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Vivendo dias turbulentos, país viu dois clubes da primeira divisão e quatro da segunda se retirarem do campeonato nacional

Três jogadores da seleção do Bahrein foram detidos e seis clubes desistiram de participar do campeonato nacional por conta dos protestos antigovernamentais, confirmou nesta segunda-feira a Associação de Futebol do Bahrein.

As ações são parte de uma ofensiva generalizada contra os dissidentes que participam dos protestos antigovernamentais, que resultaram em jornalistas, blogueiros, médicos, advogados e ativistas detidos. Mais de 150 atletas, treinadores e árbitros também estão suspensos desde 5 de abril pelo suposto envolvimento em protestos contra o governo sunita do país, que começaram em 14 de fevereiro e já deixou 30 pessoas mortas.

O xeque Ali bin Khalifa Al Khalifa, vice-presidente da Associação de Futebol do Bahrein, reconheceu que os três jogadores foram detidos, mas não poderia fornecer mais informações. Ele disse que dois clubes da primeira divisão e quatro da segunda divisão se retiraram do campeonato nacional, que voltou a ser disputado há duas semanas devido a "pressão de grupos políticos xiitas".

Al Khalifa disse que os dois clubes de primeira divisão podem ser rebaixados e todos podem ser multados por sua recusa a jogar. "Alguns dos clubes durante os problemas se abstiveram de participar", disse Al Khalifa. "Nós não temos ninguém suspenso. Eles não são apenas participantes. Existe uma multa e punição, é claro".

Protestos no Bahrein começaram em 14 de fevereiro. 30 pessoas já morreram em virtude dos confrontos
AFP
Protestos no Bahrein começaram em 14 de fevereiro. 30 pessoas já morreram em virtude dos confrontos
No entanto, a Sociedade dos Jovens do Bahrein para os Direitos Humanos disse que os clubes de regiões de maioria xiita foram suspensos do campeonato por dois anos e multados em US$ 20 mil (aproximadamente R$ 31,4 mil).

Mohammed al-Maskati, presidente do grupo, disse que os times tinham parado de jogar durante os protestos em parte porque sentiam que era muito perigoso e também como um ato de protesto contra a morte de manifestantes.

Mas ele disse que quando os clubes anunciaram que estavam prontos para voltar a jogar, as autoridades decidiram suspendê-los e multá-los. "Eles não podem trabalhar normalmente quando os manifestantes são mortos nas suas aldeias", disse Al-Maskati.

"As autoridades querem dizer que você está apoiando os protestos e esta é a punição. Não é justo", disse. "Apenas porque você é um esportista não quer dizer que é errado ser político. Todos no mundo têm ideias sobre alguma coisa. Todos têm o direito de se envolver".