Jogadoras da liga profissional americana têm sofrido com reduções salariais. Marta e a “goleira-musa” Hope Solo são exceções

Mesmo tendo a principal liga de futebol feminino do mundo, os Estados Unidos passam por um momento de crise no esporte. Pouco mais de vinte dias depois de conquistar o vice-campeonato mundial , as atletas americanas voltaram a disputar a WPS (Liga de Futebol Feminino Profissional) e convivem com discussões sobre reduções salariais e até de benefícios como plano de saúde e odontológico.

Em seu terceiro ano de existência, a WPS conta hoje com seis equipes e, segundo reportagem do jornal “The New York Times”, o salário anual médio das jogadoras é de US$ 25 mil (cerca de R$ 40 mil). No entanto, apesar do crescimento de índices de audiência e público nos estádios – de 2741 torcedores para 5164 depois da Copa do Mundo -, as atletas dizem que esse valor está caindo e algumas não recebem mais que US$ 200 por partida.

O magicJack, time sediado na Flórida e que conta com sete jogadoras da seleção americana, está inclusive sendo ameaçado de expulsão da liga por violar procedimentos administrativos. Enquanto isso, a atacante Abby Wambach, uma das principais jogadoras do time e da seleção, passou a acumular também o posto de técnica da equipe. Já o dono da equipe, Dan Borislow, alega que os gestores da WPS colocaram em risco a existência do campeonato por conta dos salárioa baixos, que transformaram algumas jogadoras quase em “escravas”.

Nesse cenário de instabilidade financeira, as exceções são duas das atletas mais famosas do futebol feminino. A “goleira-musa” dos Estados Unidos, Hope Solo (veja galeria de fotos abaixo) , que também defende o magicJack e foi a principal responsável pela eliminação do Brasil no Mundial , incrementou sua renda em mais US$ 100 mil por ano graças a um patrocínio pessoal da Gatorade. Já a brasileira Marta , que joga pelo Western New York, tem um salário absolutamente incomparável aos das colegas de profissão, na cada dos US$ 500 mil anuais.

Algumas estrelas se mostram solidárias na questão da desigualdade de salários, como Christie Rampone, capitã da seleção americana. “Nós, jogadoras da seleção, acho que vamos ficar bem, mas você não pode ter um campeonato com atletas que não estejam recebendo quase nada”, disse. “Eu mereço o dinheiro que ganho? Sim, mas outras jogadoras também são profisionais e devem ganhar mais. Eu não quero estar em campo contra alguém que ganha 200 dólares por um jogo, não acho justo”, completou.

Rampone chegou a considerar a implantação de um modelo amador, como em alguns países da Europa, onde além de jogar, as atletas têm outros empregos. Isso abaixaria os salários mais altos da liga e aumentaria os mais baixos. Enquanto essas situações não são resolvidas, as jogadoras se concentram nos playoffs da WPS e já pensam no pré-Olímpico para Londres-2012 , que acontece em janeiro. Afinal, os Jogos Olimpícos são vistos como um importante fator para manter o futebol feminino em evidência.

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