar. Quando levantei e já tinham ido embora, passei pelo corpo de três jovens mortos. Os seguranças, na porta, também estavam mortos. Fugi pela janela”, contou ao iG Benedetti.

O massacre do bar "La Juana's", como ficou conhecido o atentado, teve oficialmente divulgado pela polícia oito mortos e 19 feridos. “Mas deve ter sido muito mais”, disse Benedetti, que mora em São Caetano do Sul, no ABC paulista, e regularmente viaja ao México para realizar serviços para a empresa de automação na qual trabalha.

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Dias depois, quatro homens foram decapitados e no carro deles, escrito a tinta, foram apresentados como os “assassinos do La Juana's” por um grupo rival ao que atacou o bar. No México, a batalha mais sangrenta é entre os grupos de narcotraficantes, não contra a polícia ou o exército.

Mudança

Reuters
Pânico toma conta das pessoas no estádio do Santos Laguna, em agosto. Até jogadores fugiram para o vestiário
A mudança de Sérgio da Cunha para o México aconteceu a convite da Tetra Park, empresa na qual trabalhava com produção gráfica. Em 1999, morando em Querétaro (a 300 km de Torreón), conheceu outro brasileiro, dono de churrascaria e demorou pouco tempo para se tornar sócio e para abrir a filial em Torreón, que agora administra com dois sócios mexicanos. Com duas filhas pequenas nascidas no país (sua esposa, mexicana, morreu em 2010), é impensável para ele voltar ao Brasil.

“Ao mudar para cá a violência era pequena, hoje tomo precauções. Quando o atual presidente assumiu (Felipe Calderón) ele resolveu atacar os narcotraficantes, que estavam tranqüilos. Como não estavam mais conseguindo vender grandes quantidades de drogas aos EUA, o grande consumidor, passaram a duelar por territórios para vender a droga dentro do México. Por isso a violência”, contou o brasileiro.

ENTENDA: Narcotráfico é dominado por sete grupos no México

As execuções no estado de Coahuila, onde está Torreón, aumentaram 500% entre 2008 e 2010, apontou a base de dados de homicídios do governo mexicano, que uma agência de notícias local teve acesso. Na cidade, foram 61 execuções em 2008, 135 em 2009 e 316 em 2010. Os grupos rivais atacam estabelecimentos que pagam “propina”, dinheiro para se manterem abertos, para os adversários. Os decapitados normalmente são maus pagadores e, quando ocorrem as “balaceras”, não importa se há inocentes no bar, como presenciou Terzio Benedetti.

Para a partida entre Brasil e México, o governo de Coahuila, apoiado pelo estado vizinho de Durango (Torreón está na divisa entre os dois), solicitaram segurança reforçada. Serão homens do exército, da polícia federal, da polícia municipal e estadual. O número do efeitivo não foi divulgado por questão de estratégia. 
 

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