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Seguindo os passos de Fischer, uruguaio pode ser o primeiro 'gringo' campeão brasileiro pela equipe

Loco Abreu comemora gol no clássico Botafogo x Flamengo
AE
Loco Abreu comemora gol no clássico Botafogo x Flamengo
A contratação era uma aposta de risco da diretoria. Aos 33 anos, após passar por mais de 15 clubes e quase ter acertado sua volta para o futebol do Uruguai, Loco Abreu chegou ao Botafogo causando desconfiança em uns e otimismo em outros, mas logo cativou a torcida. A apresentação oficial, em General Severiano, quando recebeu a camisa 13 das mãos de Zagallo, era o prenúncio de uma história de paixão e idolatria com os botafoguenses.

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Alguns meses depois da estreia pela equipe carioca, a mística em torno de Abreu aumentou ainda mais com o primeiro título, o Campeonato Carioca de 2010. Com direito a gols decisivos e cavadinha sobre o Flamengo , rival que estava atravessado na garganta dos botafoguenses após três vice-campeonatos estaduais, Loco Abreu se tornou o primeiro artilheiro estrangeiro da equipe em um Carioca, com 11 gols. Vieram então os atritos com o técnico Joel Santana, por divergências táticas , mas a popularidade do jogador só aumentava.

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Os recordes também não pararam. Assim como o argentino Herrera , Abreu foi o primeiro estrangeiro titular campeão com a camisa alvinegra. É dele também a artilharia do estádio Engenhão, com 29 gols. Tudo isso em menos de dois anos na equipe carioca. Para completar, na última sexta-feira 'El Loco' recebeu da diretoria um quadro comemorativo pela marca de 50 gols , marcados em 82 jogos, média de 0,6 por partida. A fórmula de liderança, personalidade forte e gols faz com que muitos botafoguenses já apontem Abreu como o maior estrangeiro da história do Botafogo.

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Recordes não atingidos e corrida atrás de Fischer
Se para os mais novos, Loco Abreu já é o estrangeiro mais importante da história do Botafogo, os torcedores mais antigos irão se lembrar de outro grande centroavante que marcou seu nome em General Severiano. O argentino Rodolfo Fischer, apelidado de 'El Lobo', ainda é o 'gringo' com mais gols na história do Botafogo. Foram 69 em 180 jogos, disputados entre 1972 e 1976, apesar de nenhum título de expressão. Também é de Fischer a artilharia estrangeira do Botafogo em Brasileiros, com 29 gols. Loco Abreu tem 23 no torneio nacional.

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Fischer foi contratado para ocupar o lugar do atacante Roberto Miranda, que se contundira após a Copa do Mundo de 1970 e passou a sofrer com seguidas lesões. Após ser emprestado por um ano ao Flamengo, Miranda se transferiu definitivamente para o Corinthians, abrindo espaço para a chegada de 'El Lobo'. O momento de maior destaque do argentino foi na famosa goleada de 6 x 0 aplicada sobre o Flamengo, no Campeonato Brasileiro de 1972, quando marcou dois gols.

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Companheiro do atacante argentino, o volante Carlos Roberto se lembra de histórias engraçadas do jogador no Botafogo, que segundo boatos, não conversava com o atacante Jairzinho, destaque da seleção na Copa de 1970. Para Carlos Roberto, Loco Abreu ainda não ultrapassou os feitos de 'El Lobo'.

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“Ele era uma figura engraçada. Se errava um passe, xingava a bola dizendo 'bola brasileña hija del put..', ou então reclamava do gramado. Ele tinha essa coisa de pedir sempre a bola, reclamava que não passavam a bola para ele, mas não era verdade. Eu falava 'cara, não tenho nenhum problema contigo' e tocava pra ele sempre que podia, mas ele fazia isso com todos, risos. O Jairzinho não tinha muita paciência, mas era só dentro de campo”.

Discurso humilde
Se já é apontado por muitos como maior jogador estrangeiro da história do Botafogo, Abreu mantém um discurso humilde e faz questão de destacar que, mais importante do que ser apontado como ídolo, o uruguaio quer conquistar títulos com a camisa da equipe carioca.

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Loco Abreu exibe o boneco personalizado com tatuagens e faixa de capitão usada nos jogos
Satiro Sodré/Divulgação AGIF
Loco Abreu exibe o boneco personalizado com tatuagens e faixa de capitão usada nos jogos
"Trato de fazer o melhor. Não ficaria legal fazer comparação com os demais jogadores, isso fica para vocês (jornalistas) e torcedores. Penso em fazer o melhor, com dedicação e profissionalismo, e ficar junto com o time com a mentalidade do clube, de demonstrar que trabalho bem feito dá bons resultados. A consequência é o respaldo da diretoria e da torcida, o time competitivo, voltar a ganhar campeonatos, jogar Libertadores, não pensar apenas no passado, em craques como Garrincha e Nilton Santos. Isso é muito importante. Não jogo para ficar na lembrança como ídolo ou para falarem de mim, jogo para conseguir os objetivos e o torcedor falar que o time é vencedor", disse Loco Abreu.

O que eles disseram?
O iG lançou a pergunta para ídolos do passado e botafoguense ilustres. 'Loco Abreu já pode ser considerado o maio estrangeiro da história do Botafogo?'. Veja o que cada um respondeu:

Maurício Assumpção, presidente do Botafogo
"Eu tinha uma idolatria muito grande pelo Fischer. Inclusive eu conheci ele quando era criança. Estava jogando futebol no prédio da minha avó, que morava em Copacabana. Ele entrou para perguntar se poderia alugar uma vaga de garagem, pois estava mudando para o bairro. Eu fiquei maravilhado de ver o ídolo do meu time de perto.

Mesmo assim, acho que o Loco Abreu trouxe um título junto com ele, tem uma torcida enlouquecida por ele, a garotada adora o Loco de paixão. Ele conseguiu traduzir um sentimento da torcida do Botafogo, pela necessidade de um ídolo, e ele retribuiu isso de uma forma muito carinhosa. Acho que o Loco, além dos gols, além de ser ídolo, tem uma função interna que não poderia dizer se o Fischer desempenhava naquela época, que como líder de um grupo é muito importante. Na minha opinião, o Loco Abreu é sim o jogador estrangeiro mais importante da história do Botafogo".

Túlio Maravilha, ídolo e campeão brasileiro em 1995
"Foram poucos e dos jogadores estrangeiros que passaram pelo clube, não tiveram tanta identificação como ele está tendo. Com menos de dois anos de Botafogo, ele já tem a faixa de capitão, um título de Campeão Carioca com aquele gol de cavadinha em cima do Flamengo, isso marcou demais sua história no Botafogo até agora.

Renato entrega quadro comemorativo para Loco Abreu pelos 50 gols marcados
Divulgação/Agif
Renato entrega quadro comemorativo para Loco Abreu pelos 50 gols marcados
Com certeza ele já entrou para a galeria dos grandes ídolos, encarnou muito bem essa camisa número 13 que foi do Zagallo. Sem dúvida nenhuma o Loco Abreu já ganhou o posto número um de estrangeiro mais carismático e ídolo da história do Botafogo. Para culminar, só falta o título de campeão brasileiro. Ai sim ele estará eternizado nas páginas do Botafogo"

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Maurício 89, autor do gol que deu o título carioca de 1989
"Ele conseguiu uma coisa difícil, um jogador de outro país ser ídolo aqui no Botafogo. Conseguiu através de méritos dele, é um artilheiro, um cara humilde, simples. Joga simples e objetivo. Dando um título para a torcida botafoguense, ele demonstrou que tem todos os requisitos para ser, e já é, um grande ídolo da torcida botafoguense. Não desmerecendo outros estrangeiros que defenderam o Botafogo, todos foram importantes, mas ele está em outro nível, é um jogador de seleção uruguaia e merece tudo que conquistou"

Carlos Roberto, campeão brasileiro em 1968, companheiro de Fischer
“É complicado, porque o Fischer jogou muito mais tempo. Tem que dar tempo para o Loco Abreu, mas acho que o argentino era mais jogador, tinha mais habilidade. Ele cabeceava muito bem, chutava com as duas pernas, tinha velocidade. Vai depender do que o Loco conquistar, mas até agora acho que ele não ultrapassou o Fischer”

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