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Futebol
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26 anos depois, clássico Come-Fogo na elite esquenta Ribeirão Preto

Duelo já teve dentes quebrados, Sócrates decidindo mesmo de ressaca e muitos outros causos

Francisco De Laurentiis, iG São Paulo |

Após um hiato de 26 anos, o tradicional clássico Come-Fogo está de volta à primeira divisão do Campeonato Paulista. Neste sábado, às 19h30 (horário de Brasília), Botafogo-SP e Comercial se enfrentam pela 3ª rodada do Estadual, em jogo que promete parar Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O duelo, que não acontece na Série A do Paulistão desde 20 de julho de 1986, será no estádio Santa Cruz, da equipe tricolor, com expectativa de 20 mil torcedores. Pouco mais de 29 mil ingressos foram colocados à venda.

Para tentar motivar o público e até os próprios atletas, os presidentes das equipes resolveram esquentar os ânimos com provocações. "Eu acho que o Come-Fogo vai ser só Come-Come, porque pelo que eu vi do Botafogo lá (goleada por 4 a 0 para o São Paulo, no Morumbi), acho que vai ser Come-Come mesmo", disse o mandatário do Comercial, Nélson Lacerda. "Falam muito. Até agora eu não vi o Comercial jogar. Jogaram duas e perderam as duas. Come-Come? Pelo o que eu vi nas primeiras rodadas vai ser Fogo-Fogo", rebateu Sílvio Martins, do Botafogo.

Os treinadores, mais cautelosos, preferiram não entrar na onda. Um demonstrou mais confiança, enquanto o outro preferiu fazer mistério. "Vamos usar o que temos de melhor para conseguir a vitória. Usaremos um arsenal pesado no sábado", afirmou Lori Sandri, do Botafogo. "Do goleiro ao atacante, todos têm chance de jogar. Não defini a equipe, vou definir conversando com meus jogadores. Aí, uma hora antes do jogo, vocês vão saber o jogadores que vão entrar", rebateu o comercialino Márcio Fernandes, que já passou pelo Santos.

Reprodução
Geraldão, ídolo do Botafogo-SP e do Corinthians, é o maior artilheiro da história dos Come-Fogos, com nove gols
Para os ídolos do passado, porém, o jogo já não tem a mesma importância de outros tempos. "Antigamente, a gente assinava com um time e ficava por muito tempo. Eu mesmo joguei 10 anos no Botafogo. E a gente disputava vários Come-Fogos, ano a ano, sentia o clima da cidade, a rivalidade. Hoje, os jogadores chegam para jogar no Botafogo, amanhã vão pro Noroeste, depois aparecem no Comercial. Perdeu a identidade, para eles é só mais um jogo", lamenta Benedicto Antônio Angeli, o Antoninho, um dos maiores artilheiros da história do duelo. Ele disputou dezenas de Come-Fogos em suas duas passagens pela equipe tricolor (1958-60 e 1962-1968).

De fato, poucos atletas que vão disputar o clássico deste sábado reconhecem a tradição do jogo. Nada menos que 37 jogadores relacionados não eram nem nascidos quanto Botafogo e Comercial duelaram pela última vez na Primeira Divisão.

Também não são muitos os nomes famosos dos dois lados. Pelo Botafogo, o mais conhecido é o técnico Lori Sandri, vice-campeão paulista em 2001 com o time tricolor, e o atacante André Dias , ex- Cruzeiro , Santos , Vasco e América-MG . Do lado alvinegro, atletas experientes como o zagueiro Fabão (campeão da Libertadores e Mundial com o São Paulo ) e o meia-atacante Romerito (campeão da Copa do Brasil com o Sport ) integram as fileiras. Pouco para um clássico que já teve craques como Raí e Sócrates do lado tricolor e Jair Bala e Paulo Bin nas fileiras alvinegras.

As estatísticas do confronto são dividida em duas fases, com cada time favorecido em uma. Na era amadora (1924-36), são 17 vitórias do Comercial (que na época era Commercial), cinco do Botafogo e quatro empates. Já na era profissional (1954 em diante), o Botafogo goleia com 54 vitórias, 29 do Comercial e 51 empates. Por problemas econômicos, o time alvinegro ficou fora de atividade entre 1936 e 1954, o que explica a ausência de confrontos no período. Somado, o confronto fica em 46 vitórias comercialinas, 59 botafoguenses e 55 igualdades. O jogo deste sábado será o 135° Come-Fogo da era profissional.

Reprodução
Sócrates é atendido após apanhar em um Come-Fogo. O "Doutor" costumava ser decisivo nos clássicos
Até o momento, apenas a equipe tricolor venceu no Paulistão. Apesar de ter começado o campeonato levando uma goleada por 4 a 0 para o São Paulo, o Botafogo venceu o XV de Piracicaba na última quarta-feira. Já o Comercial perdeu seus dois jogos até o momento: em casa, caiu por 4 a 3 contra o Linense, e fora perdeu por 3 a 0 para o Paulista. Confira algumas curiosidades do clássico:

- O primeiro Come-Fogo registrado em jornais aconteceu no dia 7 de dezembro de 1924, com vitória comercialina por 2 a 1.

- Sócrates já decidiu um Come-Fogo de ressaca. Em 7 de março de 1976, após curtir a noite em um animado baile de carnaval (ao lado de colegas do Botafogo e até de rivais do Comercial), o "Doutor" foi para o clássico na manhã seguinte em estado não muito apropriado para um jogador de futebol, mas acabou sendo decisivo mesmo assim. "Veio o sábado, uma droga de jogo, um calor danado, ninguém conseguia nem andar. Pós-carnaval, todo mundo num sono daqueles. Mas aos 45 do seungo tempo, o Gonçalves (zagueiro do Comercial) ficou atrasando a bola para o goleiro. Eu tava no meio de campo e o juiz estava olhando o relógio para acabar o jogo. Ia ser 0 a 0. O goleiro fazia uma onda e eu dava uns passinhos pra frente. E o zagueirão continuava devolvendo para o goleiro. No que jogou a terceira eu dei o bote e ele assustou, jogou a bola e ela passou do goleiro. Fui lá e fiz o gol. Nem voltei para o campo, foi a maior farra. O jogo acabou ali", relatou o craque no livro "Botafogo, uma história de amor e glórias".

- O Come-Fogo com maior público aconteceu em 1º de maio de 1977, quando 31.369 pagantes viram o Botafogo vencer o rival por 1 a 0 pelo Paulistão. Já o de menor público foi em 10 de agosto de 2005, em uma Copa Federação Paulista de Futebol: 1.028 pagantes testemunharam uma vitória por 1 a 0 do Comercial em pleno estádio Santa Cruz.

- Mesmo durante a era amadora, a rivalidade já era intensa. Em um Come-Fogo realizado no dia 1° de março de 1931, os jogadores do Botafogo abandonaram o campo por não concordarem com uma marcação do árbitro. Por WO, o Comercial saiu com a vitória, apesar do placar estar marcando 1 a 1.

Tony Miyasaka/Arquivo Público de Ribeirão Preto
Gol do Botafogo no clássico de 17/07/1960, o de maior número de gols na história: 5 a 2 para o tricolor

- O maior número de gols na história de um Come-Fogo foi anotado na vitória botafoguense por 5 a 2 sobre o rival, no dia 17 de julho de 1960.

- O zagueiro Piter, do Comercial, foi considerado por Pelé como um de seus melhores marcadores na história. Mas o "Muralha Negra", como era conhecido o defensor, viveu um dia bastante triste em um Come-Fogo: após levar uma bolada do rival Carlucci (conhecido pelo chute fortíssimo) direto no rosto, Piter acabou ficando sem alguns dentes.

Divulgação
Come-Fogo nos dias de hoje: para ídolos do passado, clássico perdeu a magia
- As maiores goleadas do clássico são ambas pelo mesmo resultado. Em 17 de maio de 1955, o Botafogo fez 5 a 0 no rival, gols de Neco (2), Américo, Dorival e Brotero. O troco veio em 28 de agosto de 1966, quando o Comercial também venceu por 5 a 0. Os artilheiros do dia foram Peixinho (2), Luiz, Paulo Bin e Jair Bala.

- O duelo de 04 de fevereiro de 2007, válido pela Série A2 do Paulistão, teve vitória do Comercial por 1 a 0, mas a partida foi manchada por uma terrível agressão. Um gandula, conhecido como Carlinhos, acertou o goleiro Marcão, do Botafogo, com uma barra de ferro e acabou preso.

- O único Come-Fogo realizado fora de Ribeirão Preto foi disputado em Goiânia, no dia 21 de março de 1965, com placar de 1 a 1.

- O famoso atacante Geraldão, maior artilheiro da história dos Come-Fogos e ídolo de Botafogo de Ribeirão e Corinthians, viveu situação inusitada em dia de clássico. Enquanto ia para o estádio, sofreu um terrível acidente de carro, mas escapou ileso. Chegou ao estádio abalado, mas decidiu ir a campo mesmo assim. E, como sempre, acabou sendo decisivo: marcou um gol e a equipe tricolor venceu por 2 a 1.

Francisco De Laurentiis/iG
Recorte de jornal anuncia o empate no primeiro Come-Fogo da era profissional, em 19 de dezembro de 1954

- A maior sequencia invicta do clássico pertence ao Botafogo: 17 partidas sem perder. Mas o Comercial também conseguiu boa série contra o rival: nova partidas sem perder.

- Em um Come-Fogo realizado em 21 de julho de 1985, o árbitro Roberto Nunes Morgado teve problemas com seu carro enquanto viajava para apitar o clássico. As torcidas ficaram impacientes e começaram a brigar. Quando Morgado chegou ao estádio Santa Cruz, com mais de uma hora de atraso, boa parte dos torcedores não estava na arquibancada, mas sim na enfermaria.

FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO-SP x COMERCIAL

Local: Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto (SP)
Data: 28 de janeiro de 2012, sábado
Horário: 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Marcelo Aparecido de Ribeiro de Souza
Assistentes: Alberto Poletto Masseira e Alex Alexandrino
Assistentes adicionais: Thiago Duarte Peixoto e Giuliano Dutra Pellegrini

BOTAFOGO: Márcio; Thiago Ulisses, Cris, Gustavo Bastos e Paulo Junior; Gil Baiano, Alex, Emerson e Camilo; Talles Cunha e Luiz Ricardo Técnico: Lori Sandri

COMERCIAL: Alex; Marcelo Ferreira, Fabão (Rafael Tavares), Marcel e Rossato; Vágner, André Bilinha, Carlos Magno, Luis Augusto e Romerito; Elionar Bombinha Técnico: Márcio Fernandes.

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