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Andrés admite turbulência na CBF e diz que Londres não julgará Mano

Em entrevista ao iG, diretor de seleções fala sobre futuro na entidade, Olimpíadas e demissão de Adriano

Paulo Passos, iG São Paulo |

Aliado de Ricardo Teixeira, o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, se tornou o dirigente de clube com maior influência e poder nos últimos dois anos na CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Implodiu o Clube dos 13 e chegou ao ápice de prestígio com o ex-mandachuva do futebol brasileiro ao ser convidado para comandar todas as seleções brasileiras a pouco mais de dois anos da Copa do Mundo.

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Com a renúncia de Teixeira, Andrés viu a sua situação mudar. Não perdeu o cargo e diz que enquanto quiserem, ele fica. Em entrevista ao iG admite, entretanto, que a entidade vive o que classificou de “turbulência”, após a saída do ex-presidente, que ficou 23 anos no poder e deixou o cargo envolvido em denúncias de corrupção.

VEJA TAMBÉM: Andrés não descarta levar ex-escudeiro corintiano para a CBF

“Um presidente sai após 23 anos, da maneira que saiu, sem ninguém esperar. Fica todo mundo na turbulência. O José Maria Marin (novo presidente) está tentando apaziguar isso”, afirmou.
Apesar disso, Andrés diz que segue no cargo até 2014 e, por consequência, acredita na permanência de Mano Menezes. “Espero e vou trabalhar para isso. As Olimpíadas não julgarão o trabalho dele”, diz.

Getty Images
Andrés Sanchez está na CBF desde dezembro, quando foi chamado por Teixeira


Confira a entrevista exclusiva de Andrés Sanchez:

iG: A CBF divulgou uma pré-lista para as Olimpíadas, com 52 nomes de jogadores. Não havia essa limitação. Por que vocês não deixaram o limite maior para escolher quando chegasse mais perto dos jogos?
Andrés: Porque nós aproveitamos as seleções que estavam convocadas sub-20, principal para pegar os documentos. No COB (Comitê Olímpico Brasileiro) tem que assinar um documento. Em vez de ficar viajando com avião para lá e para cá atrás de assinatura aproveitamos os 52 que já tinham sido convocados e tínhamos assinaturas. Se tivesse outra seleção convocada, chamaríamos 70. Depois haverá cortes para se chegar a lista de 18 nomes.

iG: Como está sendo o seu trabalho na CBF?
Normal. O que o Ricardo me pediu, o Marin ratificou. Vou procurar fazer da melhor maneira possível para ajudar o Mano e a seleção.

iG: Você tem reuniões semanais com o novo presidente da CBF?
Andrés: Tivemos duas ou três reuniões, falamos quando é preciso. Quando tenho dificuldade, ligo para ele e vice-versa. Ele tem um papel importante de transição no futebol brasileiro. Temos que unir para tentar ajudar. Hoje não é o Marin, é o presidente da CBF, que é a mãe do futebol brasileiro. Temos que ajudar.

iG: Desde que Marin assumiu o cargo, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, ganhou prestígio. Ele foi escolhido para o Comitê Executivo da Fifa e tem viajado com o Marin, o que gerou ciúmes de presidentes de outras federações. Você concorda que ele está mais influente?

Não fiquei triste, nem feliz. Foi um final ruim para todo mundo", diz sobre a saída de Adriano do Corinthians.

Andrés: Eu vi ele (Marco Polo Del Nero) poucas vezes lá na CBF. Independente de ser paulista ou carioca, o importante é fazer bem para o futebol brasileiro. Ele está ajudando naquilo que pode.

iG: Qual a sua relação com o Marco Polo Del Nero?

Andrés: Ele nunca foi na minha casa, nem eu fui na dele. Fui quatro anos presidente do Corinthians e tenho até uma boa relação com ele. Fez um bom trabalho para o futebol paulista e está ajudando naquilo que pode.

Reuters
O Mano sabe que tem que melhorar, ele sabe que temos que tentar ganhar as Olimpíadas
iG: Você teve algum problema com ele?
Andrés:
Nunca tive. Sou colega, não sou amigo.

iG: Como você classifica o momento político da CBF?
Andrés: Lógico que é turbulência. Um presidente sai após 23 anos, da maneira que saiu, sem ninguém esperar. Fica todo mundo na turbulência. O Marin ta tentando apaziguar isso.

iG: E como você vê esses movimentos políticos contrários à permanência do Marin?

Andrés: Não é problema meu. Eu sou diretor da CBF. Cada um tem o direito e fazer aquilo que está certo.

iG: Você acha que ele fica até 2015?
Andrés: Acho, não, tenho certeza. O estatuto diz isso.

iG: Você já admitiu que o futebol da seleção está abaixo das expectativas. Acredita que as Olimpíadas serão um teste para julgar o trabalho do Mano Menezes.
Andrés: Não vai ser teste nenhum. O Mano sabe que tem que melhorar, ele sabe que temos que tentar ganhar. Ele não vai ser julgado por ser medalha de prata, ouro ou bronze. Ele vai ser julgado pelos jogos, pelas convocações, pelo dia a dia do trabalho. Já vimos seleção ir mal na Copa América, na Copa das Confederações e ganhar a Copa do Mundo.

iG: Mesmo não ganhando a Olimpíada ele segue no comando?

Andrés: Acredito que sim e vou trabalhar para isso.

iG: Como você avalia a saída do Adriano do Corinthians? Você ficou triste?

Andrés: Não fiquei triste, nem feliz. Foi um final ruim para todo mundo. Nem sempre se acerta.

iG: E o fato de demitir ele por justa causa?
Andrés: Você tem que perguntar para o presidente do Corinthians.

O Del Nero nunca foi na minha casa, nem eu fui na dele. Sou colega, não sou amigo dele.


iG: Você já demitiu algum jogador por justa causa?

Andrés: Nunca, mas se estão fazendo é porque pode.

iG: O Corinthians fala em faltas dele em treinamento. Algumas faltas teriam sido na sua gestão. Você confirma isso?
Andrés: Sim, teve faltas dele em treinos quando eu era presidente, e ai?

iG: Você acha que é motivo para ele ser demitido?
Andrés: Se achasse, ele seria demitido na época em que eu estava lá. Eu esperava muito mais dele, mas teve essa contusão grave. Teve mais dificuldade para se acertar. Não estou arrependido pela contratação.

iG: ocê ouve muitas reclamações dos clubes dizendo que a seleção desfalca os times? Acha que isso pode ser resolvido?
Andrés: Isso é eterno. Temos que sentar e conversar e ver o que vai ser bom para tudo mundo, para prejudicar o menos possível. Mas a briga é eterna.

iG: E o caso do Neymar, que o Santos paga o salário mais caro do Brasil e não contará com ele por mais de um mês?
Andrés: O Santos tem que ir na CBF reclamar. Até onde eu sei, ninguém do clube foi lá.

iG: O Ronaldo e o Mano Menezes afirmaram que o Neymar deveria jogar fora na Europa para evoluir. Você concorda?

Andrés: O Neymar que decida a vida dele. Para a seleção é melhor ele estar no Brasil. Mas ele tem que saber e escolher o melhor para ele. Eu não tenho que opinar.
 

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