Maioria dos clubes vê o Estadual como laboratório. Mas o que não deve ser tão relevado virou pressão

A maioria dos clubes com a Série B pela frente costuma iniciar a temporada com um discurso pronto: o campeonato estadual tem sua importância, mas serve mais como um laboratório para conquistar o acesso à elite nacional. Em 2011, porém, apenas dois dos times que estarão na segunda divisão do Brasileiro obtiveram conquistas regionais. E o que não deve ser tão relevado virou pressão para a prioridade do ano.

Com exceção de ABC e ASA, campeões no Rio Grande do Norte e em Alagoas, respectivamente, as equipes tentam se recuperar de baques regionais para que suas diretorias tenham argumentos para justificar o planejamento para a temporada. Mesmo sem taça, a conquista de uma das quatro vagas na Série A já pode ser considerada um título.

Os participantes terão que mostrar um nível mais elevado na competição que começa nesta sexta-feira para não tornar o torneio uma disputa de nervos que envolva mais raiva e apreensão do que o confrontos de elencos de qualidade. Até mesmo em âmbito nacional, 2011 começou com decepção. Nove dos 20 clubes que disputarão a Série B estiveram na Copa do Brasil, e nenhum foi além das oitavas de final.

Cinco deles foram eliminados logo na primeira fase: o ABC perdeu do Vasco, o ASA caiu diante do Horizonte-CE, a Portuguesa foi superada pelo Bangu, o Sport não passou do Sampaio Corrêa-MA e o Vitória acabou vencido pelo Botafogo-PB. Já Paraná e Ponte Preta pararam na segunda fase, contra Botafogo e Goiás, respectivamente. Os goianos e o Náutico caíram nas oitavas, facilmente batidos por São Paulo e Vasco, respectivamente.

O ABC, pelo menos, manteve seu momento de ascensão que teve como ápice a conquista da Série C do Brasileirão em dezembro, junto com o retorno à Série B. No âmbito regional, a equipe foi bicampeão potiguar neste mês e ratificou-se como clube brasileiro com mais títulos estaduais - chegou a 52.

Além dele, o ASA fez sua parte para firmar-se como principal força do futebol alagoano. Foi campeão estadual pela quinta vez neste século, em 11 disputados neste período. Ao menos regionalmente, assim como o ABC, começará a Série B sem as contestações por um início de temporada questionável.

Algo que ocorrerá aos outros 18 times que disputarão a segunda divisão nacional. E muitos vêm de decisões frustrantes. Vitória e Goiás, por exemplo, tiveram em suas mãos a oportunidade de acalmar a torcida depois do rebaixamento na Série A do ano passado, mas perderam as finais estaduais para Bahia de Feira de Santana e Atlético-GO, respectivamente.

O Sport, por sua vez, poderia aliviar a já característica pressão que vive para voltar à Série A. Montou o elenco mais badalado em Pernambuco para conquistar o sexto Estadual seguido e pôr fim a um dos maiores orgulhos do Náutico, que chama o hexa de luxo por ser o único a alcançá-lo, nos anos 60. O Leão da Ilha do Retiro até eliminou o Timbu nas semifinais, mas foi superado pelo Santa Cruz na decisão e ficou com o vice.

O mesmo ocorreu com o Criciúma. No vácuo das más campanhas de Avaí e Figueirense, representantes de Santa Catarina na Série A, o Tigre manteve o embalo conquistado com o acesso na Série C do ano passado. Mas não soube atuar sem a condição de zebra e, como favorito, perdeu na decisão estadual para a Chapecoense.

Em situação de menor otimismo para sua torcida estão os paulistas, que mais uma vez são maioria na Série B. No Estadual, entretanto, nenhum dos sete representantes do Estado conseguiram fazer frente aos quatro grandes. Com classificação tranquila, Santos, Corinthians, Palmeiras e São Paulo terminaram a primeira fase encarando os jogos como amistosos enquanto o resto se matava na busca por vaga nas quartas de final.

Entre os sete, a Ponte Preta é quem inicia a segunda divisão nacional credenciada por melhor campanha, já que foi derrotada por 1 a 0 no primeiro mata-mata para o campeão Santos. A Macaca, contudo, perdeu a oportunidade de entrar mais animada na competição ao perder o Troféu Campeão do Interior para o Oeste de Itapólis. Já a Portuguesa encerrou um jejum de 13 anos sem chegar às fases finais do Paulistão e prevê que, com mais tempo e mudanças no elenco, o técnico Jorginho possa fazer seu trabalho dar mais resultado. A expectativa por um futebol de qualidade acima da mostrada nas quartas de final do Estadual - a Lusa impôs muita dificuldade para ser vencida por 2 a 0 pelo São Paulo.

Entre os outros participantes, o São Caetano renovou sua fama de complicar equipes grandes, mesmo sendo eliminada na primeira fase, mas precisará superar a péssima campanha que fez diante de concorrentes menos cotados, como encontrará na Série B. Mais trabalho terão ainda o Americana (antigo Guaratinguetá), que aposta nos gols do veterano Dodô, e o Bragantino, donos de trajetórias irregulares a ponto de correr risco de rebaixamento.

Existem clubes, contudo, que precisarão resgatar mais a autoestima. O Grêmio Prudente, por exemplo, somou a queda para a segunda divisão paulista ao descenso na Série A do ano passado. E o Paraná surpreendeu a todos ao cair no Estadual - agora, espera que o atacante Kerlon, conhecido pelo drible da foquinha, esteja em boa forma física para iniciar já em âmbito nacional a reconstrução do clube.

Reconstrução também é o termo usado no Guarani e no Ituiutaba. Ambos começaram a temporada na segunda divisão de seus torneios estaduais, mas alcançaram o acesso - o Bugre foi vice-campeão da Série A2 e o Ituiutaba venceu o Módulo II do Mineiro.

Já Duque de Caxias, Salgueiro e Icasa, que pouco se destacaram em âmbito regional, e o Vila Nova, eliminado nas semifinais do Goiano pelo Goias, tentam achar o caminho para uma temporada que tenha, ao menos, um final de sucesso.

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