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Depois de ter problemas com treinador e ver sua casa ser invadida, zagueiro Hilton quer levar o Montpellier ao seu 1º título

Faltando nove rodadas para o término do Campeonato Francês , o modesto Montpellier aparece na liderança da tabela com 60 pontos conquistados, mesma pontuação do milionário Paris Saint-Germain, mas levando vantagem nos critérios de desempate. Fundado em 1974, o clube do sul do país pode conquistar a liga nacional francesa pela primeira vez em sua história.

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Hilton, zagueiro brasileiro do Montpellier
Divulgação/Site Oficial
Hilton, zagueiro brasileiro do Montpellier
E um dos destaques do Montpellier na impressionante campanha desta temporada é o zagueiro Hilton , único brasileiro no elenco. Aos 34 anos de idade, o defensor chegou à equipe no ano passado depois de defender as cores de Lens (entre 2004 e 2008) e Olympique de Marselha (entre 2008 e 2011).

Em entrevista exclusiva ao iG , Hilton revelou que a ansiedade já tomou conta da cidade de pouco mais de 255 mil habitantes. "O clube é novo, nunca terminou bem colocado. A gente começou bem o campeonato, mas muitos não acreditavam. E agora faltando nove rodadas para o fim do torneio, os torcedores ficam na ansiedade, querendo o primeiro título. Fica nessa euforia".

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Nascido em Brasília, o zagueiro atuou na Chapecoense e no Paraná Clube antes de se aventurar na Europa. Hilton contou que começou a jogar ainda na categoria amadora até chegar em Santa Catarina. "Eu jogava no amador do Gama e tinha um treinador do juniores da Chapecoense que sempre ía lá buscar uns dois ou três jogadores para fazer teste. Eu já tinha de 17 para 18 anos já e acabei ficando lá e me tornei profissional", disse.

Hilton revelou ainda que foi no time catarinense que virou zagueiro de ofício. "Eu fui fazer teste como lateral direito, da maneira que eu jogava no amador do Gama, mas aí o treinador acabou me colocando de zagueiro e acabei ficando. Ele disse que eu tinha bom posicionamento, bom tempo de bola, mesmo sem eu ser tão alto (1,80m)", contou o defensor.

Momentos difíceis na França
Em 2001, Hilton deixou o Paraná Clube e foi para o Servette, da Suíça, onde atuou até 2003. Depois de ficar alguns meses de 2004 no Bastia, da França, acertou sua transferência para o Lens, também francês. No clube, fez 158 jogos em quatro boas temporadas, despertando interesse do tradicional Olympique de Marselha. "Fiquei três anos no Marselha. No primeiro fui titular, depois no segundo joguei menos e no teceiro ano o treinador não foi muito com minha cara e joguei pouco", comentou.

Pelo Olympique, Hilton conquistou o Campeonato Francês de 2009/2010 e duas Copas da Liga Francesa, em 2009/2010 e 2010/2011. Como estava jogando pouco, o brasileiro já pensava em deixar o clube para procurar novos ares, mas um momento particular triste e dramático foi a gota d'água para que o jogador decidisse sair de Marselha.

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"A minha família estava de férias aqui na França, umas 10 pessoas em casa, e numa noite quando o pessoal estava indo dormir para passear no outro dia, do nada escutei meu cachorro latir e, meio que com medo, fui ver o que era. Tinham uns caras mascarados pulando o muro", contou Hilton sobre a invasão à sua residência.

Hilton em ação pelo Olympique de Marselha
Getty Images
Hilton em ação pelo Olympique de Marselha
E a invasão foi o de menos, já que o brasileiro chegou a ser agredido pelos assaltantes. "Eles entraram em casa, quebraram a porta, um cara começou a me agredir, deu coronhada na minha cabeça. Eu disse que não precisava bater, que podiam pegar tudo. Mas graças a Deus todo mundo saiu bem", explicou.

"Isso foi uma motivação a mais para deixar Marselha. No time, o treinador já não gostava do meu futebol. Eu não estava jogando muito e aí aconteceu isso, não tinha mais motivo para ficar na cidade. A família tinha medo de passar as noites lá, ficava todo mundo preocupado, mesmo sabendo que isso não aconteceria de novo", completou Hilton.

Retorno para o Brasil
Com o possível título do Francês e a participação na Liga dos Campeões garantida, Hilton deverá ficar mais uma temporada no Montpellier. O defensor, porém, já pensa em retornar ao futebol brasileiro para jogar mais alguns anos e pendurar as chuteiras. Na verdade, retornar à sua terra natal é uma coisa que vem passando na cabeça do jogador há algum tempo.

"Voltar para o Brasil passa na minha cabeça há uns sete anos, mas toda vez eu acabo ficando na França. Tenho uns amigos que falam para eu ficar, que as coisas no Brasil estão complicadas. Antes de ir para o Montpellier, eu queria voltar para o Brasil. Só que os clubes ficaram com um pé atrás porque eu não estava jogando muito no Marselha e o mercado acabou fechando", explicou.

E um clube brasileiro em especial mexe com Hilton. Flamenguista de coração, o atleta disse que seria um sonho receber uma proposta para atuar no rubro-negro carioca. "Sou flamenguista. Não pensaria duas vezes, amanhã eu já estaria aí", finalizou.

Enquanto não volta para o Brasil, Hilton tentará levar o Montpellier ao seu primeiro título do Campeonato Francês. Na próxima rodada da Ligue 1, o time do brasileiro recebe em sua casa o penúltimo colocado Sochaux e tem grandes chances de permanecer na ponta do torneio.