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Com a meta de gerar R$ 180 milhões, Soccerex também atrai por jogos e excentricidades nos estandes

Após uma intensa troca de passes, a bola é passada para o lateral-direito, que de primeira, manda uma bomba no canto direito do goleiro. Pela descrição, dá para imaginar que se trata do gol anotado por Carlos Alberto Torres na final da Copa do Mundo de 1970, contra a Itália, quando a seleção brasileira venceu por 4 a 1 e conquistou o tricampeonato.

O autor da jogada realmente foi o ‘Capitão’, mas ao invés do estádio Azteca, no México, o tento foi realizado num palco um pouco mais modesto. Uma mesa de pebolim – ou totó, dependendo da região do país – indicada para crianças de até 12 anos, contra Paulo César Caju, companheiro na seleção de 70, durante a Soccerex, feira de negócios voltados para o futebol, que acontece até a próxima quarta-feira, em um hotel na zona Sul do Rio de Janeiro.

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Enquanto os dois ex-jogadores da seleção brasileira se divertiam com o brinquedo, no estande ao lado, diretores de uma empresa de marketing esportivo fechavam negócios milionários e dirigentes de cubes brasileiros analisavam tipos de gramados diferentes em uma espécie de cabide, como se fossem peças de vestuário. Essa é a tônica da convenção que acontece pela segunda vez na cidade e planeja movimentar R$ 180 milhões em negócios.

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De goleiros robôs a uma exposição de obras de arte, passando por estandes de equipes sul-africanas, argentinas e russas, a feira atrai empresários de todo mundo. E a maioria não perde a oportunidade de uma paradinha nos negócios para se divertir com as novidades e excentricidades do evento.



O ponto de parada obrigatório na última segunda-feira era o “Robo Keeper”, uma máquina onde um goleiro robô, auxiliado pela tecnologia de câmeras que tiram 90 fotos por segundo do cobrador, defende a mais indefensável das penalidades. A raposa, mascote cruzeirense que estava no evento, no espaço do clube mineiro, bem que se arriscou, mas isolou a bola, mostrando que nem na Soccerex a fase está boa.

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“Nós podemos controlar a velocidade de reação do goleiro. No nível máximo, ele se move 17 vezes mais rápido que um carro de Fórmula 1, fica praticamente impossível marcar um gol”, explica Torben Steffen, responsável pelo espaço do goleiro robotizado.

Outro evento disputado era uma partida de pebolim no estande da ‘Minigols’, empresa espanhola que confecciona bonequinhos de clubes e seleções. Vendidos em saquinhos sortidos onde é possível tirar tanto o atacante Messi quanto o goleiro Víctor Valdés, ambos do Barcelona, o boneco pode ser colecionado separadamente ou acoplado em uma barra na mesa de totó, também vendida pela empresa. Em fase de licenciamento com clubes brasileiros, o produto ainda não tem data para chegar ao mercado nacional, mas pela intensa movimentação, deve agradar os fãs da brincadeira.

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“Ficou lotado durante todo dia. A cada 10 minutos apareciam quatro empresários querendo brincar. E a mesa é para crianças de até 12 anos, bem pequena, mas eles nem se importavam. A expectativa é boa, em uma promoção com um jornal espanhol, foram vendidos 2, 3 milhões de bonecos. Aqui no Brasil o futebol é tudo e a moda deve pegar também”, diz Marcos Medugno, diretor de operações da empresa no país.

E no meio dos estandes de empresas que cuidam de gramados, camarotes, poltronas de estádios e até mesmo programas de computador com informações sobre jogadores de diversos campeonatos nacionais, sobrou espaço até para uma exposição de quadros do artista plástico Romero Britto, que recentemente desenhou o troféu de melhor jogador da Copa Libertadores, recebido por Neymar.

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“Ele quer acabar com essa coisa da arte ficar só nas galerias. O futebol é um dos temas de suas obras e é um lugar interessante para divulgar ainda mais as obras. Alguns governadores já até vieram fazer a reservas”, revelou uma das responsáveis pelo estande, observada de perto pelo ‘Gaúcho’, famoso por marcar presença nas últimas Copas do Mundo com uma réplica da taça, e contratado pelo Grêmio para tentar atrair visitantes ao estande da nova arena do clube. Mais que apenas futebol, a feira mostra que na hora dos negócios, quem chama a atenção também sai na frente do placar.

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