Presidente da Fifa comeu churrasco, deu presente e fez afagos ao Brasil em visita para contornar crise com governo

O roteiro parecia até de político em campanha. Em Brasília, o dirigente mais importante da Fifa, Joseph Blatter, comeu churrasco , deu e recebeu presentes , sorriu e foi só elogios ao Brasil. Tudo dentro de uma agenda montada para apagar o incêndio de uma crise institucional entre a entidade dona da Copa do Mundo e o Governo Federal.

O último compromisso do número 1 da Fifa na capital federal foi um programa típico brasileiro. Um churrasco servido na casa do presidente da Câmara de Deputados, Marco Maia. Além de uma suculenta picanha, que Blatter fez questão de posar para as fotos cortando, o que mais agradou o cartola foi ouvir dos parlamentares que a Lei Geral da Copa será aprovada em breve. Com cerveja, como exige a entidade.

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“Perfeito”, resumiu o cartola sobre a carne servida por Maia. O que ouviu dos deputados também fez Blatter sorrir. “Eu sou um homem muito feliz hoje. Muito obrigado à Câmara por dar essas garantias, que já foram confirmadas, para o sucesso da Copa do Mundo”, disse após o almoço.

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Em quase todos os momentos da visita, Blatter era só sorrisos. A feição do rosto do cartola mudava apenas quando um nome era comentado: Jérôme Valcke. “Não falo sobre assuntos internos da Fifa. Ele trabalha na Fifa. Me dê tempo para resolver esse problema”, respondeu sobre o veto do governo brasileiro ao secretário-geral da entidade, homem de confiança de Blatter. O dirigente francês foi sacado das negociações por dizer que o Brasil precisa um “chute no traseiro” para acelerar a organização da Copa.

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Blatter ainda pretende ver Valcke novamente à frente da interlocução com o Brasil. Por isso se esforçou tanto na visita ao país e pediu novos encontros com Dilma Rousseff ainda neste ano. “Podemos nos encontrar nas visitas dela à Europa”, informou.

Presentes e afagos
Antes do churrasco na casa de Marco Maia, Blatter recebeu um presente: uma camisa do Grêmio, time do deputado. Antes, no encontro com a presidenta, foi a vez do dirigente ser cordial. Levou a Dilma um porta-retrato com uma foto do último encontro dos dois. O presente veio com uma clara mensagem de que pretende se reunir com a presidenta mais vezes.

No Brasil, o cartola fez questão de não criticar o país. “Espetacular” foi o termo para descrever como acha que será o Mundial em 2014. Atrasos em obras denunciados por Valcke há duas semanas , foram minimizados. “Não nos preocupa”, disse.

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