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Futebol
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Antes do ¿jogo do ano¿, Fluminense está à deriva

Informações desencontradas e recusas de técnicos retratam bem o atual momento do campeão brasileiro

Marcello Pires, iG Rio de Janeiro |

Se até janeiro o Fluminense era uma espécie de Disneylândia do futebol, onde jogadores e treinadores dariam tudo para fazer parte do mundo mágico das Laranjeiras, três meses depois a aristocrata sede da Álvaro Chaves tornou-se indesejada. Mas se no parque temático americano são Mickey, Minnie, Pateta e Peter Pan que dão as cartas, na sede do atual campeão brasileiro, que ultimamente até andou sendo visitado por ratos, o atual roteiro se parece mais com os desenhos de Pinóquio, tamanhas informações desencontradas nas últimas semanas. Já os mais nacionalistas preferem a comparação com os Trapalhões. Tudo isso às vésperas daquele que pode ser considerado o “jogo do ano”, o duelo diante do América-MEX, que definirá o futuro do clube carioca na Copa Libertadores 2011.

Sob a tutela de Muricy Ramalho, considerado o melhor técnico do país, o clube começou a temporada com um elenco de estrelas, com salários pagos em dia por um patrocinador generoso, comandado por um vice-presidente respeitado por jogadores e comissão técnica, apontado como favorito da Libertadores e liderado por um novo presidente.

AE
Antes da crise, Muricy Ramalho conversava animadamente com os torcedores nas Laranjeiras
Mas como num toque de mágica, o luxo virou lixo e de time da moda, o Fluminense tornou-se o time da chacota. Com as saídas do técnico Muricy Ramalho e as demissões do vice de futebol Alcides Antunes e do assessor de imprensa Erich Onida (dispensado pelo telefone), o clube ficou sem comando, à deriva e com sérios riscos de ser eliminado na fase de grupos da Libertadores, caso perca para o América-MEX, nesta quarta-feira, às 21h50, no Engenhão.

O primeiro capítulo da crise demorou a vir à tona, mas ficava mais nítido a cada entrevista de Muricy Ramalho. O paulista que chegou a sorrir nos primeiros meses de Rio de Janeiro voltou a ser o ranzinza dos tempos em que comandava o São Paulo de uma hora para outra. Embora ele afirmasse quase que diariamente que o ambiente continuava maravilhoso, os boatos de brigas com o presidente Peter Siemsen e Alcides Antunes se tornavam cada vez mais fortes.

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Problemas de relacionamento com a direção do clube começaram, aos poucos, a irritar Muricy

Muricy e Alcides insistiam em negar o atrito, porém, mais de uma vez, Peter Siemsen mandou avisar aos jornalistas, por meio da assessoria de imprensa do clube, que nada tinha a declarar. A partir daí, as confusões e as informações desencontradas se tornaram uma rotina quase que diária nas Laranjeiras.

Preterido pela FluSócio, grupo que apoiou Peter Siemsen nas eleições, Alcides Antunes afirmou que foi comunicado de sua demissão por Celso Barros, presidente da patrocinadora, na quinta-feira anterior ao Fla-Flu. Na sexta, o boato de que Muricy entregaria o cargo após o clássico estremeceu de vez as Laranjeiras. Desnorteado, Peter Siemsen marcou uma coletiva sábado à tarde, logo após anunciar a saída de Antunes, e desmentiu tudo.

Ao explicar os motivos de seu pedido de demissão, o treinador afirmou que comunicou ao presidente que deixaria o clube sábado pela manhã. Ou seja, a coletiva do dia anterior não passara de uma farsa.

Procura-se um técnico

Sem Muricy, estava iniciada à caça a um treinador. Abel Braga era o preferido de Celso Barros e a princípio até aceitou. Porém, o contrato do treinador com o Al Jazira, dos Emirados Árabes, vai até o final de maio e ele só poderia assumir o clube que o revelou como jogador em junho, nas primeiras rodadas do campeonato Brasileiro.

Divulgação
Gilson Kleina desistiu de ir para o Fluminense e ficou na Ponte Preta
Sem Abelão, as primeiras ofertas visaram os treinadores de maior prestígio no cenário nacional. Mas quase que na proporção de um técnico por dia, Felipão, Dorival Junior, Cuca, Renato Gaúcho, Levir Culpi e Adilson Batista disseram não ao Fluminense. Desesperados e sem alternativas, a diretoria então topou acertar com um interino e esperar por Abel até junho. Ex-auxiliar do treinador, o desconhecido Gilson Kleina, atualmente na Ponte Preta, foi o escolhido.

Mas a solução que parecia ser a mais simples, transformou-se em poucas horas em um grande mico. Às 16h45 de segunda-feira, a assessoria de imprensa do Fluminense comunicava que Kleina era o novo técnico do clube e não viria para ser interino.

A diretoria tricolor só não esperava que por volta das 20h o treinador afirmasse em entrevista à Rádio Central, de Campinas, que preferiu permanecer na Ponte Preta. O motivo? Um contrato tampão de apenas três meses no Fluminense, tempo que Abel Braga precisa para cumprir seu contrato com o Al Jazira.

É esperar para ver até quando o Pinóquio vai continuar sendo o personagem mais adequado para ilustrar a terra do nunca tricolor. Sem técnico, sem vice de futebol e quase sempre sem os medalhões em campo.

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