Presidente negou crise no futebol, pediu respeito, falou sobre doação e isentou Ricardo Teixeira de denúncias

Atordoado. Desta maneira o presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol e Associados), o suíço Joseph Blatter, concedeu entrevista nesta segunda-feira (30 de maio), em Zurique, para falar das denúncias de corrupção na entidade. Blatter teve momentos de desabafo, tentou terminar a coletiva duas vezes, voltou, falou com o microfone fechado e, no balanço, disse que a Copa do Mundo de 2022 não sai do Catar e inocentou o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, de receber propina de ex-parceira da Fifa.

“A Copa de 2022 não vai mudar de local. Não há provas de compra de votos”, disse Blatter. Seu secretário-geral, o francês Jerome Valcke, teve email vazado no domingo (29 de maio) sugerindo que os representantes do Catar compraram votos na eleição. Nesta segunda, em nota, Valcke disse que não sugeriu compra de votos, mas sim um forte lobby pelo poder econômico do Catar – o que na Europa não é crime.

Blatter foi inviestigado pela Fifa, mas teve o caso encerrado
AP
Blatter foi inviestigado pela Fifa, mas teve o caso encerrado

Blatter será candidato único na eleição da Fifa de quarta-feira depois que o catariano Mohamed Bin Hammam desistiu do pleito ao ser afastado do Comitê Executivo. Ele e Jack Warner, da Concacaf (Confederação dos países da América do Norte d a América Ventral) foram afastados por suspeita de compra de votos para a eleição.

Afastado, Hammam acusou de Blatter de também ter dado dinheiro à Concacaf, R$ 1,6 milhão. “O dinheiro dado pela Fifa, não por mim, à Concacaf foi para comemorar os 50 anos da entidade”, disse Blatter. O congresso da entidade, que reúne 25 votos na eleição, foi feito em maio.

Teixeira e Leoz
Blatter ratificou decisão do Comitê de Ética da entidade, divulgado no final da semana passada, que absolveu Teixeira e Nicolás Leoz , presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), de receberem suborno da ISL, empresa que patrocinava diversos campeonatos organizados pela Fifa nos anos 90 e que faliu em 2001.

“Não há provas contra Nicolás Leoz ou Ricardo Teixeira”, disse Blatter.

Apesar de a investigação na Fifa ter terminado, Teixeira continua sendo investigado pela justiça da Suíça. O presidente da CBF e João Havelange, ex-presidente da Fifa, teriam devolvido à justiça suíça quase R$ 6 milhões da propina que receberam para não ter o caso divulgado . Teixeira e Havelange negam, mas os documentos estão sob segredo de Justiça.

Blatter estava raivoso com os jornalistas, principalmente contra os ingleses. A Inglaterra é a principal crítica do presidente depois que perdeu a indicação para realizar a Copa do Mundo de 2018, que será na Rússia.

“Crise no futebol? Falo se está em crise se vocês me falarem o que é crise. Estamos em dificuldade e vamos superá-las”. Irritado com algumas perguntas sucessivas, o presidente da Fifa explodiu”. Isso aqui não é um bazar, é a casa da Fifa. Por favor, me respeitem”. Ele terminou com um adeus e deixou a sala pisando duro com alguns jornalistas ainda fazendo perguntas.

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