"O PCC deu a ordem para acabar com as brigas. O que a gente investiga é qual o interesse que a facção tem com isso", disse investigador do DHPP

Principais torcidas organizadas de São Paulo se reuniram em frente o Pacaembu e selaram a paz. Acordo pode ter relação com o PCC
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Principais torcidas organizadas de São Paulo se reuniram em frente o Pacaembu e selaram a paz. Acordo pode ter relação com o PCC

Em respeito ás vítimas do desastre aéreo envolvendo parte do elenco da Chapecoense na última semana, as principais torcidas organizadas de São Paulo se reuniram em frente ao Pacaembu, no último domingo (4), e ainda procuraram a Polícia Civil, na última terça-feira (6), para propor um pacto pela paz batizado por "mais festa, nenhuma violência". Entretanto, a polícia agora investiga se o ato teve outra motivação: o PCC.

De acordo com matéria publicada pelo portal da "RedeTV!", o PCC (Primeiro Comando da Capital), pode ter determinado o fim da confusão entre os torcedores organizados de São Paulo. Isto porque desde a última segunda-feira (5) circulam áudios de integrantes das torcidas que confirmam ameaça da facção criminosa, que tem parte da cúpula presa na Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

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Ainda de acordo com o site, um investigador do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, que pediu para não ser identificado, os áudios são verdadeiros. "O PCC deu a ordem para acabar com as brigas. O que a gente investiga é qual o interesse que a facção tem com isso, ou seja, no que estaria interferindo as brigas com o negócio do PCC. A Polícia Civil identificou como reais as conversas. Mas detalhes podem atrapalhar investigações maiores", afirmou.

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Os problemas entre as torcidas organizadas em São Paulo (Gaviões da Fiel, Mancha Alvi-Verde, Torcida Independente e Torcida Jovem) aumentaram a partir do ano passado. Depois da morte de um torcedor na zona leste da capital, no dia do clássico entre Corinthians e Palmeiras, a Secretaria da Segurança Pública do Estado determinou a realização de clássicos apenas com a presença de torcedores do mandante nos estádios.

Confira a descrição dos áudios

"Quem deu o salve foi o maninho Marcola. Acabou a briga, mano. Acabou a guerra de torcida. Se tiver… Quem vai (morrer) é os líderes (sic) aí, ó! Os caras da (zona) norte tavam falando aí. Acabou, mano. E, se matar, quem vai morrer é os líderes (sic)".

"Tô vindo da subsede agora. Os caras pediram uma reunião, né?! Esses bagulhos de torcida aí… Segundo eles, se reuniram com a ND lá, né, o Baby, o Batata, o Negão, e receberam ordem do Marcola… De que não é pra ter briga nenhuma de torcida. Nem morte, nem briga, nem nada. O cara que brigar, vai apanhar; e o cara que matar, vai morrer. É ordem do PCC, entendeu? As quatro torcidas de São Paulo. Interior… Onde for, não pode ter briga, nem morte, nem nada. Ordem do Marcola. O bicho vai pegar, hein?!"

"Acabou. Acabou, irmão. Pelo o que eu fiquei sabendo aí, a ideia é quente. Acabou as ideia (sic) de briga. Quem arrumar confusão aí, vai azedar. É sério mesmo. Tô sabendo aí. Tá todo mundo já falando essa caminhada aí. Entendeu? Azedou o molho".

"O bagulho acabou as brigas, parceiro. É nós que é a frente do barato (sic), devido a [zona] norte aí, vai fazer a reunião. Isso cabe para todas as quebradas. Não tô brincando. É referente o comando. Pôs a pedra em cima do bagulho, tá ligado? Se brigou na zona norte, vai berrar pra nós que é liderança (sic). Certo? Matou um moleque que é inimigo, nós vai morrer também (sic), tio. Tá vendo esses bagulhos no estádio, todo mundo junto? Quando eu vi isso, eu pulei fora. Acabou. Não tem mais briga, não vai ter. Quem tiver, segura o bagulho. Infelizmente, aconteceu o que não era pra acontecer. Se ver os inimigos, se marcar, tem que ir pro jogo até junto, que nem tá aí, ó. Eu mesmo, pra mim, não posso ficar nessa fita, não, porque é o seguinte: o barato é torcida uniformizada. Já que acabou, acabou. Tô fora".

Outro lado

A maior torcida organizada do Corinthians, Gaviões da Fiel, se posicionou sobre o caso.  Em nota publicada no Facebook, a diretoria da agremiação se defende e diz não haver qualquer ligação dos acontecimentos com 'mandos criminosos'. Leia a nota completa abaixo: 

"POSICIONAMENTO DOS GAVIÕES SOBRE OS ATOS ENVOLVENDO AS TORCIDAS ORGANIZADAS DE SP

Nessa semana, a imprensa tem dado amplo espaço para ações realizadas em conjunto com as principais organizadas paulistas, que vem acontecendo com o intuito de coibir atos de violência isolados por parte de alguns torcedores. Mas ao mesmo tempo que vemos com bons olhos a atenção que a mídia tem dado para nossos esforços, lamentamos que parte dela construa suas pautas baseando-se em boatos de internet e áudios anônimos de grupos de WhatsApp.

A Diretoria dos Gaviões da Fiel vem a público deixar claro que qualquer associação das recentes ações em prol da paz nos estádios com "mandos criminosos", não passam de uma desleal tentativa de desmoralizar o que estamos nos esforçando para fortalecer entre as torcidas organizadas do nosso estado.

O trabalho que hoje torna-se público e tem sido amplamente divulgado, para nós não é novidade. Os, diretores de diferentes torcidas já mantem amplo e direto diálogo, tanto entre si quanto com autoridades e Poder Público, com o intuito de não apenas diminuir casos de violência, como também resgatar a verdadeira festa nos estádios.

Entendemos que apenas o diálogo e as ações efetivas serão capazes de trazer novamente a alegria e as tradicionais festas populares para as arquibancadas brasileiras - e qualquer coisa que fuja desse contexto, não passa de mentira.

Diretoria dos Gaviões da Fiel Torcida"

Mesmo após as evidências, a Polícia Civil não reconhece que o pacto de paz entre as torcidas organizadas tenha relação com os áudios. Marcola, citado em um dos áudios, é Marcos Willians Herbas Camacho, chefe do PCC.

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