Artilheiro do Santos no Campeonato Paulista com 11 gols afirma que se preparou para retornar ao clube e conquistar o que não conseguiu em 2003, com o vice da Libertadores

Há um ano, um filme passava pela cabeça de Ricardo Oliveira. Ao ser liberado pelo Al Wasl, dos Emirados Árabes, o atacante cogitava retornar ao Brasil para reescrever a história que havia deixado incompleta em 2003. Sentia que precisava voltar para amenizar a dor do vice-campeonato da Copa Libertadores com o Santos , diante do Boca Juniors, em pleno Morumbi. Precisava tentar mais uma vez, por ele e por quase 75 mil torcedores que deixaram o estádio naquela noite de 1 de julho cabisbaixos.

Ricardo Oliveira, atacante do Santos
Ivan Storti/Santos FC
Ricardo Oliveira, atacante do Santos

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Embora tenha saído em alta para o Valencia (ESP), quando decidiu regressar ao Santos, em janeiro após 12 anos, sabia que encontraria desconfiança. Afinal, estava há cinco anos nos Emirados Árabes e não jogava desde maio de 2014. Acabou por aceitar o contrato de risco com validade de apenas seis meses proposto pelo clube e por engolir as críticas para ser o atual campeão do Campeonato Paulista e artilheiro do torneio com 11 gols.

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“Eu queria começar a pagar uma dívida que deixei em 2003, com o vice da Libertadores. Aquilo marcou um pouquinho a minha carreira de uma maneira triste, pois era a primeira vez que eu estava disputando um título importante. Sair da Portuguesa para o Santos e disputar o Paulistão, Campeonato Brasileiro e ver o Morumbi lotado e não conseguir o título internacional me entristeceu bastante. Então, agora, em quatro meses levantar uma taça de título regional, acho que começo a escrever uma história bonita”, afirmou ele em entrevista exclusiva ao iG .

Ricardo Oliveira com as premiações após o Campeonato Paulista
Divulgação/ Santos FC
Ricardo Oliveira com as premiações após o Campeonato Paulista

“História bonita” que ganhou chance de ser prolongada após a renovação do vínculo até o fim de 2017. Caminho que ele já previa antes mesmo de assinar o primeiro documento com a diretoria do Santos.

“Existiam muitas dúvidas das pessoas e era até compreensível. Ninguém sabia como eu estava, em um campeonato não tão competitivo e curto. Eu acho que foi um momento muito importante em minha carreira, mas a dúvida em minha cabeça nunca existiu. Eu sabia do meu potencial, da minha capacidade e sabia que deveria voltar e demonstrar todo o meu potencial como atleta”, declarou.  

Para Ricardo Oliveira, a premiação individual como artilheiro e a conquista do Paulistão apenas atestam o que ele já pensava. “É a certeza de que eu sabia que ia acontecer por causa do meu empenho, do meu trabalho e, obviamente, por causa dos meus companheiros. Eles acreditaram que eu poderia ser um cara decisivo dentro do time e isso ajuda bastante. Eles também se dedicaram para levar a bola e me colocar em condições de finalizar e marcar os gols para o time. Eu me preparei para esse momento”.

Aos 35 anos, o atacante se prepara para a disputa do Brasileirão que começa neste sábado. Contra o Avaí, na Ressacada, vai ter gol de Ricardo Oliveira? É o pastor mais matador do Brasil, como diz a torcida. 

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