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Bottinelli sofre com preferência pelas laterais no Brasil

Herói do Fla-Flu, argentino explica que em seu país o meia participa mais do jogo e aqui fica perdido

Thales Soares, iG Rio de Janeiro |

Alexandre Vidal/Fla Imagem
Bottinelli se prepara para dominar a bola no treino
Autor de dois gols na vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense, Bottinelli ainda não completou um ano no Brasil, mas se sente em casa, mesmo sem conseguir se firmar como titular do Flamengo. Consciente da dificuldade para encontrar um lugar no time, faz uma análise tática do futebol brasileiro para explicar a demora da maioria dos jogadores argentinos para se adaptar completamente e começar a fazer sucesso, como aconteceu com Conca, em suas passagens por Vasco e Fluminense.

Veja a classificação do Campeonato Brasileiro

O estilo jogado na Argentina favorece o nascimento de armadores no meio-campo, um jogador em extinção no Brasil. Bottinelli se diz mais acostumado a jogar de outra forma e que está se adaptando ao jeito brasileiro de jogar futebol, com muito mais participação dos laterais e atacantes que atuam pelos lados do campo.

Veja também: Brasileirão tem ascensão de Fla, Corinthians e Inter na reta final

“No futebol brasileiro, você joga sempre com os laterais e o meia fica um pouco perdido no campo. Sou um meia mais criador, estou acostumado a ficar mais com a bola nos pés”, comentou Bottinelli, que também falou sobre a maratona de jogos no Brasil. “Aqui se joga domingo e quarta-feira, sábado e quinta-feira”.

Thiago Neves elogiou o argentino, com quem conversou antes da cobrança de falta marcante no Fla-Flu de domingo, pelo Campeonato Brasileiro. Com Bottinelli em campo, ele diz se sentir mais à vontade, até mesmo mais participativo, e faz propaganda do jogador para o técnico Vanderlei Luxemburgo.

“Todo mundo aqui sabe a qualidade que ele tem. Com o Bottinelli em campo, recebo mais vezes a bola e fico mais dentro do jogo. Claro que gostaria de ter ele no time, mas isso quem decide é o Luxemburgo, que tem feito as escolhas corretas”, comentou Thiago Neves.

Bottinelli tem um relacionamento mais próximo com os chilenos Maldonado e Fierro, afinal, fez muito sucesso na Universidad Católica e os dois ajudaram muito na sua adaptação. Ainda assim, faz elogios aos jogadores brasileiros, que não demonstram qualquer tipo de rejeição aos estrangeiros.

"Os brasileiros recebem muito bem os gringos. O jogador brasileiro está sempre alegre, mesmo com muitos jogos e muita concentração", brincou Bottinelli, de 24 anos, que, mesmo na reserva, se sente importante no grupo. “Sabemos que o Flamengo não é só o Ronaldinho Gaúcho, o Thiago e o Felipe. O Paulo Victor entrou bem ontem. Todos são importantes. Para vencer o campeonato, temos 30 jogadores”, emendou.

O Flamengo enfrenta o Palmeiras, quarta-feira, às 21h50, no Engenhão, pela 29a rodada do Campeonato Brasileiro. O time está na quarta colocação, com 47 pontos, quatro atrás do líder Corinthians. Bottinelli deve continuar na reserva nesse jogo.

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