Novamente titular, goleiro diz que sonha em ser convocado, mas que no momento só pensa no Fluminense

Após uma ascensão meteórica ao substituir o ídolo Marcos , em 2007, Diego Cavalieri teve de se contentar a passar as três temporadas seguintes amargando o banco de reservas de Palmeiras , Liverpool (ING) e Cesena (ITA). Contratado pelo Fluminense no início do ano com status de craque a pedido de Muricy Ramalho , então técnico do campeão brasileiro, o goleiro viu surgir a grande oportunidade de sua carreira. Mas a falta de ritmo e as falhas na estreia da Libertadores, contra o Argentinos Juniors , somadas à intolerância do torcedor tricolor, colocaram tudo a perder e o jogador retornou após somente cinco jogos como titular para o lugar que mais tem frequentado nos últimos anos.

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Mas o banco de reservas nunca foi um lugar que Cavalieri se sentiu à vontade. Às vésperas de ser pai pela primeira vez e morando no Rio de Janeiro, o goleiro se apegou ao ótimo momento na vida pessoal, continuou trabalhando duro e jamais pensou em entregar os pontos ou tampouco mudar de ares.

“Penso muito na minha família nesses momentos mais complicados. Em nenhum momento pensei em desistir ou sair do clube. Todos os dias eu ia para o treino com a mesma motivação de sempre e buscando dar o meu melhor para estar preparado quando viesse uma oportunidade”, lembrou o goleiro.

Tranquilo, ele se calou, acatou a decisão do técnico e passou a trabalhar em dobro. Se a qualidade debaixo das traves nunca faltara, a motivação e a dedicação aos treinamentos se multiplicaram com a chegada de Abel Braga e sua comissão técnica. Voando, literalmente, sob os cuidados do novo preparador de goleiros,  Marquinhos, Cavalieri sabia que a chance era questão de tempo. E ela veio contra o Bahia .

O resultado negativo pouco importou. Afinal, apesar de levar um gol de Jobson , nos acréscimos, o goleiro evitou que o Fluminense fosse goleado, em pleno Engenhão, com defesas espetaculares. Nos dois jogos seguintes, duas boas ótimas vitórias, premiadas com mais duas belas exibições.

Os mais exagerados já pediram o camisa 12 do Fluminense na Seleção Brasileira. Nada que fizesse Diego Cavalieri subir no salto. Pé no chão, o goleiro reconhece que ainda é muito cedo para pensar em seguir os passos do ídolo Marcos e sonhar com uma convocação.

“Procuro não pensar muito nisso no momento. É claro que todo jogador sonha em vestir a camisa da Seleção Brasileira, mas meu pensamento agora está apenas no Fluminense”, afirmou o goleiro.

Confira a íntegra da entrevista de Diego Cavalieri

iG: Depois de ser recebido com status de craque nas Laranjeiras, foi frustrante jogar poucos jogos e ser barrado?
Diego Cavalieri : Na minha chegada sempre disse que estava preparado para jogar. Sabia que seria difícil o início, pois estava sem atuar há algum tempo e teria que me readaptar ao estilo de jogo do Brasil, já que passei três anos fora do país. Mantive a cabeça tranquila e respeitei a decisão do treinador na época.

iG: Qual foi sua maior motivação nesses quatro meses que você ficou apenas treinando?
Diego Cavalieri : Penso muito na minha família nesses momentos mais complicados. Minha esposa me deu muito apoio e esteve do meu lado o tempo todo. Nesses momentos as pessoas que realmente gostam de você são fundamentais. Em nenhum momento pensei em desistir ou sair do clube. Todos os dias eu ia para o treino com a mesma motivação de sempre e buscando dar o meu melhor para estar preparado quando viesse uma oportunidade.

iG: Em algum momento você pensou que pudesse acontecer no Fluminense o mesmo que aconteceu no Liverpool e no Cesena?
Diego Cavalieri : Ninguém gosta de ficar na reserva, mas eu sempre estive tranquilo. Procurei não pensar nas minhas passagens pelo Liverpool e Cesena e sim no presente. Todos os dias eu ia para o clube, treinava e fazia a minha parte. Sabia que mais cedo ou mais tarde a oportunidade viria.

iG: Em algum momento você temeu ficar marcado como um goleiro de apenas uma temporada?
Diego Cavalieri : Sei do meu potencial e tive duas boas temporadas pelo Palmeiras (2006 e 2007). Na Inglaterra e na Itália realmente não atuei muito, mas agora espero ter uma passagem diferente no Fluminense e escrever meu nome da história do clube.

iG: A decisão do Muricy Ramalho em barrar o Berna no momento em que ele estava bem e te escalar como titular foi precipitada?
Diego Cavalieri : A decisão foi do Muricy e eu sou funcionário do clube. Se naquele momento ele optou em me colocar, é porque tinha um motivo para isso. Entrei tranquilo e procurei fazer o meu melhor. Sempre respeitei as decisões dos meus técnicos ao longo da minha carreira.

iG: Você se sentia pronto para ser titular naquele momento?
Diego Cavalieri : Estava pronto. Sabia que seria difícil, pois o Fluminense era o campeão brasileiro e existia uma expectativa sobre a minha chegada. Além disso, tinham os problemas de readaptação também. Na Europa é tudo muito diferente. A velocidade do jogo, os tipos de treino, a bola, o clima, tudo.

iG: Você sentiu a falta de ritmo nos primeiros jogos que jogou pelo Fluminense?
Diego Cavalieri : Acabei sentindo um pouco sim, já que não fazia uma partida há muito tempo naquela época. Para um goleiro, ritmo de jogo é mais importante do que qualquer outro jogador. Você pode estar bem nos treinos e se sentir pronto, mas na hora do jogo é tudo diferente.

iG: Como foi que você soube que iria começar jogando contra o Bahia?
Diego Cavalieri : No treinamento coletivo durante a semana aconteceu a mudança e treinei entre os titulares três dias antes da partida.

iG: O Abel disse que você é um goleiro excepcional e já merecia essa oportunidade. Você acredita que finalmente chegou a vez de você se firmar de vez num grande clube?
Diego Cavalieri : É um momento importante. Espero me firmar no Fluminense, que é um grande clube e me abriu as portas para retornar ao meu país. Minha expectativa é a melhor possível para 2011.

iG: Você ainda pensa em disputar a Copa de 2014?
Diego Cavalieri : Procuro não pensar muito em Seleção Brasileira no momento. É claro que todo jogador sonha vestir a camisa verde-amarela, mas meu pensamento agora está apenas no Fluminense. Quero me firmar no clube, conquistar títulos importantes e fazer história aqui. Como eu disse na minha chegada, Seleção é uma consequência do meu trabalho no clube.

iG: Você já está adaptado ao Rio de Janeiro?
Diego Cavalieri: Totalmente. É uma cidade muito boa para se morar. Tem uma qualidade de vida ótima e estou muito feliz no Rio.

iG: Você chegou a conversar com o Berna depois que foi confirmado pelo Abel como titular?
Diego Cavalieri : Conversas normais, de rotina do dia a dia.

iG: Na chegada do Abel muitas pessoas diziam que sua entrada na equipe era questão de tempo. Em algum momento você também sentiu isso?
Diego Cavalieri : Eu continuei treinando como sempre fiz. Tenho minha personalidade e busco sempre o meu melhor. Sempre fiz questão de estar bem para quando surgisse a chance eu correspondesse e ela aconteceu.

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