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Futebol
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Baixinho para o São Paulo, David Luiz desponta na seleção de Mano

Ex-torcedor de Corinthians e São Paulo, zagueiro diz que tem Kaká como referência e que jamais cogitou a hipótese de defender a seleção portuguesa

iG São Paulo |

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As constantes convocações de David Luiz, do Benfica, por Mano Menezes para a seleção brasileira causaram certa surpresa entre os torcedores brasileiros. Mas, em Portugal, a sensação é outra: demora. Hoje com 23 anos, David Luiz está no futebol português desde os 19. Nesse período, transformou-se num dos principais ídolos do Benfica e titular absoluto do atual campeão português.

Andar por Lisboa, aliás, é perceber que aquele zagueiro da vasta cabeleira tornou-se uma celebridade do futebol. Um carinho que conquistou não apenas com boas partidas. "Aprendi que só entrar em campo e jogar bola é pouco. Tem que entender o sentimento das pessoas, das crianças, das senhoras que torcem por nós. Fico até arrepiado", disse ao iG, mostrando os pelos do braço.

No melhor "estilo Kaká", o evangélico David Luiz é extremamente ligado à família. Em pouco mais de meia hora de entrevista no centro de treinamento do clube, em Seixal, que o rio Tejo separa de Lisboa, não há perguntas que o façam mudar o tom de voz ou fugir da resposta. Palavras como "humildade", "gratidão" e "pureza" repetem-se com frequência.

"Busco sempre ter humildade, uma postura centrada, correta. Quero ajudar as pessoas, seja com um sorriso na rua, com um abraço ou com um bom jogo".

Paulista de Diadema, David Luiz é um dos zagueiros mais caros do futebol mundial. Comprado aos 18 anos, do Vitória, por um 1,6 milhão de euros, hoje ele tem uma multa rescisória de 50 milhões de euros. E pensar que um dia foi dispensado do São Paulo porque, segundo ele conta na entrevista abaixo, era "muito baixinho".

iG: Você esteve em todas convocações feitas por Mano Menezes até agora. Como está sendo o trabalho com o novo treinador da seleção?
David Luiz: O Mano é uma pessoa muito simples, que fala de uma forma muito direta, muito franca, o que quer da gente. Isso é uma forma boa de falar com todas as pessoas. Acho que, quando as pessoas têm respeito, são sinceras e falam no olho, é a melhor coisa que elas podem ter. Assim eu senti o Mano, muito aberto ao diálogo. E a cada convocação, não só eu, mas todo jogador tem que mostrar seu valor, pois as pessoas capacitadas da comissão técnica com certeza vão distinguir quem tem capacidade para estar na seleção ou não.

iG: Muitos brasileiros não te conheciam antes da seleção. Como foi o seu começo de carreira?
David Luiz: Saí aos 14 anos das categorias de base do São Paulo Futebol Clube, onde não tive muita oportunidade, e fui para o Vitória da Bahia. Lá fui crescendo e tive a oportunidade de me tornar um atleta profissional. Aos 19 anos apareceu a proposta do Benfica e, como todo jogador brasileiro quer jogar na Europa, graças a Deus isso aconteceu cedo na minha vida.

iG: Por que não deu certo no São Paulo?
David Luiz: Fiquei no São Paulo dos 9 aos 14 anos. Fui mandado embora porque falaram que eu não iria crescer, que era muito baixinho (diz no alto de seu 1,89 m). Mas eu ainda era muito miúdo e jogava como meia-atacante. São coisas do futebol. Aí surgiu a chance de fazer um teste no Vitória, e este foi o único pedido que fiz pra minha mãe:  pagar a viagem de avião para Salvador. Graças a Deus, depois pude retribuir e pagar não apenas a passagem para ela, mas melhorar a qualidade de vida dos meus pais.

iG: Você teve uma infância difícil em Diadema?
David Luiz: Vim de uma família carente, mas tenho pais abençoados que sempre lutaram para que não faltasse nada em casa. Minha irmã também é uma pessoa maravilhosa. Fui um cara que desde cedo lutei pelos meus sonhos. Saí cedo de casa em busca de um sonho incerto, sabia que tinha de renunciar a muitas coisas se quisesse chegar a algum lugar.

iG: Você foi vendido para o Benfica por 1,6 milhão de euros e hoje vale 50 milhões...
David Luiz: Meus pais sempre me ensinaram que, independentemente do que temos ou somos perante a sociedade, perante Deus nós somos todos iguais. A gente luta para ter reconhecimento. Eu tento melhorar a cada dia, crescer.  O valor de cada um é aquilo que cada um imagina ser. Eu tive apenas a oportunidade que tantos outros queriam ter. É um presente, tenho gratidão por tudo isso.  Busco sempre ter humildade, uma postura centrada, correta. Quero ajudar as pessoas, seja com um sorriso na rua, com um abraço ou com um bom jogo. Tenho consciência que posso mexer com a vida de outras pessoas com um simples ato.

iG: E você tem até fã-clube em Portugal. É um ídolo da torcida, e quando o Luisão não joga você é o capitão do time. Como conquistou tudo isso?
David Luiz: Sou extremamente feliz aqui, aprendi a amar esse clube, a viver esse clube. Aprendi que só entrar em campo e jogar bola é pouco. Tem que ser muito mais que isso. É viver, é entender o sentimento das pessoas, das crianças, das senhoras que torcem por nós. Fico até arrepiado. Tudo que puder fazer pra retribuir esse carinho, eu faço. Não tem dinheiro que pague essas coisas.

iG: Em Portugal era comum ouvir antes de sua convocação para a seleção brasileira, que poderia seguir os passos do Deco, Pepe e Liedson. Passou pela sua cabeça a naturalização portuguesa?
David Luiz: Falavam de liminares que poderiam me liberar a jogar por Portugal por eu ter apenas atuado pelo Brasil na seleção sub-20 (no Mundial da categoria, em 2007). Mas eu sempre deixei claro que não pensava nessa possibilidade. É meu sonho de criança, é o sonho da minha família, jogar pelo Brasil. Eu só viveria uma Copa do Mundo de verdade jogando pelo Brasil. Se não jogasse pela seleção brasileira, seria só mais uma equipe.

iG: Quem é a sua referência no futebol?
David Luiz: Admiro muito a postura do Kaká, não só como jogador, mas como pessoa. Eu também sou evangélico. Procuro agradecer sempre o que Deus me deu. O ser humano é falho, mas eu procuro sempre buscar acertar e fazer o bem, com pureza.

iG: E o convívio com o zagueiro Luisão no Benfica? Ele te passa a experiência de seleção brasileira?
David Luiz: Luisão é um cara que já viveu inúmeras coisas no futebol, que nós, meninos que estamos chegando agora, queremos viver. É um cara que já conquistou muito no futebol e que nos ajuda a crescer. Ele sempre diz que tudo se consegue querendo. É o que levo para a minha vida. Se eu quero alguma coisa, preciso fazer por onde conquistá-la, sempre com muita humildade. Ele merecidamente jogou duas Copas do Mundo e é o nosso respeitado capitão no Benfica. Quem sabe um dia eu possa estar vivendo estas mesmas coisas que ele vive hoje...

iG: Você é paulista e foi ainda adolescente para a Bahia. Qual o seu time do coração?
David Luiz: Eu sou benfiquista (risos). Tenho carinho pelo Vitória, acompanho o clube e diria que hoje sou torcedor do Vitória por ter sido o clube que me tornou profissional. Mas quando criança já fui são-paulino, corintiano... Torcia pra quem ganhava.

iG: Você pensa em voltar ao futebol brasileiro no futuro?
David Luiz: Tenho vontade de voltar, sim. Mas o meu futuro deixo nas mãos de Deus.

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