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Ambiente ruim potencializa imagem amadora do Palmeiras no mercado

Clube segue no caminho inverso à profissionalização com demissões de especialistas para cargos

Danilo Lavieri, iG São Paulo |

As demissões feitas no início desta semana no Palmeiras resumem um ano em que o clube caminhou na direção inversa ao profissionalismo. Três gerentes de áreas diferentes e cinco assessores de imprensa deixaram o cargo durante 2011, e apenas César Sampaio foi contratado com especialização para atuar na sua área. A decisão do presidente Arnaldo Tirone repercute de maneira negativa entre conselheiros e piora a imagem do clube no mercado do futebol.

Veja mais: Frizzo e Sampaio batem cabeça ao explicar demissão de funcionários

O primeiro passo rumo ao amadorismo, que significa colocar uma pessoa que não tem preparo para atuar em determinada área, foi a demissão do gerente de marketing Juan Rafael Britto, sob a alegação de reestruturação. Um comitê de conselheiros foi formado, com Rubens Reis, que atua praticamente sozinho na área, e Bruno Frizzo e Marco Pollo Del Nero Filho, que pouco aparecem na Academia. Recentemente, inclusive, a reportagem presenciou uma conversa entre o filho do vice de futebol e um de seus amigos conselheiros: "Quanto tempo que você não aparece por aqui, Bruninho".

Com um sorriso amarelo na cara, ele respondeu: "É o que todo mundo diz". A tentativa tímida de Tirone foi colocar uma gerente de marketing, que não tem um cargo oficial, segundo o próprio presidente, e presta apenas consultoria ao clube nas decisões. No campo jurídico, André Sica, que era o advogado que cuidava de todas as relações ligadas ao futebol, prestará serviços pontuais, a fim de economizar verba. O departamento ficará sob o comando de Piraci Oliveira e mais algum sócio ou conselheiro ainda a ser escolhido. Para a comunicação, ainda não está definido quem assumirá o posto dos atuais assessores, mas há a possibilidade de parte deles continuar.

Leia também: Tirone tenta negar, mas política pautou as demissões

Já no campo administrativo, a mudança deixou até mesmo César Sampaio preocupado. O ex-volante admite que teme pelo futuro do clube por causa da saída de Sérgio do Prado.

"Eu realmente fico chateado pela qualidade que o Sérgio tem e que ele tenha nos deixado. É uma decisão do clube, para conter gastos, mas vamos sentir bastante a falta. Vou até ligar para ele bastante, porque não tenho competência para fazer o que ele fazia", disse Sampaio, que depois brincou com a questão sobre o caminho inverso ao profissionalismo que o Palmeiras tem traçado. "Só sobrou eu de gerente, estou correndo risco", brincou o sempre bem humorado ex-jogador, que parece ter conseguido trazer a paz ao clube.

Ale Cabral/ Futura Press
Tirone deu carta branca para Felipão e seus membros de comissão técnica

Com todas as demissões, Tirone acaba atendendo a uma promessa que fez na sua campanha para a presidência, de tentar cortar gastos para ajudar no balanço financeiro do clube, mas atende, principalmente, uma reivindicação do treinador Luiz Felipe Scolari, que queria o fim do vazamento de informações e acreditava que os demitidos eram os responsáveis por tal problema. Aos funcionários, Tirone também admitiu que a pressão política ajudou na demissão e aceitou uma imposição de seu funcionário, que fica abaixo na escala de hierarquia, para dizer que não é banana.

"O Tirone me explicou que não aguentava mais ser chamado de banana, que queria mostrar que manda em alguma coisa e que me demitiria, assim como demitiu os outros funcionários", lamentou Sérgio do Prado, que ainda disse que pediu ao seu ex-chefe para que uma pessoa preparada assuma seu cargo. "A gerência é algo muito específica, não pode ser feita por qualquer um. Eu sei quem me derrubou e porque fez, vou conversar com o Tirone e explicar, mas ele precisa entender que para o meu cargo precisa ter alguém preparado".

Mercado implora por profissionalismo

Antes mesmo de todas as demissões, profissionais que trabalham no mercado do futebol ouvidos pelo iG criticaram o fato do futebol brasileiro demorar para se profissionalizar e afirmaram que os exemplos positivos de quem toma essa decisão estão mais do que claros, citando o Internacional, por exemplo.

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Mauro Holzman, que já trabalhou no Atlético-PR e hoje está na Traffic, explica que não tem como um clube exigir de uma pessoa que não é remunerada e não se dedica só àquela função um resultado que uma "empresa" de 16 milhões de clientes precisa ter.

"Como você vai cobrar de um diretor que não recebe dinheiro um resultado. Os clubes daqui de São Paulo tem capacidade de uma média para grande empresa. São mais de 15 milhões de torcedores e uma receita de mais de R$ 150 milhões. E você coloca um cara que não recebe dinheiro para cuidar de tudo isso? Os estatutos ainda proíbem o pagamento. Como você profissionaliza desse jeito?”, questiona Mauro Holzman.

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Ammir Sommogi, da Casual Auditoria, afirma que a péssima imagem de desorganização que o Palmeiras passa compromete todo tipo de investimento que uma empresa pense em fazer no clube.

"Se os times brasileiros fossem mais organizados, com uma estrutura não tão arcaica e que não tivesse tanto poder em mão de conselheiro, eles lucrariam muito mais. Não tenho dúvidas de que o Palmeiras é um grande exemplo disso", disse Sommogi ainda antes das demissões do Palmeiras, em um evento organizado pela Soccerex, feira que acontece no Brasil e defende um país mais preparado para lucrar com o negócio do futebol.



No clube, demissões não tiveram 100% de apoio

Internamente, a atitude gerou reclamações de boa parte da oposição, que, durante todo seu mandato, sinalizava com tentativas de ajuda à gestão. Os Eternos Palestrinos, por exemplo, que sempre ajudaram com ideias de profissionalização, lamentaram a decisão, mas explicaram que não querem fazer uma oposição destrutiva ao clube.

"Eu conversei com o Marcos Borin (líder do grupo). Em primeiro lugar, queremos o Palmeiras indo bem, com vitórias, seja lá como for. Mas achamos que o caminho certo para isso é a profissionalização. Não achamos uma boa atitude a de Tirone, mas também não podemos dizer que vamos romper e atacar a gestão, porque esse é o grande problema do Palmeiras. Afastar é algo que pode acontecer pela diferença de ideias, mas queremos sempre ajudar o clube", disse Adauto Lima, um dos representantes do grupo.

AE
Belluzzo não resistiu ao ambiente conturbado do Palmeiras

Outros líderes de chapas no Palmeiras, como Wlademir Pescarmona, Genaro Marino e Luiz Gonzaga Belluzzo também lamentaram muito as decisões. Todos eles já trabalharam com os nomes que foram demitidos e sempre fizeram muitos elogios aos que acabaram perdendo a cabeça no clube.

“Precisamos criar não só as eleições diretas. Precisamos criar lideranças mais jovens para sair em que sair do círculo vicioso, de ter sempre o mesmo no poder. Não necessariamente as mesmas pessoas, mas sempre o mesmo grupo. E esse problema passa pelos vitalícios também. O futuro do Palmeiras está na mão dessas mudanças. É uma mudança espontânea, tem que encontrar um veio político para encaminhar isso. Na próxima eleição, você não tem circulação, não tem renovação de elite. Ex-presidente de clube tem que agir como conselheiro e não como protagonista de lutas internas. Não pode se envolver na briga partidária, tomar posições que são injustificáveis. Ex-presidente tem que contribuir para o avanço institucional, porque falar com o fígado é ruim”, disse Belluzzo ao iG no mês passado.

AE
Torcida não gosta das ideias do ex-presidente Mustafá Contursi

Por outro lado, a ala que defende a austeridade, que tem como principal representante o ex-presidente Mustafá Contursi, achou a decisão correta, mas apenas um início de uma série de atitudes que precisam ser tomadas para ajudar as finanças do clube. Apesar disso, afirmam com veemência que nada tiveram a ver com a decisão de Tirone nesta semana e que apenas cobraram isso logo após a eleição, por causa das promessas de campanha.

Também na linha de economizar receitas, Mustafá também defende um comitê que cuide do futebol com no máximo uma pessoa remunerada.

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