Caixa faria "ponte" de financiamento do BNDES a clube para obra do estádio. Projeto paraolímpico foi oferecido

A Caixa Econômica Federal pode intermediar o empréstimo que a empresa a ser criada por Corinthians e Odebrecht para a construção do “Fielzão” tomará do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). O banco estatal confirmou que foi procurado pelo clube, apesar da negativa do presidente corintiano Andrés Sanchez. A “ponte” serviria como garantia ao BNDES, pouco propenso a liberar o financiamento que bancará R$ 400 milhões da obra do estádio indicado por São Paulo para receber a abertura da Copa do Mundo de 2014 – o total pode chegar a R$ 700 milhões.

“Houve apenas um contato inicial por parte do Corinthians, mas não é possível informar se a CAIXA irá ou não participar dessa operação, tampouco citar em que condições”, informou o banco ao iG , por meio da assessoria de imprensa. No dia 28 de março, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Sanchez negou que tenha procurado a Caixa. “Eu nunca fui à Caixa Econômica Federal. Quem diz que fui é mentiroso. Eu nunca fui na Caixa, nem Banco do Brasil, nem nada. Nenhum representante meu foi também. O único lugar que o Corinthians foi e está indo é o BNDES junto com a Odebrecht”, disse Sanchez.

Terreno em Itaquera onde será construído estádio do Corinthians, na zona leste de São Paulo
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Terreno em Itaquera onde será construído estádio do Corinthians, na zona leste de São Paulo

A negociação funcionaria da seguinte maneira: o BNDES liberaria os R$ 400 milhões para a Caixa, que repassaria o dinheiro para a empresa que Corinthians e a construtora Odebrecht criarão para construir e administrar o estádio de Itaquera, na zona lesta da capital paulista. A Caixa pagaria os juros menores que o BNDES está cobrando para financiar obras de estádio e repassaria um valor maior ao clube. O custo final sairia mais caro para o Corinthians, mas agilizaria o processo, já que há dificuldade para aprovação do financiamento.

O iG apurou que a proposta para a Caixa intermediar o empréstimo não foi o primeiro contrato entre Corinthians e o banco sobre o “Fielzão”: houve conversa sobre a possibilidade de o banco comprar o “naming rights” (patrocinar o nome do estádio), valor que será usado para bancar boa parte do financiamento. O diretor de marketing do Corinthians, Luís Paulo Rosenberg, acredita que possa conseguir até R$ 330 milhões por dez anos, valor considerado alto pelo mercado, que avalia a marca entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões pelo mesmo período.

A Caixa teria o nome do estádio e poderia construir no terreno equipamentos que seriam utilizados por atletas paraolímpicos. A empresa é a principal patrocinadora do Comitê Paraolímpico Brasileiro e pretende intensificar investimentos na área com foco nos Jogos Paraolímpicos de 2016, que assim como a Olimpíada será realizado no Rio de Janeiro. Essa negociação, porém, empacou e no momento a Caixa serviria apenas como garantidora do empréstimo do BNDES.

O “Fielzão”

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Divulgação/Werner Sobek
Nova imagem do "Fielzão", mostrando como será a cobertura do estádio
O estádio foi projetado inicialmente com capacidade para 48 mil pessoas e avaliado em R$ 335 milhões, valor que Corinthians e Odebrecht, parceria na obra, pegariam no BNDES (a construtora seria a avalista). O custo seria bancado pela venda do “naming rights” – a diferença seria paga pelo clube, com carência de três anos após a construção ser finalizada, o que nas contas resolveria o problema porque já teria ativos para vender (camarotes, cadeiras e receitas de bilheteria e estacionamento).

O custo aumentou quando o estádio foi indicado pelo governo paulista como a sede do estado para a Copa de 2014 e, consequentemente, para abertura do Mundial. Por questões econômicas, Fifa (Federação Internacional de Futebol e Associados) e COL (Comitê Organizador Local) preferem São Paulo para receber o jogo inaugural. O problema é que foi preciso alterar o projeto, de 48 mil para 65 mil espectadores, o que aumentou o preço para R$ 600 milhões (que pode chegar a R$ 700 milhões, já que a Odebrecht não finalizou o orçamento).

Além da demora para liberação do dinheiro, outros problemas já atrasaram em dois meses o início da obra: a retirada de dutos da Petrobras que passam pelo terreno em Itaquera , hoje CT da base corintiana, e uma ação do Ministério Público que pede a reintegração de posse do município. O local foi concedido ao Corinthians, por 90 anos, em 1988, mas era preciso ter construído um estádio em cinco anos, o que não foi feito.

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