Orçamento da construtora para assentos removíveis é de R$ 46,6 milhões, bem inferior aos R$ 70 milhões cogitados

Os assentos colocados pela empresa indicada pela Fifa no estádio da Cidade do Cabo
Divulgação
Os assentos colocados pela empresa indicada pela Fifa no estádio da Cidade do Cabo
No orçamento que a Odebrecht enviou ao Corinthians para a construção do estádio em Itaquera, zona leste de São Paulo, a arquibancada removível que permitirá ao “Fielzão” ser escolhido para a abertura da Copa do Mundo de 2014 foi cotada com valor 33% inferior ao anunciado em evento no final de julho. Estimado na ocasião em cerca de R$ 70 milhões , os assentos móveis custam na verdade R$ 46,6 milhões, segundo a construtora colocou no documento elaborado em junho ao qual o iG teve acesso.

O Governo Estadual, interessado nos recursos que o jogo da abertura pode trazer a São Paulo, anunciou em 20 de julho, durante a cerimônia da assinatura de incentivos fiscais que a Prefeitura da Capital também concederá, que vai arcar com a colocação da arquibancada removível, cujo custo não está incluído nos R$ 820 milhões da obra . Procurado, o Comitê Paulista para a Copa informou que o orçamento dos assentos ainda não foi apresentado, e que a informação a respeito dos R$ 70 milhões foi dada por um engenheiro da Odebrecht. O Governo pode até pedir uma cotação paralela se achar que o custo está alto.

Carlos Armando Paschoal, diretor superintendente da Odebrecht, disse em entrevista à Rádio CBN, no dia 20 de julho, que o valor dos assentos removíveis ficaria entre “R$ 60 e R$ 70 milhões”. A Odebrecht informou ao iG nesta quinta-feira que houve confusão na época e que o custo será o registrado no orçamento apresentado ao clube, mas que podem ocorrer pequenos ajustes. A diretoria corintiana afirmou, por meio da assessoria, que ainda discute alguns pontos do acordo com a construtora – o contrato para a obra ainda não foi assinado , apenas um documento que permitiu a terraplenagem e a drenagem do terreno.

Como será pago o Fielzão

O valor que a Odebrecht apresentou é 11% mais caro que o feito por outra construtora, a Serpal, em orçamento paralelo que o Corinthians cotou para forçar a parceira a diminuir o valor que passou do R$ 1 bilhão em um dos primeiros documentos enviado ao clube. A Serpal avaliou em R$ 41,7 milhões a colocação e retirada da arquibancada móvel, mas também bem inferior aos “R$ 60 ou 70 milhões” informados no evento de julho. O engenheiro Marcelo Tessler, que fez a cotação para a Serpal, preferiu não se pronunciar a respeito.

Valores
A colocação da arquibancada móvel aumentará de 48 mil para 68 mil lugares a capacidade do “Fielzão”, o que o torna apto a receber a abertura do Mundial . Os assentos, porém, só podem ser comprados de uma empresa indicada pela Fifa, a suíça Nussli – que fez, por exemplo, a ampliação da capacidade do estádio da Cidade do Cabo, na África do Sul, para a Copa de 2010. Como a Fifa exige a empresa, não é possível cotar valores distintos, por isso os orçamentos da Odebrecht e da Serpal são similares.

Os valores cotados pela Odebrecht que chegarão a R$ 46,680 milhões:

Obra Preço
Arquibancada provisória (Nussli) R$ 27,060 milhões
Carpete provisório R$ 1,170 milhão
Insuflamento pelo piso R$ 3,010 milhões
No-Break e combate a incêndio R$ 2,990 milhões
Diversos Fifa R$ 12,450 milhões

Na seção "diversos Fifa" estão incluídos alguns dos seguintes itens:

Obra Preço
Tribuna de imprensa provisória R$ 2,398 milhões
Aluguel de cercas R$ 1,798 milhão
Elevadores R$ 1,893 milhão
Mobilizações e desmobilizações R$ 2,398 milhões


O Corinthians já avisou a Odebrecht que não vai ficar com a arquibancada provisória, que será retirada depois ao custo de R$ 2,3 milhões, incluído no orçamento como “Diversos Fifa”. O clube entende que seria caro manter um estádio com capacidade para 68 mil pessoas. Caso quisesse ficar com os assentos, teria que pagar o Governo de São Paulo.

“O que o Estado vai fazer é dar apoio logístico ao evento de abertura da Copa e não ao estádio do Corinthians. Após a realização dos jogos, essa estrutura será retirada. Nenhum parafuso dessa estrutura provisória ficará com o Corinthians”, disse em julho Emanuel Fernandes, secretário de planejamento do Estado de São Paulo. Se confirmada a participação pública, o Governo pode procurar empresas que topem ajudar no negócio.

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