Aplausos só para o cachorro invasor de campo. Garotos foram mal e até em briga de vestiário o elenco se envolveu

Aplausos só para o cachorro que invadiu o campo no primeiro tempo e deu olé na segurança. O Brasil de Mano Menezes, o time ideal, teve mais uma atuação ruim e só empatou com a Venezuela, 0 a 0, na estreia da Copa América, na tarde deste domingo em La Plata. Os garotos craques foram mal (Pato, Ganso e Neymar), Robinho também, e até em briga no acesso ao vestiário os brasileiros se envolveram. Ao final do jogo, vaias pelo terceiro jogo seguido (os outros dois contra Holanda e Romênia, ambos em casa).As vaias se misturaram à festa da torcida adversária e a alegria dos jogadores da Venezueça, que foram aplaudidos de pé e se juntaram no meio de campo para serem cumprimentados.

Nos últimos quatro jogos contra os venezuelanos, foram dois empates, uma vitória e uma derrota. Tropeço também para o treinador em seu primeiro jogo oficial em uma das três competições que terá antes da Copa do Mundo de 2014, em casa (Copa América, Olimpíada e Copa das Confederações). O Brasil volta a campo pelo Grupo B no próximo sábado (9 de julho), contra o Paraguai, na cidade de Córdoba (a 750 km de Buenos Aires), jogo que começa 16h. Nos últimos quatro jogos contra os venezuelanos, foram dois empates, uma vitória e uma derrota.

A seleção começou a partida esquecendo que é preciso finalizar para marcar. O time rodava a bola, como pedia gritando do banco de reservas o técnico (elegante) Mano Menezes, mas na hora do arremate, nada. Neymar e Ganso procuravam Robinho, o mais experiente do quarteto ofensivo, que fez um primeiro tempo ruim.

Alexandre Pato acertou um chute na trave, quando alguém resolveu chutar. E Robinho perdeu a melhor chance, cara a cara com Vega, mas chutou fraquinho, e a zaga conseguiu tirar antes de a bola entrar. Neymar também apareceu na frente do gol, mas pareceu acreditar que estava impedido e chutou todo torto. Muito preciosismo dos atacantes na hora de finalizar.

De emocionante, só a entrada de um cachorro no gramado. Ele atravessou o gramado e nenhum jogador teve coragem de retirá-lo. Foi para o canto, e saiu do campo sem nem a segurança tocá-lo – o único momento de aplauso dos torcedores. Detalhe: os brasileiros, em maioria no estádio, eram superados nos gritos pelos venezuelanos.

Como a Venezuela não atacou, os tropeços dos zagueiros brasileiros e do primeiro volante Lucas Leiva passaram despercebidos, mas o setor parecia nervoso. No final da etapa, um bate-boca entre Ganso e parte do grupo animou esquentou um pouco a partida (no frio de 4 graus). No intervalo, o técnico da Venezuela, César Farias, tentou intimidar Neymar no túnel que leva ao vestiário e, segundo informação da TV Globo, a briga foi generalizada.

Ganso sumiu

O segundo tempo começou novamente com o Brasil travado. Ganso, repetindo a atuação que vinha tendo nos treinos, estava lento. A marcação estava forte no camisa 10, mas o armador demorava a pensar quando a bola chegava nele. O santista se recuperou de lesão muscular e fez só um jogo, a final da Libertadores, depois disso.

O Brasil nem conseguia rodar a bola, e a Venezuela se animou a ponto de os torcedores, vale lembrar em menor número, gritavam até olé. Mano então tirou Robinho, mal, e colocou Fred. Vaias no estádio e difícil identificar se para a alteração ou se para o camisa 7. Pato foi para o lado de campo e Fred se tornou o centroavante.

Poucos minutos depois a torcida brasileira pediu por Lucas, como já havia feito em Goiânia, no amistoso sem gol contra a Holanda (4 de junho). Mano ouviu e sacou Pato para colocar o garoto são-paulino, com mais de 30 minutos, quando também pôs Elano para jogar de segundo volante na posição de Ramires. Não adiantou nada, o Brasil seguiu sem criar e passou a viver de lançamento para a área, que não resultou em nada.

FICHA TÉCNICA: BRASIL 0 x 0 VENEZUELA

Local: Estádio Ciudad de La Plata, em La Plata (Argentina)
Data : 3 de julho de 2011, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Raúl Orosco (Bolívia)
Assistentes : Efrain Castro (Bolívia) e Marvin Torrente (México)
Cartões amarelos: Thiago Silva (Brasil); Rondón, González e Moreno (Venezuela)

BRASIL: Julio Cesar; Daniel Alves, Lucio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva, Ramires (Elano) e Paulo Henrique Ganso; Robinho (Fred), Neymar e Alexandre Pato (Lucas)
Técnico: Mano Menezes.

VENEZUELA: Renny Vega; Roberto Rosales, Grenddy Perozo, Oswaldo Vizcarrondo e Gabriel Cichero; Franklin Lucena, Tomás Rincón, César González (Di Giorgi), Nicolás Fedor (Maldonado); Juan Arango e Salomón Rondón (Alejandro Moreno)
Técnico: Cesar Farías.

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