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Time americano joga amistoso contra o Manchester United. Conheça a história da antiga equipe de Pelé

nullA reta final da pré-temporada do futebol inglês reservou um momento histórico para esta sexta-feira. Na partida amistosa que marcará a despedida de Paul Scholes do futebol, aos 36 anos, o Manchester United receberá no estádio Old Trafford o New York Cosmos, lendário time defendido por Pelé e outros astros internacionais durante os anos 70. O jogo, assim, marcará o retorno do clube americano que havia encerrado atividades em 1985.

O anúncio da volta foi feito há pouco mais de um ano pelo próprio Pelé, que hoje ocupa o posto de presidente de honra do clube. O novo Cosmos foi fundado em agosto de 2010 por um consórcio liderado pelo empresário britânico Paul Kemsley, ex-vice-presidente do Tottenham, que conseguiu comprar o antigo nome. O objetivo, a médio prazo, é que o time se torne uma franquia da MLS (Liga de Futebol Profissional, na sigla em inglês) em Nova York.

“O Cosmos nunca terminou. Se você olhar para os Estados Unidos hoje, todos de 7 a 20 anos jogam futebol, e isso é por causa do Cosmos. Eu sempre trabalhei para estabelecer o esporte no país e estou orgulhoso do que alcançamos. Veja como o time americano foi bem na Copa do Mundo Feminina, veja quantos jogadores americanos estão em todas as partes do mundo. Antes do Cosmos surgir provavelmente não havia nenhum”, disse Pelé em entrevista coletiva para promover o amistoso.

Como ainda não tem um elenco profissional, o time que enfrentará o Manchester United no amistoso terá alguns jogadores das categorias de base do Cosmos, que já estão disputando competições. Mas os destaques serão os jogadores convidados pelo francês Eric Cantona, ex-jogador da seleção francesa e do Manchester que no início do ano assumiu o cargo de diretor de futebol do Cosmos.

O francês Eric Cantona é o diretor de futebol do Cosmos na versão século XXI
Reprodução
O francês Eric Cantona é o diretor de futebol do Cosmos na versão século XXI
São atletas que se aposentaram recentemente ou que estão sem contrato no momento, como Gary Neville, Patrick Vieira, Fabio Cannavaro, Sol Campbell, Nick Butt e Dwight Yorke. Além de jogadores em plena atividade, como Wayne Bridge (Manchester City), Robbie Keane (Tottenham) e Michel Salgado (Blackburn). A partida acontece às 15h30 (horário de Brasília).

A história

Como todo o futebol nos Estados Unidos, o Cosmos vivia tempos difíceis no início da década de 70. Sem grandes estrelas, o esporte não atraía bons públicos aos estádios nem atenção da mídia. Mas a situação mudou drasticamente com a chegada de Pelé no dia 10 de junho de 1974. A apresentação do “Rei do Futebol” já foi um evento histórico, e nos três anos seguintes sua presença só aumentou a popularidade do futebol, com os jogos do time atingindo públicos de até 70 mil torcedores.

O antigo Cosmos funcionou de 1971 a 1985, fase em que foi o time mais vencedor do futebol nos Estados Unidos, com cinco títulos nacionais. Além de Pelé, outros nomes de destaque nesse período foram o alemão Franz Beckenbauer, o português Eusébio, o holandês Johan Cruyff, o italiano Giorgio Chinaglia e o paraguaio Romerito. O time chegou a ser formado por 16 nacionalidades diferentes.

O francês Eric Cantona é o diretor de futebol do Cosmos na versão século XXI
Reprodução
O francês Eric Cantona é o diretor de futebol do Cosmos na versão século XXI
Mas se a chegada de Pelé é apontada como fundamental para o início do crescimento do futebol nos Estados Unidos, sua aposentadoria também deu início ao fim dessa “era de ouro”. Depois que ele parou, outros astros também se aposentaram ou voltaram para a Europa e, aos poucos, o Cosmos deixou de ser um sucesso de público, até que em 1985 foi obrigado a encerrar as atividades.

Blecaute e homenagem

Além de Pelé, outro brasileiro que fez sucesso no Cosmos foi o capitão do tri, o lateral-direito Carlos Alberto Torres. Ele chegou a Nova York exatamente no dia 13 de julho de 1977, data de um dos maiores blecautes da história dos Estados Unidos, que não só deixou uma das maiores cidades do mundo sem energia como ainda provocou uma onda de furtos, vandalismo e até incêndios.

Recentemente, Carlos Alberto relembrou o episódio em material promocional feito para marcar o ressurgimento do time. Entre outras dificuldades, ele contou que ao chegar no escritório do clube para assinar o contrato precisou subir nove andares de escada, já que os elevadores não funcionavam.

Depois, no hotel, ficou horas dormindo em um sofá no lobby, já que o acesso aos quartos também estava impossibilitado. Apesar da chegada conturbada, foi mais um dos grandes nomes do melhor período do time, jogando lá entre 1977 e 1982. Hoje, o ex-jogador é um dos embaixadores internacionais do time.

O francês Eric Cantona é o diretor de futebol do Cosmos na versão século XXI
Reprodução
O francês Eric Cantona é o diretor de futebol do Cosmos na versão século XXI
Outro estrangeiro que passou pelo Cosmos na época foi o sul-africano Jomo Sono. Para ele, o período no clube foi tão marcante que, ao voltar para seu país, fundou seu próprio clube em homenagem ao time nova-iorquino, o Jomo Cosmos, sediado em Joanesburgo.

Futuro

A princípio, nenhum novo time poderá ingressar na MLS antes de 2013. No entanto, a liga já se comprometeu a ceder para a cidade de Nova York a próxima franquia. O principal obstáculo para o Cosmos, no momento, é provar que conseguirá comprar uma área e construir um estádio na cidade. Outro é o pagamento de uma taxa de 70 milhões de dólares de inscrição na Liga.

Caso consiga confirmar os dois itens, um dos atrativos vislumbrados pela nova diretoria e pela MLS é o surgimento de uma rivalidade local com o New York Red Bulls, onde hoje joga o francês Thierry Henry. Por enquanto, o time deve seguir fazendo partidas de exibição como a desta sexta no Old Trafford.

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