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Futebol
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Após dominar patrocínios, BMG quer comprar clube e chegar à elite

Banco, que esteve envolvido no escândalo do mensalão, é o maior investidor atual do futebol brasileiro

Paulo Passos, iG São Paulo |

Maior investidor do futebol brasileiro, o BMG quer agora um clube próprio na elite do campeonato nacional. O projeto do banco, que estampa sua marca em nove camisas da Série A e tem participação em direitos econômicos de pelo menos 100 jogadores profissionais, é comprar uma equipe na Série B, investir na contratação de jogadores e em estrutura e levá-la à primeira divisão até 2014.

VEJA TAMBÉM: BMG se torna investidor mais influente nos clubes brasileiros

Em setembro, o BMG esteve próximo de fechar o acordo com um clube da segunda divisão. O acerto não ocorreu, segundo um funcionário do banco, porque o valor pedido pelos donos da equipe foi muito alto. “A ideia é ter um time, no máximo, até o ano que vem. Projetamos estar na Série A em 2014”, revela o ex-goleiro Kléber Guerra, que trabalha como executivo do grupo.

Arte iG
Banco gasta mais de R$ 100 milhões para expor sua marca em camisas de clubes


O perfil de clube a ser comprado está definido: uma equipe que dispute a Série B, sem muita torcida – para que não haja reações caso o time mude de cidade- e, de preferência, que já esteja constituída como empresa. A verba que o grupo estaria disposto a gastar no negócio não é revelada.

Dinheiro, porém, não parece ser o empecilho para o desejo de ter um clube próprio. O BMG é hoje o líder na modalidade de crédito consignado no Brasil. Em 2005, esteve envolvido no escândalo do mensalão, quando emprestou dinheiro para o PT e para empresas do publicitário Marcos Valério. Os recursos foram repassados a deputados em troca de apoio no Congresso Nacional.

No futebol, o banco gasta hoje mais de R$ 100 milhões por ano para estampar a sua marca em nove equipes da Série A, em duas na Série B e em mais de uma dezena de clubes menores. Outros R$ 50 milhões foram investidos na compra de direitos econômicos de pelo menos 100 atletas profissionais.

AE
Banco tem direitos econômicos de pelo menos 100 jogadores, entre eles Paulinho, do Corinthians
Desde 2009, o grupo mineiro tem um fundo de investimento em participações, o Soccer BR1, que está registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O objetivo do negócio é comprar “fatias” de jogadores jovens e lucrar com a venda futura deles. Paulinho, do Corinthians , Henrique, do Santos , e Marlos, do São Paulo , são alguns dos atletas que o banco tem participação nos direitos econômicos. A lista completa dos 100 jogadores não é divulgada.

O BMG já tem um clube em Minas Gerais. Em 2010, o grupo comprou o Coimbra, time que usa para registrar alguns dos seus atletas. A equipe disputada torneios sub-20 e em 2012 jogará a segunda divisão do Campeonato Mineiro.

O dono do banco, Ricardo Guimarães, foi presidente do Atlético-MG, quando o time caiu para segunda divisão. Um aliado político dele no clube, Hyssa Moises, é quem gerencia a área de investimentos no futebol. A reportagem do iG tentou falar com os dois, mas a assessoria de imprensa do grupo disse que eles não iriam dar entrevistas.

BMG na série A

Patrocínio na camisa

Participação em direitos econômicos de jogadores

América-MG, Atlético-MG, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco

Avaí, Botafogo, Corinthians, Fluminense, América-MG, Atlético-MG, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo eVasco


Conflito de interesse ?
Parceiro de pelo menos 13 equipes da Séria A, seja em contratos de patrocínio, empréstimos feitos a esses clubes ou participação em direitos econômicos de seus jogadores, o BMG teria algum impedimento legal em seguir essas atividades e, ao mesmo tempo, ser rival desses times?

Segundo o artigo 27 A da nova Lei Pelé, “é vedado que duas ou mais entidades de prática desportiva disputem a mesma competição profissional das primeiras séries ou divisões das diversas modalidades desportivas quando: a) uma mesma pessoa física ou jurídica, direta ou indiretamente, através de relação contratual, explore, controle ou administre direitos que integrem seus patrimônios”.

O advogado Pedro Alfonsin, especialista em direito esportivo, lembra, entretanto, que isso não ocorre no caso do BMG, já que o banco nem pode ter legalmente participação na administração dos clubes que ele é parceiro. “Sendo assim, não existe impedimento legal de uma empresa adquirir um clube de futebol e patrocinar outro, assim como ter participação nos direitos econômicos dos atletas, mesmo pertencendo à mesma divisão”, argumenta Alfonsin. 

Leia tudo sobre: BMGBrasileirão 2011

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