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Futebol
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Antes "vilões", agentes de boleiros agora se dizem vítimas

Empresários reclamam de mudanças na Lei Pelé e temem concorrência de grandes empresas nacionais e estrangeiras

Paulo Passos, iG São Paulo |

Do torcedor de arquibancada a Pelé, passando por dirigentes e técnicos, o “vilão” mais citado no futebol brasileiro é o agente de jogador de futebol. Pois agora os profissionais que se especializaram em negociar transferências de atletas são vítimas. Ao menos segundo eles mesmos.

Uma mudança na Lei Pelé e a entrada de grandes empresas nacionais e estrangeiras no mercado do futebol explicam o sentimento dos empresários de jogadores de futebol. “É um absurdo o que estão fazendo com a gente”, diz Wagner Ribeiro. Ele, que já trabalhou com Kaká e Robinho e hoje gerencia as carreiras de Neymar e Lucas, reclama da alteração na legislação, que agora impede os agentes de representarem jogadores com menos de 18 anos.

AP
Agente de Neymar e Lucas, Wagner Ribeiro reclama da mudança na Lei Pelé
Na maioria dos casos, a captação dos atletas pelos empresários acontece dos 14 aos 17 anos. “A Argentina não tem essa limitação. A Europa não também não. Isso é uma perda nossa”, afirmou Ribeiro. “Sabe o que vai acontecer? Vai entrar o jeitinho brasileiro. Ele (o jogador) vai assinar com um advogado que trabalha no meu escritório. Não vai ser registrado na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), mas terá validade jurídica”, completou.

Ribeiro e outros agentes alegam ainda que a proibição de assinar um contrato de representação com um menor de idade vale apenas para os empresários brasileiros. “É conflitante porque nós não podemos, mas um agente ou empresa estrangeira pode. A Fifa reconhece a procuração em qualquer lugar do mundo”, afirmou Leo Rabelo, que preside a Abaf (Associação Brasileira dos Agentes de jogadores de futebol do Brasil).

Rabelo diz que a entidade estuda medidas para tentar derrubar a nova lei. “É inconstitucional, já que empresários estrangeiros teriam uma vantagem muito grande, podendo assinar contratos com menores de 18 anos”, afirmou.

O iG ouviu advogados especialistas em direito esportivo que contestam a tese dos agentes. “Não existe essa vantagem para os estrangeiros. Nenhum agente pode assinar contratos com menores de idade”, afirmou o advogado Pedro Alfonsin. “A lei vale para todo mundo. Não tem fundamento essa queixa”, disse Luiz Felipe Santoro, presidente do IBDD (Instituto Brasileiro de Direito Desportivo).

Concorrência
Com razão ou não, a queixa dos agentes expõe o medo em perder mercado para estrangeiros e até empresas de marketing esportivo. Desde o final do ano passado, a Gestifute, considerada a maior no ramo de gestão de carreira de atletas, com clientes como Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Luiz Felipe Scolari, abriu um escritório no Brasil. Em poucos meses no país, a empresa já negociou as transferências de Elias, Deco e Miranda.

AE
Ronaldo entrega camisa do Corinthians à Adriano
Além dos estrangeiros, empresas nacionais também começam a atuar no ramo do futebol e assustam os agentes. Ronaldo, com a sua 9Nine, é um exemplo. Apesar de negar que pretenda tratar de transferências de atletas, o ex-jogador participou da contratação de Adriano pelo Corinthians. O atacante até então era agenciado por Gilmar Rinaldi.

“Eu não faço contrato com os jogadores que represento. Deixo de trabalhar com eles a partir do momento que uma das partes não quiser mais”, afirmou Rinaldi, que hoje trabalha com 10 atletas.

A recém-criada XYZ, do publicitário Nizan Guanaez, é outra que pretende trabalhar com gestão de carreira de jogadores. “O mercado do futebol tem suas particularidades. Por isso, estamos estudando como faremos, mas teremos uma unidade para isso em seis meses”, afirmou Guilherme Schaeffer, diretor da área de esportes da empresa.

“É claro que o mercado está ficando mais competitivo. O Brasil está no foco. Eles (agentes estrangeiros e empresas) virão para cá para pegar os meninos. Eles vão vir e montar os escritórios para levar os jogadores para a Europa”, afirmou Wagner Ribeiro, responsável pelas vendas de Kaká para o Milan, em 2003, e de Robinho para o Real Madrid, em 2005.

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