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Futebol
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'Ataques de sinceridade' dos boleiros quebram rotina. Veja casos

Não é comum, mas às vezes jogadores de futebol 'falam suas verdades', criam polêmicas, mas evitam o tédio

Allan Brito, iG São Paulo |

O volante Ralf, do Corinthians, é o mais novo membro de um grupo seleto no futebol, o de jogadores sinceros. Ou que ao menos têm "crises de sinceridade".

Na última quarta-feira, ele criticou abertamente Chicão, seu companheiro de equipe, por ter pedido dispensa do clássico contra o São Paulo. Dessa forma, por dizer o que realmente pensa, ele foi na contramão dos seus próprios companheiros e fez algo raro entre os jogadores, que costumam adotar discursos padronizados quando falam com a imprensa.

Mas Ralf não é pioneiro no Corinthians. Em sua história, o time paulista se acostumou a ter ídolos sinceros, como Sócrates e Neto, e ainda viu vários jogadores criarem polêmica recentemente por causa dessa característica. Émerson, Roberto Carlos, Ronaldo, Gustavo Nery e Nilmar aumentaram os casos de sinceridade coritiana, para o bem ou para o mal.

Aliás, essa é uma lição que todos jogadores do seleto grupo aprendem rapidamente: nem sempre é bom ser 100% sincero. Afinal, como a sinceridade é rara, ela às vezes choca e gera uma repercussão negativa. Jogadores importantes, como Rogério Ceni e Thiago Neves, tiveram que aprender isso a duras penas recentemente.

Não sou amigo de mau-caráter", disparou Marcos, o "Rei da sinceridade", sobre Neto

Mas um jogador específico merece um parágrafo à parte. O goleiro Marcos, do Palmeiras, frequentemente mostra que não liga para as consequências da "sinceridade extrema". Se o seu time vai mal, ele é o primeiro a criticar. Se alguém lhe incomoda, ele vai direto ao ponto, como já fez contra o ex-jogador Neto. Até se o gramado está ruim ele denuncia, como fez em um folclórico jogo contra o Sport, em Guaranhuns, no gramado que ele chamou de "pasto", gerando inclusive insatisfação da população local.

Portanto, apesar de ser raridade, os momentos de sinceridade acontecem no futebol. Relembre alguns casos recentes:

Faça-se a justiça

Arte iG
Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: há uma semana, o "Sheik" Émerson resolveu bancar o defensor da justiça. Ele foi questionado sobre a possível punição que seu companheiro de Corinthians, Chicão, receberia por causa de uma confusão com Valdivia, do Palmeiras. E surpreendeu na resposta.
O discurso padrão seria: "O Chicão é um jogador importante para o time, é uma liderança do elenco e não pode ser punido. Vamos torcer para que o STJD não faça nada"
Foi sincero porque... bancou o defensor da justiça, mesmo contra seu companheiro. "Acho que (Chicão e Valdivia) erraram também e tem que ser punidos", disparou.

 

Mundial ou Mundialito?

Arte iG
Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: Roberto Carlos foi para o Corinthians em 2010 e, apesar de seu passado palmeirense, chegou a conquistar a torcida alvinegra. Porém, ao comentar sobre o Mundial de Clubes de 2000, conquistado pelo Corinthians, o lateral derrapou.
O discurso padrão seria: "É a maior conquista do Corinthians, um time campeão mundial e que merece respeito. Todos times levaram a sério e o Corinthians teve méritos para ser campeão".
Foi sincero porque... jogando pelo Real Madrid, presenciou o descaso dos times europeus com o Mundial e relatou exatamente isso: “Era um Mundialito. Muitos jogadores do nosso time ficavam acordados até 5 horas. O pessoal não dormiu, muitos vieram aqui a passeio", contou.

 

Ronaldo concentrado em não concentrar

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Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: nem as famosas "twitcams" que Ronaldo fazia na concentração do Corinthians o tranquilizava. O "Fenômeno" detestava ter que ficar em hotéis antes dos jogos. Não só ele, é claro. Mas praticamente só ele criticava isso abertamente.
O discurso padrão seria: "A gente tem que respeitar a decisão do treinador e, se ele acha que a concentração ajuda, então tudo bem"
Foi sincero porque... detonou as concentrações sempre que pôde: "Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio venceria sempre", brincou Ronaldo, lembrando que na Europa não existe esse costume e os jogadores se apresentam no dia do jogo.

 

Pula, Gustavo Nery!

Arte iG
Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: Não bastou chamar seu novo time de "Corinthians Futebol Clube". Em sua apresentação no Parque São Jorge, em 2005, Gustavo Nery cometeu outra gafe ao revelar quais eram seus planos para o futuro.
O discurso padrão seria: "Eu tenho o projeto de jogar bem no Corinthians e fazer história por aqui"
Foi sincero porque... admitiu que na verdade só pensava em usar o Corinthians para conseguir outro objetivo. "Com certeza espero voltar ao exterior. Acho que o Corinthians pode ser um trampolim para a Europa", admitiu, logo em sua apresentação.

 

Nilmar e os grandes

Arte iG
Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: Revelado no Internacional, Nilmar foi comprado pelo Corinthians em 2005, mas cometeu uma gafe em sua apresentação, pois pareceu esquecer em qual clube foi formado.
O discurso padrão seria: "Estou feliz por poder jogar em mais um time grande do Brasil"
Foi sincero porque... Nilmar deixou de lado o Inter e simplesmente disparou: "Estou feliz por finalmente jogar em um time grande no Brasil". Em 2007, o atacante chegou defender novamente pelo time gaúcho.

 

  

Thiago Neves "amarela"

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Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: esse caso é mais recente que os anteriores, apesar da prática ser antiga. Afinal, não é de hoje que jogadores forçam um cartão amarelo para escolherem em qual partida não vão jogar. Mas apenas Thiago Neves admitiu que fez isso para não jogar contra o Ceará.
O discurso padrão seria: "Eu quero mais é jogar sempre e jamais forçaria um cartão para ficar de fora de uma partida"
Foi sincero porque... confessou que Ronaldinho Gaúcho e ele forçaram um cartão amarelo para que o Flamengo contasse com os dois em jogos importantes. "O cartão foi bem pensado", disse ele, que ainda foi além: "Com todo o respeito ao Ceará, mas os outros vão brigar pelo título", analisou.

Thiago Neves na marcha ré

O caso: a sinceridade é mesmo um mau para Thiago Neves. Em 2009, ao voltar para o Fluminense, ele já tinha cometido uma gafe por sempre falar o que pensa. Ele entendia que, naquele momento, sair da Europa e voltar ao Brasil era um mau negócio
O discurso padrão seria: "É uma honra voltar ao Fluminense, time em que eu já tenho uma história. Pretendo dar muitos passos para frente aqui"
Foi sincero porque... fez uma comparação que soou absurda: "Acho que estou dando um passo para trás agora para depois poder dar dois passos à frente. É essa a minha intenção", decretou.

Rivaldo não ajuda

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Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: a maior batalha de um dirigente do futebol brasileiro é segurar seus principais jogadores, já que eles têm como destino natural a Europa. Mas Rivaldo não quis contribuir com isso ao comentar sobre uma possível transferência do seu companheiro Lucas.
O discurso padrão seria: "Espero que o Lucas fique no São Paulo. Isso seria importante para ele, que é muito importante para o time".
Foi sincero porque... disse exatamente o contrário do que a diretoria do São Paulo queria: "Eu acho que o Neymar e o Ganso precisam sair o mais rápido possível. Vale para o Lucas também", opinou.

 

Ceni cai na sinceridade

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Ceni não mentiu ao dar opinião sobre Neymar
O caso: mais um são paulino abusou da sinceridade recentemente. Rogério Ceni, que também costuma falar o que pensa, se envolveu em polêmica com Neymar.
O discurso padrão seria: "Neymar é o melhor do Brasil e precisa ser protegido, já que sofre muitas faltas mesmo"
Foi sincero porque... ainda tentou amenizar a polêmica e até elogiou o futebol de Neymar, mas não teve jeito. "Garanto que nem 50% das entradas são faltosas, nem 50%. Agora, que ele é o melhor jogador do Brasil não se discute. Mas em 50% é simulação", comentou.

 

Marcos, o "Rei da sinceridade"

O caso: Para Marcos, goleiro do Palmeiras, o mais difícil é escolher um momento no qual ele não foi sincero. Afinal, seria possível fazer um livro só com frases em que ele foi 100% transparente. Mas um caso mais recente, após a derrota por 6 a 0 contra o Coritiba, chamou a atenção.
O discurso padrão seria: "Foi uma derrota difícil e agora precisamos nos concentrar para o segundo jogo".
Foi sincero porque... disparou uma série de pérolas para criticar o seu time e não escondeu a frustração. "Se soubesse que o time estava na nhaca de hoje eu falava para o Felipão não me colocar". E completou: "O que a gente fez hoje foi uma verdadeira vergonha".

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Felipão e a várzea palmeirense

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=esporte%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1597224250480 &_c_=MiGComponente_CO caso: em má fase no Campeonato Brasileiro de 2010, o Palmeiras foi para Salvador e só empatou por 1 a 1 com o Vitória. O resultado irritou demais Felipão, que não poupou sinceridade.
O discurso padrão seria: "Um empate fora de casa não é um mau resultado e só precisamos corrigir alguns erros para não perder pontos fáceis".
Foi sincero porque... não poupou críticas ao próprio elenco e disse que houve erros "que não acontecem nem em jogo de casados contra solteiros".

 

 

Ilsinho pula do Titanic

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O discurso padrão seria: "Tenho muito carinho pelo Palmeiras, mas agora sou jogador do São Paulo e preciso respeitar a camisa que visto"
Foi sincero porque... não quis saber de fazer média com o clube que o revelou e foi criativo ao criticá-lo: "Saí de uma fria. Pulei do Titanic quando ele estava afundando", comparou.

 

 

Joel e os peixes

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O discurso padrão seria: "Estou aberto a propostas e posso negociar com qualquer time"
Foi sincero porque... criou uma metáfora para recusar uma negociação com o Bahia: "Estou esperando peixe grande, sardinha não", afirmou o técnico, que foi para o Cruzeiro e agora aceitou o peixe pequeno, pois está treinando o Bahia.


 

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