Câmara adiou votação da Lei Geral e repassou responsabilidade para Fifa e Estados

Alckmin criticou governo federal
AE
Alckmin criticou governo federal
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, avaliou que a decisão de repassar para os estados a discussão sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa de 2014 seria uma omissão da área federal, sem se referir diretamente ao governo da presidenta Dilma Rousseff. "A mim me parece uma omissão da área federal, porque parece claro que as 12 cidades devem ter um trabalho homogêneo. Essa questão deve ser vista de maneira harmoniosa entre municípios e Estados, para não ficar cada um faz de um jeito", disse o governador, em entrevista na manhã desta quarta-feira.

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À tarde, em evento no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Alckmin voltou a criticar o acordo no Congresso para a aprovação da Lei Geral da Copa, segundo o qual a decisão sobre a venda de bebidas alcoólicas seria repassada para os Estados que receberão jogos do Mundial de 2014. "Se isso realmente ocorrer, eu vou trabalhar junto com os demais governadores para que a gente tenha uma posição só", afirmou o governador.

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O governador de São Paulo disse ainda que vai aguardar a votação no Congresso, que pode acontecer na noite desta quarta-feira, para definir o que fará sobre o assunto. "É óbvio que se deve ter uma única posição: ou não permite em lugar nenhum ou se permite em todos", reforçou Alckmin, lembrando que a legislação paulista proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e teria que ser mudada para atender aos interesses da Fifa na Copa

Oposição e base aliada travaram votação da Lei Geral
A crise na base aliada da presidente Dilma Rousseff impediu a votação do projeto da Lei Geral da Copa nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. O principal foco de insatisfação é a falta de uma data para a votação do novo Código Florestal , mas partidos aliados aproveitaram o clima de insatisfação na Casa para impedir a aprovação do projeto envolvendo o Mundial de 2014.

A sessão desta quarta-feira foi tumultuada. Quase todos os partidos da base aliada se posicionaram contra a votação do projeto. Eles ameaçaram apoiar um requerimento da oposição que pedia a retirada de pauta. Por fim, decidiram por obstruir a sessão, impedindo que se alcançasse o quórum de 257 deputados para a votação do requerimento. Com isso, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), encerrou os trabalhos. E a votação da Lei Geral da Copa ficou para a próxima semana.

Entenda a polêmica sobre o novo Código Florestal

"Se fosse votar o mérito, temo que não tivéssemos votos para aprovar, o que seria uma sinalização ruim do País para a Fifa. Então precisamos trabalhar para que essa maioria silenciosa de hoje se transforme numa maioria estridente a favor na semana que vem", disse um dos líderes que trabalhou pela obstrução, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Além do Código Florestal, diversos deputados criticaram a condução do governo no debate sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os eventos da Fifa. Também nesta quarta-feira, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, fez nova mudança no entendimento sobre o tema. Segundo ele, mesmo com o texto original, que apenas retira a proibição do Estatuto do Torcedor, não seria necessário que os Estados alterassem leis contrárias à venda de bebidas alcoólicas. Grande parte dos deputados, porém, desconfia que esse discurso não se sustentaria no Judiciário e, na prática, os Estados teriam de alterar suas leis.

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