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Vinte treinadores aprendem em aulas práticas e teóricas os métodos do futebol mais admirado da atualidade

Metodologia PAD e Xevi Marcé. Termos inéditos? Palavras estranhas? Seja como for, elas estão por trás do sucesso do Barcelona . Aquele futebol envolvente, ofensivo e certeiro não caiu por acaso no colo do técnico Pep Guardiola. É fruto de uma década de trabalho com as categorias de base do clube catalão.

E é para aprender mais sobre os segredos do Barça que 20 técnicos brasileiros participaram na última semana, no Rio de Janeiro, do “Curso de treinadores do Barcelona”. Por meio de palestras e aulas práticas em campo, eles conheceram de perto os treinos daquele futebol que fez até Neymar se render .

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A filosofia do clube é implantada e seguida desde as categorias de base até o time adulto profissional. Sem exceção. Esse é um dos aspectos da receita de sucesso do Barcelona. Todos seguem a cartilha Barça. Se um técnico entra no clube, ele não pode simplesmente aplicar seus métodos.

Em tempo: a metodologia PAD, iniciais de percepção, análise e decisão, é aplicada aos garotos do Barça desde cedo. Tudo em nome da boa técnica e da ofensividade, aliada ao treinamento do olhar e da mente para aprimorar o toque de bola.

Já Xavi Marcé é o nome do diretor do Barcelona, idealizador das escolinhas e responsável pela internacionalização da marca do clube. E o que é a marca Barcelona, se não o estilo ofensivo de jogar?

Bobinho esperto
Por meio da metodolgogia PAD são repassados e refletidos aspectos como orientações corporais e posições em campo. Uma prática muito utilizada para desenvolver isso é o nosso velho conhecido “bobinho”. Na brincadeira uma pessoa fica no meio de um círculo formado por outras tentando tirar a bola delas.

Segundo Isaac Guerrero, coordenador das escolinhas de futebol do Barcelona, no “bobinho” os jogadores desenvolvem visão-periférica e intercâmbio de posições, entre outras coisas. O efeito do treino no time principal é visível. Na final do Mundial de Clubes da Fifa, às vezes, a impressão para muitos era de que o Barcelona estava brincando de “bobinho” com o elenco do Santos.


No dia a dia, os jogadores também são orientados a focar no desenvolvimento da posição em campo. Quando passar a bola, situar-se fora do ângulo de visão do oponente e jogar a diferentes alturas estão entre os conceitos repassados. O roteiro conta ainda com formação teórica em sala de aula.

“Temos como regras fundamentais fazer um futebol criativo, com posse de bola e ofensivo. Buscamos alcançar isso com paciência e tranquilidade. Nosso objetivo é continuar formando bons jogadores e técnicos”, diz Guerrero.

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Participante do curso no Rio, Gustavo Lopes, de 42 anos, diz ter ficado impressionado com a organização e cultura do Barcelona. “Lá, existe uma cartilha que você tem que seguir. Isso acaba refletindo no campo. Desde a categoria de base eles já têm esse conceito”, ressalta. “Mas também não podemos trazer tudo para o Brasil porque as condições são diferentes. O gramado de lá, por exemplo, é tão bom que parece grama sintética. Temos que copiar a ideia”, conclui.

Ênfase na criançada
Dono de uma escolinha em São Paulo, Ricardo Fernandes, formado em Educação Física, destaca a importância que o Barcelona dá às crianças. “No Brasil a gente tem grandes técnicos, mas ainda sinto falta ainda de um trabalho voltado para lidar com as crianças. É importante nesta fase você orientar os meninos e conscientizá-los. Ver o que é feito com as crianças no Barcelona vai acrescentar muito.”

Isaac Guerrero, coordenador do projeto e professor dos meninos do Barcelona desde 2003, comanda pessoalmente o projeto no Rio, que inclui uma clínica para meninos de 6 a 12 anos.

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Ele está no Rio desde o começo da última semana e foi quem instruiu os candidatos a técnico. Na clínica será aplicada nas crianças toda a filosofia desenvolvida em 2002 por Xevi Marcé, ex-atleta do cube catalão. Desde então, qualquer treinador que do Barcelona tem de seguir os métodos criados por Xevi.

Os organizadores do projeto querem agora ampliar o número de escolinhas pelo mundo. O Brasil, que recebe as aulas pela primeira vez, foi o oitavo país selecionado – antes vieram Peru, Coreia do Sul, Japão, Emirados Árabes, Kuwait, Egito e Polônia.