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Futebol
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Atletas da Copa do Mundo de 1994 lembram a empolgação de Zagallo

Jorginho, Bebeto, Aldair, Ricardo Rocha, Ronaldão e Raí contam ao iG como foi a trajetória rumo ao título após 24 anos de jejum

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Após 24 anos sem título mundial para o Brasil, Zagallo se juntou a Carlos Alberto Parreira como coordenador técnico para a Copa de 1994. Otimista, pé quente, o "Velho Lobo" era o motivador do grupo, por vezes criticado pelo estilo defensivo, mas que superou todos os obstáculos até a nova final contra a Itália, desta vez vencida nos pênaltis. Da confiança depois da vitória de virada sobre a Holanda ao triunfo nos Estados Unidos, os personagens da conquista contam as histórias do coordenador que completa 80 anos nesta terça-feira.

Enquanto Ronaldão lembra da polêmica envolvendo seu nome, Bebeto fala até da comemoração com "aviãozinho" para dar o troco nos sul-africanos que venciam o Brasil em 1996, já depois da Copa, e comemoravam com a coreografia. Zagallo tinha um hábito em 1994: a cada jogo vencido pelo Brasil, contava: "Só faltam quatro, faltam dois...". E, assim, não faltou mais nada na carreira de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro.

Confira os relatos dos jogadores da Copa de 94 ao iG:

Gazeta
Aldair lembrou a empolgação de Zagallo após a vitória sobre a Holanda
Jorginho
"Uma das coisas que me marcou muito na convivência com o Zagallo foi também a questão motivacional. Ele sempre estava ao lado do Parreira nas discussões de partes táticas e disciplinares, mas na questão de motivar um grupo e os jogadores ele fazia como ninguém. São coisas boas que a gente aprende e guarda para o resto da vida. Ele foi fundamental na conquista do Tetra em 1994 e nos ajudou bastante naquele Mundial nos Estados Unidos. A disciplina é uma das coisas que mais aprendi com ele e tento entre outras coisas da convivência aplicar no meu trabalho como treinador atualmente. Todo aprendizado é sempre muito bem-vindo. Zagallo é uma figura única e vencedora, que merece todas as homenagens".

"Lembro que após cada vitória na Copa de 1994, Zagallo entrava no vestiário com aquela vibração dele falando: 'Só faltam seis!'. Depois: 'Só faltam cinco!'. E por aí em diante até a semifinal. Quando vencemos a Suécia, ele disse que seríamos os campeões e aquilo contagiou o grupo de uma forma espetacular. Sempre apostou e motivou muito nós jogadores a superarmos os obstáculos naquela Copa. Além disso tudo, meu carinho por ele é enorme, pois foi ele quem me levou para o Flamengo em 1984, quando era treinador do time rubro-negro".

Ronaldão
"A presença de um vencedor na comissão técnica já era uma referência na Copa de 94, o Zagallo era uma pessoa que todos usavam como exemplo. Ele sempre incentivava em todos os jogos, sempre falava da mística da camisa da seleção. Em todos os momentos decisivos, antes de entrarmos no campo, ele falava com cada um: “Vamos ganhar, vamos ganhar!”. Lembro bem disso, o Zagallo passando essa mensagem, essa motivação, um a um. Sempre foi muito otimista, tinha muita presença de espírito. Recordo da minha chegada na Copa, quando muitos noticiavam que eu não gostava de ser chamado de Ronaldão, mas já tinha o Ronaldo, não poderia ter dois. Aí chega o Zagallo, logo quando me viu, falou: 'Seja bem-vindo à seleção brasileira, Ronaldão!'. Ri bastante, foi engraçado. Eu ia reclamar? Logo antes da Copa? Queria é meu nome da camisa, não importa qual. A imprensa é que começou a dizer que eu não queria, mas pelo amor de Deus, acha que eu reclamaria? Aí ele acabou logo com essa história no primeiro jantar.

Gazeta
Aldair lembrou a empolgação de Zagallo após a vitória sobre a Holanda
Bebeto
"Zagallinho é uma referência, sempre foi, me ajudou demais. Comecei a trabalhar com ele na época do Flamengo, é um segundo pai. Sempre acreditou em mim, está sempre pensando positivo, nunca vou esquecer, aprendi muito com ele. Amo muito o Zagallinho, é muito especial na minha vida, ele faz parte da minha família e sei que faço parte da dele. Ele nunca deixava de ser otimista. Passou aquela Copa de 94 inteira gritando a cada jogo: ‘Faltam seis!’, ‘Faltam dois’, ‘Agora ninguém tira mais esse título da gente, vamos lá, vamos ganhar!’. Que velhinho danado, um vencedor nato".

"Naquela vez que fiz o gesto de embalar o filho ele veio logo me dar os parabéns e outro dia pediu uma camisa minha. Era aquela do gol contra a África do Sul, em 1996, quando eles fizeram 'aviãozinho' para comemorar um gol e o Zagallo deu o troco quando fiz o da vitória. Aí ele me chamou na casa dele, quem vai na casa do Zagallo? Pois é, fui lá. Colocou a camisa em um quadro no quarto dele! Um cara tão consagrado, conta essa história para todo mundo. Foi muito legal. Tínhamos de fazer uma estátua para ele. Parabéns a ele, merece todas as homenagens".

Ricardo Rocha
"Era um cara muito otimista. Trabalhei com muita gente na seleção, mas ele é o nome mais forte, que tem mais representatividade quando se fala em vitórias e em seleção brasileira. Na final de 94, por exemplo, ele soube o momento de conversar com o grupo. Falou que eram 24 anos sem uma Copa do Mundo para o Brasil, contou a história de quando foi tricampeão em 70, da alegria do povo nas ruas, isso foi muito importante para aquela conquista. Sempre procurei me espelhar nele, essa vontade de ganhar, essa confiança. Eu me machuquei logo no começo, ele pediu a minha permanência, conversou comigo, disse para eu ficar tranquilo. É uma pessoa excepcional. Ele tem conta no mesmo banco que eu, nos encontramos sempre. Vou sempre guardar esse nome com muito carinho".

Gazeta
Aldair lembrou a empolgação de Zagallo após a vitória sobre a Holanda
Aldair
"Em 94, o que mais lembro é a determinação dele, a empolgação, sempre dizia que a cada jogo estávamos mais próximos da conquista. Estava sempre atento a tudo, procurava conversar com todos. A cada jogo ele vinha falar com a gente que a Copa seria nossa. Depois daquele jogo contra a Holanda ele veio dizer que ninguém nos tiraria mais aquele título. É uma pessoa que tinha o respeito de todo o grupo, foram momentos muito importantes. Acho que a partida mais complicada foi aquela semifinal contra a Suécia, pois passamos pela Holanda e aquele jogo nos daria vaga para a final. Então fiquei bastante ansioso. Mas o Zagallo continuou confiante o tempo inteiro e passou muito otimismo para todos".
 

Raí
"A história dele, não apenas em 94, mas tudo o que fez pelo esporte faz com que mereça todas as homenagens possíveis. É uma grande pessoa. Depois de 24 anos sem o Brasil ganhar nada, foi o grande motivador da seleção que encerrou esse jejum. Incentivava bastante os jogadores a cada jogo. Passava muita experiência, otimismo, equilíbrio para aquela equipe. Parabéns e muita saúde"

 

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